Cunhado de Confúcio usava vários telefones e enviava e-mails criptografados

Segundo a polícia, Assis sabia que estava sendo investigado e quase não falava ao telefone, mesmo tendo 7 linhas

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Porto Velho – Francisco de Assis Moreira de Oliveira, cunhado e homem de confiança do governador Confúcio Moura, utilizava de diversos artifícios para tentar evitar ser “grampeado”. Cauteloso, falava pouco ao telefone, na maioria das vezes preferindo se deslocar mesmo a grandes distâncias. Normalmente reunia-se em restaurantes, hotéis ou nas casas dos empresários. Ele suspeitava que era investigado, mas não tinha certeza. Entre as manobras utilizadas pelo cunhado de Confúcio, estava a utilização de telefones com chips de outros estados. Em uma das interceptações telefônicas, gravadas com autorização da justiça, ele liga para o Coordenador Geral de Apoio a Governadoria, Florisvaldo Alves (Valdo Alves) de um número de Brasília, convidando-o para tomar chopp em sua casa. Ele então liga para uma mulher chamada Mari (Izanete Ferreira de C dos Anjos – também investigada), que também estava em Porto Velho e também possuía um telefone com prefixo da capital federal. Eles marcam de se encontrar na casa de Assis. Ambos possuem números de telefone de Porto Velho, e preferiam usar os prefixos de Brasília. “Assis se mostra excessivamente cauteloso, observando sempre a movimentação a seu redor, corroborando os indícios de que suspeita estar sendo investigado. Não obstante, o cunhado do governador permanece em contato com empresários e com agentes públicos do Estado de Rondônia, além de exercer considerável influência sobre servidores”, relatou a autoridade policial no inquérito.

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Outro que também apresentava comportamento idêntico, e sendo até mais cauteloso ainda que Assis, era Wagner Luis, conhecido como “Wagner Bocão”. Ele poucas vezes falava ao telefone, e quando o fazia, era apenas para marcar encontros. Essas atitudes, segundo a polícia, dificultou as investigações e foi assim relatado no inquérito, “a escassa utilização que faz do terminal telefônico, bem como a alternância que aparenta estar promovendo entre os números de diferentes localidades, dificulta ainda mais a investigação”.

Assis também utilizava aparelhos da Nextel, que operam como rádios, porém também são passíveis de interceptações por parte da polícia. Assis estava utilizando sete números de telefone, quatro de Rondônia (prefixo 69), dois de Brasília (61) e um de Goiânia (62), e todos estavam monitorados.

Assis também utilizada e-mails criptografados para tentar despistar as autoridades policiais. E foi exatamente por usar uma conta no provedor Google, que atrasou os trabalhos da polícia. Ao ser notificado sobre a necessidade de espelhar (enviar cópias para as autoridades) os e-mails de Assis, a ministra foi informada que os servidores do Google encontram-se nos Estados Unidos, portanto, não sujeitos a legislação brasileira. Porém, o mesmo Google avisou que existe um acordo bilateral entre Brasil e EUA, que em casos de investigações por crime organizado, existe cooperação. Assis trocava e-mails com empresários de vários estados, e eles eram criptografados.

Francisco de Assis também agendava reuniões entre empresários com o governador Confúcio Moura, tanto em Rondônia quanto outros estados. As reuniões estavam sendo monitoradas e as empresas que participavam desses encontros, sempre conseguiam vencer licitações no Estado ou entravam através de “caronas” em atas de registros de preços em outros estados. A justiça determinou a apreensão de diversos processos licitatórios, assim como a oitiva de Márcio Gabriel, superintendente de licitações e advogados especialistas em certames em Rondônia.

Francisco de Assis está preso temporariamente, assim como Wagner Luiz.

