Extrato de coca pode substituir açúcar na produção de chocolate

A pesquisa foi apresentada recentemente no London Chocolate Forum, onde se reuniram importantes fabricantes e provedores da indústria do cacau.

O chocolate, paixão de multidões, poderia ser produzido com o extrato da folha de coca ao invés de açúcar, tornando-o mais saudável e com menos calorias, segundo estudo realizado por um pesquisador americano e divulgado no Peru.

De acordo com o estudo, “o extrato da folha de coca tem propriedades que permitem diminuir o amargor natural do cacau sem a necessidade de acrescentar açúcar ou adoçantes artificiais, o que poderia gerar uma revolução em uma indústria que atualmente tem um valor de 100 bilhões de dólares”, informou em nota na sua página da Internet a estatal Empresa Nacional da Coca (Enaco) do Peru.

Segundo Gregory Aharonian, pesquisador e gerente-geral da empresa americana KukaXoco, o extrato de coca utilizado para a mistura do cacau está livre de alcaloides presentes naturalmente na folha e, por isso, seu uso seria legal e seguro para a saúde.

As barras de chocolate, cacau em pó e creme de cacau podem chegar a ter até 80% de açúcar e gordura, fazendo com que seu consumo regular traga sérias consequências para a saúde, comentou o empresário.

“A folha de coca, fornecida pelo Estado peruano através da Enaco e adquirida pelos canais legais, pode ser a solução definitiva para os amantes de chocolate que desejam não só comer algo delicioso como cuidar de sua saúde ao mesmo tempo”, assegurou Aharonian. Ele também detalhou que o processo não adoça, mas remove o amargor do produto.

“Esta descoberta dá novamente valor a uma planta que vem sendo usada em países andinos da América do Sul há milhares de anos, devido os seus benefícios para a saúde, mas que atualmente se encontra estigmatizada por conta de seu uso como matéria-prima para a fabricação de cocaína”, considerou Rafael Cánovas, gerente-geral da Enaco.

O Peru é o segundo maior produtor mundial de folha de coca, segundo a ONU. A “folha de coca não é igual à cocaína, da mesma forma que falar de batata não é falar de vodca. Em ambos os casos um produto natural dá lugar a um produto derivado que pode ter um uso bom ou ruim dependendo das pessoas”, acrescentou. A Enaco é a única organização autorizada a comercializar legalmente a folha de coca no Peru.

Atualmente, desta folha milenar utilizada pelos Incas fazem-se mate, extratos concentrados, farinha e insumos para os setores de farmácia, cosméticos e de refrescos.

TSE, CNJ e Executivo fazem acordo para compartilhar dados de cidadãos

TSE, CNJ e Executivo fazem acordo para compartilhar dados de cidadãos

A Justiça Eleitoral e o Executivo Federal vão compartilhar informações para reduzir a burocracia no serviço público e tentar diminuir o risco de fraudes na concessão de benefícios. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, a presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministra Cármen Lúcia, e a Casa Civil da Presidência da República assinaram nesta terça-feira (11/10) um acordo de cooperação técnica com esse objetivo.

Segundo o acordo, a União fornecerá ao TSE acesso a bases de dados mantidas pela Administração Publica Federal direta e indireta. Já o TSE fornecerá informações relativas às bases de dados cadastrais registradas na Justiça Eleitoral, inclusive sobre comprovação de quitação eleitoral.

Na opinião do presidente do TSE, a parceria permitirá o uso funcional dos recursos públicos, a simplificação do atendimento ao cidadão, e menos fraudes com a troca de informações dos cadastros do Bolsa-Família, INSS e do Sistema Único de Saúde. “Combinar informações entre as bases de dados da Administração Pública Federal com o TSE é o início de um caminho para a concretização de profundas e urgentes mudanças no gasto da coisa pública”, disse.

Com a obtenção dos dados a serem compartilhados com a Justiça Eleitoral, que já possui um cadastro biométrico de mais de 40 milhões de eleitores, a ministra Cármen disse que o CNJ poderá saber, por exemplo, quantos presos existem no Brasil, a situação de cada um e onde está cada um, bem como saber onde estão as pessoas em situação de vulnerabilidade. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

Luizinho se reúne com prefeito e vereadores eleitos de São Miguel

Luizinho se reúne com prefeito e vereadores eleitos de São Miguel

Parlamentar coloca o gabinete à disposição das lideranças do município

O deputado Luizinho Goebel (PV) recebeu em audiência nesta terça-feira (11), na Assembleia Legislativa, o prefeito eleito de São Miguel do Guaporé, Cornélio Duarte (DEM), que veio acompanhado de outras lideranças. Durante a reunião, foi acordada parceria de gestão parlamentar, visando apoiar as ações da prefeitura.

