Você sabe quanto custa (de verdade) ter uma amante?

Não estamos falando no sentido figurado. Com base em uma história real, contabilizamos dinheiro, bufunfa mesmo! Olha só o tamanho do estrago

O repórter Erich França, da revista Vip, conta que Alice e Renato estão juntos há seis anos. Eles formam um casal bem comum, desses que passam batido quando estão em passeio de mãos dadas no shopping. Há um detalhe, no entanto: Renato é casado com Amanda há 14 anos – e tem uma filha de 10. (Os nomes foram trocados para preservar a identidade das fontes).

Ele mora com a família na capital paulista, onde é gerente comercial em uma multinacional de minério de ferro. Alice é compradora de suprimentos de uma montadora de veículos e vive a 90 km dele. O trabalho foi o gatilho para o romance: durante uma visita de negócios, Alice foi encarregada de acompanhar Renato em um almoço. Antes de chegarem à sobremesa, eles foram direto para o hotel dele e esse imbróglio todo começou a rolar.

Morar em cidades diferentes facilita a vida de Renato. Como ninguém o conhece onde Alice mora (nem sabe do casamento dele), o sujeito consegue levar a relação paralela na boa. Ou seja, os encontros do casal não se resumem a saídas furtivas ao motel ou a jantares no hotel dele – Renato não dorme na casa da amante para não levantar suspeitas em Amanda. Outras viagens a trabalho também servem de passeio aos pombinhos.

Isso não significa que Alice não o cobre por mais. “As datas comemorativas são cruéis: a família dele sempre tem prioridade, como Natal e Réveillon, assim como as férias”, diz a moça. “Também não o vejo com frequência. Na maioria das vezes, vem para cá nas visitas de trabalho. Mas o máximo que ficamos sem nos ver foi 20 dias.” Fins de semana, ele fica em casa.

O valor da consciência

Como na maioria dos casos extraconjugais, o complexo de culpa é um dos sentimentos mais constantes. Renato sente-se culpado por não conseguir dar mais atenção a Alice e por sacanear Amanda. Para compensar, ele é generoso: buquês de flores, pelo menos uma vez por mês, para ambos os lados. Nota: um arranjo de rosas colombianas, com 12 unidades, sai, com frete incluso, por volta de 160 reais em São Paulo.

(Erich França/VIP)

Mais jantares nos restaurantes favoritos das mulheres. Bistrô francês com vinho rosé para Alice. Italiano com vinho tinto para Amanda. Hamburgueria com milk-shake para a pequena Manuela (a filha). No final dos banquetes, a conta não fecha por menos de 300 reais em todas as opções (sim, comer fora não está caro apenas no sentido figurado). Sem contar os presentes fora de hora.

Para não cair na rotina, Renato e a esposa separaram as terças-feiras para ficar juntos. Além de fazerem programas como se fossem namorados (cinema, teatro e coisas do gênero), a noite costuma terminar em um motel.

As condições das suítes evoluíram de acordo com a idade e a exigência do casal. Atualmente, a preferida deles é uma que tem 300 m2, teto retrátil, banheira de hidromassagem e espumante. Como não quer fazer menos por Amanda, ele mesmo escolhe lingeries sensuais para presenteá-la. O saldo da semana é geralmente 800 reais.

O meu, o seu, o nosso

Aniversário é uma dor de cabeça para Renato. A comemoração principal é, claro, com a família. O que deixa Alice insatisfeita. No último ano, o cara precisou programar uma viagem para desgelar a gata. O roteiro incluiu três dias na Serra Gaúcha, em suíte com ofurô e lareira, vinhos e fondue. Nessa brincadeira, gastou cerca de 5 mil reais.

Como Renato passaria 15 dias trabalhando em Porto Alegre (RS), nem precisou bolar uma desculpa mirabolante para a esposa. Porém, no domingo à noite, foi difícil acalmar a fera: ela telefonou durante todo o fim de semana no hotel e não o encontrou. No dia seguinte, ele tratou de comprar uma “lembrancinha”: uma echarpe de lã, de confecção local, por 300 reais.

O dia do nascimento da filha dele cai dois depois do da amante. Ou seja: Renato nunca conseguiu comemorar com ela. É nessas horas que Alice pensa se vale a pena continuar esse romance.