Grampos revelam que Confúcio sabia do apartamento de Mangabeira

O governador cobrou de seu cunhado o pagamento do aluguel do imóvel locado por três anos e usado por três meses

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Porto Velho – As investigações da Operação Platéias, deflagrada pelo Ministério Público de Rondônia e Polícia Federal na última quinta-feira, 20, comprovou que o governador Confúcio Moura tinha plena concsciência, e administrava, a  locação de um apartamento de luxo que ficava à disposição de Mangabeira Unger. O imóvel pertencia a Alberto Siqueira, também conhecido como “Beto Baba”, preso na Operação Apocalipse, executada pela Polícia Civil de Rondônia em 2013. Na ocasião, por diversas vezes, Confúcio negou ter conhecimento da situação, afirmando inclusive “não ter como gerenciar coisas tão pequenas”. Em conversa gravada com autorização da ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça, entre Confúcio Moura e seu cunhado, Francisco de Assis Moreira de Oliveira, o governador, visivelmente preocupado em falar sobre o assunto ao telefone, cobra a quitação do apartamento usado por Mangabeira Unger. Veja abaixo:

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Logo que assumiu o governo, Confúcio Moura trouxe o professor Mangabeira Unger para dar consultoria ao governo e proferir palestras a empresários de Rondônia. O consultor vinha a cada três ou quatro meses a Rondônia e ficava cerca de três a quatro dias. Sem realizar nenhum processo licitatório, o governo resolveu simplesmente que deveria locar um apartamento para que Mangabeira ficasse “mais confortável”. O imóvel escolhido foi um apartamento no Condomínio  Leonardo da Vinci, situado na Avenida Amazonas, proximidade do Restaurante Miyoshi. Técnicos do Tribunal de Contas estiveram no imóvel e constataram que outras pessoas o estavam utilizando, inclusive para reuniões e como “garçoniere”.

O caso veio a público “sem querer” com as investigações da própria Polícia Civil de Rondônia, e na época, causou um enorme constrangimento ao governador. Desde então, Mangabeira Unger não voltou mais à Rondônia. O Ministério Público instaurou procedimento apuratório e o governador pode responder por crime de improbidade admnistrativa.

 

Coluna – E Batista, pelo jeito, era o mais honesto

Confira a lista de secretários e ex-secretários que foram depor na PF sobre o maior escândalo de propinas da história de Rondônia

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Discrição

A Operação Platéias iniciou de forma discreta. Ao passar pela residencia oficial, nem dava para perceber a movimentação. Por um bom tempo achei que a informação era “furada”, que não estava acontecendo nada, mas estava. Logo veio a confirmação, a Polícia Federal estava na residência oficial, a casa do governador do Estado de Rondônia, a autoridade máxima do Executivo estadual, sofria uma devassa por agentes da Polícia Federal que apreenderam documentos e levaram, à força, o governador para prestar esclarecimentos sobre uma série de crimes, que já haviam sido revelados pela imprensa.

Eu havia escrito

No dia seguinte após a eleição deste ano, que só voltaria a citar o nome de Confúcio Moura quando a casa dele caísse, disse ainda que não iria demorar. E não demorou. Na verdade ele sequer foi diplomado ainda e deve explicações, e muitas, para a população de Rondônia. Não apenas ele, mas toda a “organização criminosa”, segundo o Ministério Público, que se instalou no poder executivo estadual. Confúcio não foi à polícia “por livre e espontânea vontade”, como dizem alguns cupinchas do governo, ele foi “sob vara”, ou seja, ou ia ou ia.

Amnésia

No momento em que a polícia chegou na residência oficial, Confúcio voltava de sua caminhada matinal. Ao ser abordado declarou, “isso nunca aconteceu antes”. Na verdade aconteceu sim, em 2011, quando os agentes da PF bateram em sua porta e levaram preso seu afilhado, Rômulo Lopes, que também fez delação premiada. Acho que faltou o “lembrador” para informar o governador.

Parêntese

A residência oficial não é meramente uma “caso do governador”. É um símbolo de Estado, o que aconteceu nesta quinta-feira foi a União intervindo diretamente no Estado de Rondônia, revirando tudo. É essa simbologia que precisa ser compreendida.