De acordo com o deputado Luizinho Goebel, inicialmente ele apoiará o trabalho de urbanização da cidade, disponibilizando uma minicarregadeira e posteriormente uma caçamba e um trator, para serem colocados principalmente a serviço da limpeza urbana da cidade.

O encontro na ALE, contou com as participações do prefeito eleito Cornélio Duarte; vice-prefeito eleito Jair da Agropecuária (PSD); e dos vereadores eleitos Liomar da 11 (PP), Leo Rodrigues (PRB), Leandro Santana (PTN) e Alexandre Carazai (PSD).

O deputado Goebel disse conhecer o trabalho de Cornélio Duarte, que já foi vice-prefeito anteriormente, e segundo ele, seu gabinete encontra-se completamente à disposição de São Miguel do Guaporé.

Meninos serão incluídos na campanha de vacinação contra HPV

Até então, apenas meninas de nove a 13 anos recebiam o imunizante, que protege contra infecção que pode evoluir para vários tipos de cânceres

A partir de 2017, o Ministério da Saúde vai incluir os meninos em sua campanha de vacinação contra o HPV, vírus que causa uma infecção que pode progredir para câncer, principalmente o de colo do útero, mas também o de pênis, garganta e ânus. O Brasil será o primeiro da América Latina a fazer isso.

De acordo com anúncio feito nesta terça-feira (11) pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, a vacina contra o HPV, vai estar disponível para os meninos de 12 a 13 anos. Até 2020, a faixa etária deverá ser ampliada para nove até 13 anos. A expectativa é de imunizar mais de 3,6 milhões de adolescentes no ano que vem, além de 99,5 mil crianças e jovens de nove a 26 anos vivendo com HIV/aids, que também passarão a receber as doses, e meninas de 14 anos.

A inclusão dos outros grupos foi feita após a pasta reduzir de três para duas as doses no esquema vacinal das meninas. Ao todo, são seis milhões de doses, ao custo de R$ 288,4 milhões adquiridas para o próximo ano. “A ampliação do acesso à vacinação, que é uma ação da atenção básica, pode impactar na alta complexidade, com a redução dos casos de câncer. Além disso, essa estratégia vem ao encontro da decisão de tornar a gestão mais eficiente e fazer mais com os mesmos recursos”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Adeilson Cavalcante.

Os meninos também receberão duas doses da vacina, com um intervalo de seis meses entre cada uma. Já aqueles que possuem o vírus HIV precisam de três doses, com um intervalo de dois e seis meses.

Meningite C

O governo anunciou também uma ampliação da vacina contra meningite C para os adolescentes de ambos os sexo, e não apenas para crianças de trêsm cinco e doze meses de vida. Foram adquiridas 15 milhões de doses, a um custo de R$ 656,5 milhões. Até 2020, a vacinação será ampliada gradativamente para meninos e meninas de nove a 13 anos.

A meta do Ministério da Saúde é vacinar 80% do público alvo, formado por 7,2 milhões de adolescentes. A medida seria suficiente para proteger não apenas as pessoas vacinadas, mas também aquelas que não receberam o imunizante, já que a circulação do vírus poderá se tornar menor.

“É muito importante que os pais tenham a consciência de que a vacinação começa na infância, mas deve continuada na adolescência. Pais e responsáveis devem ter, com os adolescentes, a mesma preocupação que têm com as crianças”, disse a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, Carla Domingues. A Campanha Nacional de Vacinação de 2016 já foi voltada para o público com mais de dez anos.

Lula ataca MPF e compara força-tarefa da Lava Jato a vídeo do Porta dos Fundos

Advogados de Lula pedem a Moro prorrogação de prazo para defesaAdvogados de Lula pedem a Moro prorrogação de prazo para defesa

Equipe do ex-presidente publicou artigo nesta terça-feira (11) relacionando desistência de acordo com executivo da Odebrecht a esquete em que um investigador só se interessa por informações que comprometam o petista

A equipe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o site oficial do petista para atacar os investigadores que atuam na força-tarefa da Operação Lava Jato. O artigo publicado nesta terça-feira (11) compara as negociações de acordos de delação premiada a um esquete do canal humorístico Porta dos Fundos. No vídeo, intitulado “Delação”, o investigador interpretado por Gregório Duvivier ignora informações que comprometam integrantes do PSDB e conduz o interrogatório buscando acusações contra Lula e Dilma Rousseff.