Renato nunca deu esperanças de que o casamento dele está por um fio e que um possível divórcio está por vir. Muito pelo contrário: deixa claro que ama a esposa, assim como também a ama. Um poliamor bem resolvido. Mas a culpa é novamente arrebatadora: de presente de aniversário, Alice sempre ganha uma joia. Neste ano, ela recebeu uma pulseira com diversos pingentes que é febre entre as mulheres. Ele gastou 2 mil reais – e o relacionamento ganhou uma sobrevida.

Telefone, cartão de crédito e outros possíveis flagrantes

Além da vida duplicada, Renato tem duas linhas telefônicas, dois cartões de crédito e duas contas bancárias. A esposa certamente não sabe exatamente o valor do contracheque dele. Mas cerca de 60% das horas extras são destinadas à amante – grana que ele deposita nessa conta extra assim que o salário entra. Ao todo, representa quase um terço do salário dele.

A prioridade do rapaz é a esposa e a filha, tanto que nos meses de janeiro e fevereiro – quando as despesas domésticas aumentam – ele pouco sai com a amante. Limitam-se apenas aos encontros proporcionados pelas viagens a trabalho na cidade dela, além do vale-refeição da firma.

(Erich França/VIP)

Para conversar e trocar mensagens com Alice, ele tem um celular extra, que fica dentro da gaveta do escritório e ligado apenas em horário comercial. Apesar de Amanda nunca ter mexido no aparelho dele, Renato não o leva para casa. Assim como a fatura do cartão: a conta chega ao endereço da firma. E-mails pessoais? Nunca trocaram uma única linha sequer. Redes sociais? Não são “amigos” em Facebook e afins.

Além de terem uma relação profissional, o melhor amigo de Renato foi pego em flagrante pela esposa por causa de um antigo chat. Para não correr riscos, decidiu manter-se afastado de possíveis provas cibernéticas.

O preço de uma derrapada

Os nomes da esposa e da amante começam com a letra “A”. Há alguns dias, no calor da emoção, Renato trocou a graça da Alice pela da Amanda – por sorte. Para compensar a gafe, ele entrou no círculo vicioso: flores, restaurante, lingerie, viagem e joia.

Em março do próximo ano ele faz 15 anos de casado. Para comemorar, está programando uma viagem a Paris com a esposa. Em abril, tem um encontro de negócios na China. Nesse caso, a esposa, Amanda, vai cruzar o oceano para acompanhá-lo ao Oriente. O custo disso tudo daria para comprar um carro, modelo SUV. Porém, ele prefere percorrer outras curvas. Mas isso não é da sua conta. É, sim, da dele. Especialmente a do banco.

 

Os custos da infidelidade

R$ 912/mês – É quanto os homens gastam, em média, por mês em motéis para levar suas amantes. O valor foi obtido em uma pesquisa com 1 096 usuários do Ashley Madison, o principal site do país para ajudar pessoas que querem trair seus parceiros a encontrar outras com a mesma intenção.

R$ 532/mês – É o valor mensal que os puladores de cerca afirmaram que desembolsam com jantares.

R$ 1 340/ano – São gastos ao ano com presentes para a outra.

2X – De acordo com outra pesquisa feita no site, dessa vez com 1 754 usuários, os gastos com as amantes são duas vezes maiores do que os realizados com as próprias esposas.

72% – Deles costumam dar de presente para as oficiais principalmente itens para a casa, seguido de roupas e eletrônicos.

68% – Das amantes ganham joias dos homens, que também dão flores e roupas.

R$ 1.200/mês

Marcio*, 41 anos, empresário do ramo imobiliário, casado há nove anos, afirma que costuma ir quatro vezes ao mês jantar com sua(s) amante(s) – ele não fica mais de três meses com uma fixa, Gasta, com cada jantar, cerca de 300 reais. São, portanto, 1.200 reais ao mês com jantares. “Como todo homem, costumo dar presentes para minha mulher quando me sinto culpado”, afirma.

R$ 1 mil/mês

Já Tiago, 34 anos, administrador, casado há dois anos, mantém a mesma amante há três meses e vai com ela (ou com outras mulheres, já que ele não é “fiel”) ao motel toda semana, ao custo de cerca de 200 reais cada vez – são, portanto, 1 mil reais mensais. “Isso fora o vinho que levo toda vez”, conta.

Deixe sua opinião via Facebook abaixo!
Anterior «
Próximo »

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

  • twitter
  • googleplus

Deixe uma resposta

Direto de Brasília