Outro

Que também vai dar explicações à Polícia Federal é Expedito Júnior, que detinha um dos mais altos contratos do governo, que foi cancelado no final do ano passado sem grandes explicações. Ele, assim como uma centena de fornecedores do Estado, terão que mostrar como funcionava o esquema de extorsão por parte do governo em relação as empresas que detinham contratos. Expedito sempre declarou que “nunca deu um centavo” de propina. Nos próximos dias saberemos os detalhes desse depoimento.

Essa operação

É um desdobramento da Operação Termópilas, deflagrada em 2011. As investigações foram conduzidas pelo Ministério Público do Estado, que mais uma vez dá um show de competência em operações de grande porte. Para se ter uma idéia, foram emitidos 193 mandados judiciais, sendo 163 pessoas conduzidas coercitivamente, 26 buscas e 4 prisões temporárias. Os mandados são cumpridos em nove estados: Rondônia, Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, além do Distrito Federal. Uma das conduções coercitivas ocorre na Espanha. Em Goiás, um dos conduzidos é primo do governador daquele estado. Trata-se de Marcelo Reis Perillo, ele é sócio numa indústria farmacêutica envolvida no esquema de desvio de dinheiro que teria alimentado campanhas políticas do PMDB em Rondônia.

Falando em campanhas

O dinheiro desviado pela “quadrilha da cooperação” chega a R$ 57 milhões, e parte desse recurso foi usado em campanhas municipais em 2012. A Polícia investiga se nas eleições desse ano o esquema de propinas estava operando.

Onda amarela

Essa operação deve complicar, e muito o futuro político de Confúcio Moura. Além de responder criminalmente (entenda, o STJ não expede mandados contra governadores se as acusações não forem robustas), ele também está enrolado na justiça eleitoral, por abuso de poder econômico e político. Na atual condição, esse pode ser o último mandato político de Confúcio, já que, caso venha a ter condenação, e certamente terá, não será mais candidato, enquadrado na lei do ficha limpa. E não, se acontecer dele ser afastado ou preso, Expedito não assume.

Empresas

Vale lembrar que na Operação Termópilas, empresários que eram extorquidos chegaram a ser presos e estão respondendo por crime de corrupção. Os responsáveis devem responder por fraude a licitação, concussão (exigir pagamento de vantagem indevida), corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha.

Aqui não

O senador Valdir Rapp, que já anda muito preocupado com o depoimento de Fernando Baiano, apontado pela PF como operador do PMDB em um espantoso propinoduto envolvendo a Petrobras, tratou de emitir rapidamente uma nota negando que Wagner Luiz, o “Wagner Bocão”, preso em Brasília, fizesse parte de sua assessoria. Raupp disse que “Wagner nunca nem visitou seu gabinete, nem como assessor ou prestador de serviços”. O mesmo ele não pode dizer de Francisco de Assis, cunhado de Confúcio, que era lotado em seu gabinete no passado recente.

Mesmo assim

A imprensa nacional tem dado mais destaque no fato de Confúcio ser aliado de Raupp e ser peemedebista. Por essa o senador não esperava.

Pelo jeito

O mais honesto nessa história toda era José Batista, que ajudou todo mundo e ainda foi enganado quando achou que ia ganhar alguma coisa, lhe tomaram o contrato.

Buscas e conduções coercitivas

Praticamente todos os que aparecem no depoimento de Batista estiveram depondo na Polícia Federal na última quinta-feira. Abaixo a listagem dos que ocupam cargos públicos em Rondônia e algunes empresários apontados por Batista. Todos foram encaminhados à Polícia Federal na mesma condição de Confúcio, ou seja, eles foram arrastados e obrigados a permanecer na delegacia até serem ouvidos ou dispensados.