“A pressão de investigadores para tentar incriminar o ex-presidente Lula e a parcialidade da Operação Lava Jato são tamanhas que até inspiraram um vídeo de humor do grupo Porta dos Fundos”, escreveu a assessoria de Lula.

O texto foi publicado em resposta a uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal “Folha de S.Paulo”, na qual investigadores ouvidos pela reportagem do periódico garantem que a proposta de acordo de delação do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar foi negada pelos procuradores da Lava Jato e da Procuradoria-Geral da República.

Segundo a reportagem, os investigadores consideraram que as informações prestadas por Alencar, que seria um dos funcionários da empreiteira mais próximos a Lula, estavam incompletas. A força-tarefa da Lava Jato também avaliou que o ex-diretor da Odebrecht poderia estar tentando acobertar o ex-presidente.

Lula, por meio do artigo publicado em seu site, alegou que os procuradores estariam “pressionando” Alencar a incriminá-lo. “O fato de Alexandrino não ter imputado nenhuma ilegalidade a Lula fez com que os procuradores não aceitassem a sua delação”, diz o artigo.

A equipe do ex-presidente escreve, ainda, que o Ministério Público Federal estaria travando uma “verdadeira guerra jurídica” contra Lula. “Essa não é, inclusive a primeira vez em que procuradores são acusados de pressionar pessoas a trocarem benefícios penais por depoimentos que incriminem o ex-presidente. Essa prática é apenas mais uma dentro da verdadeira guerra jurídica promovida por integrantes do Ministério Público contra o ex-presidente.”

O vídeo “Delação”, do Porta dos Fundos, foi publicado em abril e motivou uma série de ataques contra integrantes do canal, acusados por internautas de defenderem o Partido dos Trabalhadores “em troca” de recursos da Lei Rouanet. A reação negativa motivou, na semana seguinte, a publicação de um novo vídeo do Porta dos Fundos (“Reunião de Emergência 3, A Delação 2”) satirizando as críticas recebidas.

 

Beltrame anuncia saída após quase dez anos na Secretaria de Segurança do Rio

Beltrame anuncia saída após quase dez anos na Secretaria de Segurança do Rio

Responsável pela implantação das UPPs, José Mariano Beltrame pediu exoneração após 9 anos e nove meses e deve deixar cargo até o fim do mês

O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, deixará o posto depois de nove anos e nove meses no cargo. Ele enviou seu pedido de exoneração para o governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), e para o governador licenciado, Luiz Fernando Pezão (PMDB).
Publicidade

Beltrame deve deixar o cargo no final desse mês, logo depois do segundo turno das eleições municipais do dia 30 de outubro, que no estado do Rio acontecerá em oito municípios.

Delegado da Polícia Federal, Beltrame assumiu a Secretaria de Segurança em janeiro de 2007, no início do governo de Sérgio Cabral, e se tornou conhecido pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) na cidade do Rio. Ele é o secretário de Segurança a permanecer mais tempo no cargo.

A atuação de Beltrame foi muito questionada ao longo dos últimos anos, especialmente devido a ocorrências de violência policial. Somente no ano passado, o noticiário nacional foi tomado por uma série de chacinas promovidas por policiais cariocas, como a execução de cinco jovens da comunidade de Costa Barros. Ainda em 2015, alguns PMs chegaram inclusive a disparar contra inocentes ao confundirem com armas um macaco hidráulico e um skate. Cinco policiais também foram flagrados em 2015 colocando um revólver na mão de um jovem morto no Morro da Providência, na zona norte da capital fluminense.

Outra medida que marcou a atuação recente de Beltrame na Segurança do Rio foi a Operação Verão, operação especial para coibir a ocorrência de arrastões em praias da zona sul. A operação também foi muito criticada por alas da sociedade porque a polícia era acusada de discriminar jovens negros e pobres, uma vez que passageiros de ônibus que vinham da periferia eram abordados sistematicamente ao se dirigirem às praias de bairros ricos da cidade.

O anúncio da saída de Beltrame se dá um dia após um intenso tiroteio na comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, que se estendeu desde a manhã até o final da tarde da segunda-feira (10).

