“Volta Dilma” começa a ganhar força com falhas de Temer e falta de pressão popular

As escolhas ruins que o presidente interino Michel Temer vem fazendo em sua curta gestão estão favorecendo, e muito, o PT e seus aliados. Já é perceptível um certo desânimo por parte da sociedade, que foi às ruas pedir o impeachment de Dilma Rousseff. Michel Temer teve em primeiro momento, a oportunidade de fazer a mudança, de fato, mas escolheu o velho caminho do PMDB, nomeando Romero Jucá, que carrega con sigo acusações antigas, ainda de quando foi presidente nos longínquos anos 80.

Na época, o quadro de funcionários do órgão subiu de 3 300 para 4 200: somente em Recife, sua terra natal, o escritório chegou a ter 400 funcionários, chegando a sofrer intervenções do Tribunal de Contas da União devido a irregularidades financeiras no órgão. Mesmo após deixar o cargo, continuou alvo de um processo no Superior Tribunal de Justiça, por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena

Mais recentemente, Romero Jucá teve seu nome envolvido no esquema de corrupção da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, nos depoimentos de colaboração com a justiça do ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa.

Jucá ainda foi citado em recebimento de propina em obras de Angra 3, também investigado pela força-tarefa da Lava Jato.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, autorizou a abertura de investigação contra o senador em 6 de março de 2015, tirando o sigilo do pedido de abertura de inquérito.

Jucá foi exonerado à pedido após conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado terem sido reveladas. No áudio, o ex-ministro fala em “estancar a sangria” provocada pela Operação Lava Jato. Nos dias seguintes à divulgação pelo jornal Folha de São Paulo, sob forte pressão da turma do “muito barulho por nada”, ele foi exonerado. Dias depois foi a vez de Fabiano Silveira, que assumiu o Ministério da Transparência, também caiu devido a áudios de Machado. De novo, movimentos ligados ao PT e a imprensa partiram para fazer pressão. O ministro pediu demissão e o governo de Temer enfraquece com o novo golpe.

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Paralelo a isso, um grupo de mais de 30 deputados do Parlamento Europeu enviou na última segunda-feira uma carta à alta representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Federica Mogherini, pedindo que não negocie com o Governo interino do Brasil, liderado por Michel Temer, o acordo comercial do bloco com o Mercosul.

O autor da carta, o eurodeputado Xabier Benito, do partido espanhol de esquerda Podemos, denuncia no documento a falta de “legitimidade democrática” do novo Executivo brasileiro, que substitui a presidenta afastada Dilma Rousseff enquanto o Senado a submete a um processo de impeachment por supostos crimes orçamentários, as chamadas “pedaladas fiscais”.

O também primeiro vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Mercosul lembra em sua carta, que foi assinada por eurodeputados de diferentes grupos políticos e nacionalidades, que esses acordos devem levar em conta “a dignidade das pessoas e os direitos humanos, e não devem nunca priorizar o benefício econômico sobre o bem-estar das pessoas”.

“Duvidamos que esse processo de negociação tenha a legitimidade democrática necessária para um assunto dessa magnitude”, afirmou, ao mesmo tempo em que considera que “o mandato de Rousseff só pode ser mudado mediante o único método democraticamente aceitável: as eleições”.

O jornal O Globo desta terça-feira noticiou que os senadores Romário Farias (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO) já avaliam a possibilidade de mudar o voto, e apoiarem o retorno de Dilma Rousseff. Em nota em seu perfil no Facebook, Gurgacz declarou, “como todos sabem, votei pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal. Porém, em momento algum, manifestei como será meu voto na fase de julgamento”. Ele afirmou ainda que, “como sempre, votarei com a minha consciência e tendo como referência a vontade da maioria da população de Rondônia e do Brasil, como já fiz na fase de admissibilidade do processo”.

Já o senador Romário Faria ainda não se manifestou, apesar das cobranças que estão sendo feitas em suas redes sociais.

Enquanto Michel Temer e suas escolhas vão enfraquecendo seu governo, os petistas e seus aliados vão ganhando espaço. O Senado havia se comprometido a votar o impeachment em agosto, agora já mudou a data e se fala em setembro. Se for a mantida a artilharia sobre Temer, ele passará o restante de seus dias explicando as nomeações e nenhuma ação concreta será tomada. Continuamos com o mais do mesmo.

Alan Alex é editor de Painel Político

News Reporter
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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