Confúcio Aires Moura

Francisco de Assis Moreira de Oliveira (PRESO TEMPORÁRIO – 5 DIAS)

Alexandre Árabe Martins de Oliveira (PRESO TEMPORÁRIO – 5 DIAS)

Gilvan Ramos de Almeida (PRESO TEMPORÁRIO – 5 DIAS)

Winston George Saíta (Empresa de alimentação – pivô da confusão)

José Paulo do Nascimento Neto (vulgo Paulo da Condor)

Irineu Gonçalves Ferreira (Irmão de Expedito, dono da Rocha)

Expedito Gonçalves Ferreira Júnior (sócio da Rocha)

Wagner Luis de Souza (PRESO TEMPORÁRIO – 5 DIAS)

5º Batalhão Engenharia e Construção (5º BEC) – Busca e apreensão do processo n. 0079/2010 (pregão presencial 44/2010 CPL)

CAERD – Busca e apreensão do processo n 0786-9-CAERD

CGAC/SEGESP  – Apreensão dos processos 01.1109.00129-00-2012 e 01.1109.00042-00-2013

FHEMERON – Processo 01.1732.00068-00/2011

SEAGRI – Processo 01.2401.00733-00/2011

SEAS – 01.2301.00121-00/2011

SEDAM – Processo 01.1801.00146-00/2011

SEDUC – Processos 01.1601.00255-00-2010 – 01.1601.01929-00-2011

SEJUS – 01.2101.00231-01-2010 – 01.2101.01172-00-2008 – 01.2101.00531-00-2011 – 01.2101.00472-00/2011 – 01.2101.00032-00-2010 – 01.2101.00010 -00-2012

SESAU – FORAM APREENDIDOS 22 PROCESSOS

SUPEL – 01.1421.00244-00-2012

 

CONDUÇÃO COERCITIVA

 

Antônio Martins dos Santos (BRASÍLIA)

Braim Ali Abdul Rahim (SANTOS-SP)

Carlos Alberto Zafred Marcelino (SANTANA DE PARNAÍBA-SP)

Eleazar Queiroz de Mendonça (BRASÍLIA)

Elisângela Joergensen (JATAÍ-GO)

Givanilton Silva de Souza (MANAUS – AM)

Glaucione Maria Rodrigues (CACOAL-RO)

Godofredo Gonçalves Filho (SOBRINHO DE CONFÚCIO MOURA – BRASÍLIA)

Jellel Mohamad Assaf (PRAIA GRANDE-SP)

Marcelo Reis Perillo (GOIÂNIA – GO)

Marcelo Ribeiro de Almeida (SÃO PAULO – SP)

Maria Aparecida Conde (NITERÓI – RJ)

Maria Vendete Aires Moura (IRMÃ DE CONFÚCIO MOURA – BRASÍLIA)

Mariana Braga Aitken (CORREDOR DA VITÓRIA – BAHIA)

Moisés de Oliveira Neto (GOIANIA – GO)

Roberto Alves Moura (RIO BRANCO – AC)

Sandra Honório de Oliveira de Souza (GOIANIA – GO)

Terezinha Caetano de Freiras (GOIANIA – GO)

Vanderley Maia Menezes (MANAUS – AM)

Zanone Alves de Carvalho Júnior (GOIANIA – GO)

Abelardo Townes Castro Neto (ex-sec. de Obras PORTO VELHO)

Alexandre Carlos Macedo Muller (ex-sec. de Saúde ORTO VELHO)

Carla Mangabeira (ex-diretora financeira SESAU – PORTO VELHO)

Celso Augusto Mariano (BRASÍLIA)

Cristiano Teixeira dos Santos (BRASÍLIA)

Florisvaldo Alves da Silva (Secretário SUGESEP PORTO VELHO)

Gilvan Cordeiro Ferro (PORTO VELHO)

Gilvan Ramos de Almeida (PORTO VELHO)

Josefa Lourdes Ramos (PORTO VELHO)

Júlio Olívar Benedito (PORTO VELHO)

Márcio Rogério Gabriel (PORTO VELHO)

Maurício Marcondes Gualberto (PORTO VELHO)

Milton Luiz Moreira (PORTO VELHO)

Míriam Spreáfico (PORTO VELHO)

Anselmo de Jesus Abreu (JI-PARANÁ)

Sérgio Silveira (RIO DE JANEIRO)

Suely Alves Aragão (ENDEREÇO A CONFIRMAR)

Williames Pimentel de Oliveira (PORTO VELHO)

Zaqueu Vieira Ramos (PORTO VELHO)