Pelo Twitter, Beltrame comentou o ocorrido na zona sul da cidade. “As imagens produzidas ontem são péssimas para a cidade, mas a polícia não pode se omitir e, mais uma vez, cumpriu seu papel.

O comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local, capitão Vinicius Apolinário de Oliveira, foi ferido por estilhaços durante o confronto. Ele foi levado para o hospital da Polícia Militar e depois liberado. Dois militares do Batalhão de Choque também ficaram feridos.

O subcomandante do Batalhão de Choque, major Vinícius Carvalho, disse que o confronto começou quando traficantes atacaram a base da UPP, mas não soube dizer o motivo que levou os criminosos a fazerem isso.

“A operação contou com 120 policiais e teve início porque os criminosos atacaram a base da UPP Pavão. Neste primeiro confronto, um marginal foi baleado, ele estava com um [fuzil] AK47. E um segundo foi baleado, com uma pistola. Na parte da tarde, vários criminosos ficaram encurralados na parte da mata, quando houve uma negociação e eles se renderam”, relatou o major.

Na manhã desta terça-feira, muitos comerciantes fecharam as portas na rua que dá acesso à comunidade e o policiamento segue reforçado na região onde ocorreram os tiroteios. Segundo a Secretaria de Educação, todas as escolas da rede estadual que ficam na área do Pavão/ Pavãozinho estão funcionando normalmente.

Brasil poderá emprestar até US$ 10 bilhões ao FMI

O acordo bilaterial tem prazo final em dezembro de 2019, podendo ser prorrogado até 2020, se houver consentimento dos países

O Brasil poderá pela primeira vez fazer empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) por meio de acordo bilateral. Na última semana, na reunião do FMI em Washington, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, assinou o acordo bilateral e poderá emprestar até US$ 10 bilhões, se for necessário.

O total desta nova rodada de acordos bilaterais, que conta com a adesão de 26 países, é de USD 360 bilhões, informou o BC. O Brasil ainda não tinha participado desse tipo de acordo.

Entretanto, não é a primeira vez que o Brasil contribui com recursos de empréstimo para o FMI. O Brasil é credor do FMI desde 2009. Atualmente, o Brasil participa de um acordo semelhante aos acordos bilaterais, chamado de New Arrangements to Borrow (NAB), uma espécie de arranjo multilateral de empréstimo. Esse arranjo é composto atualmente por 40 membros e está vigente desde 2011.

O acordo bilaterial tem prazo final em dezembro de 2019, podendo ser prorrogado até 2020, se houver consentimento dos países. O último recurso que o FMI usa vem dos acordos bilaterais, caso haja necessidade. Segundo o BC, até hoje o FMI não utilizou nenhum recurso de acordos bilaterais. O recurso principal do FMI são as quotas. Depois delas, o FMI usa os recursos do NAB.

O BC explicou que, caso o FMI precise dos recursos previstos no acordo, o dinheiro não sairá das reservas internacionais. “As operações financeiras com o FMI não implicam diminuição das reservas internacionais.

As operações com o FMI representam simplesmente uma mudança na composição de nossas reservas, uma vez que a operacionalização do acordo bilateral com o fundo se dá por meio da compra de ativos do organismo internacional. Tais ativos são remunerados à taxa DES (taxa calculada com base em instrumentos financeiros dos cinco países-membros participantes da cesta DES – EUA, Japão, Reino Unido, Área do Euro e, agora, China). Ou seja, mesmo no caso em que os acordos bilaterais recém assinados sejam porventura utilizados pelo FMI, não há qualquer redução no montante de reservas internacionais”, informou. Com informações da Agência Brasil.

Preso da Lava Jato tem celular, vinho branco e comida especial

Preso da Lava Jato tem celular, vinho branco e comida especial

“Aqui ele tem acesso a aparelho celular, a visitas exclusivas de agentes públicos, bebe vinho branco, come comida especial (…)”, denuncia preso

Preso da Lava Jato, o ex-diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletronuclear Persio Jordani, foi denunciado por detento por ter subornado agentes para ter regalias como alimentação especial, vinho branco, celulares e visitas exclusivas.

Jordani está preso desde o dia 6 de julho no Presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro. Ele foi acusado na Operação Pripyat, um desdobramento da Lava-Jato, de receber propina da Andrade Gutierrez para facilitar a vida da empreiteira nas obras de Angra 3.

De acordo com O Globo, a denúncia foi feita por um detento via carta enviada ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pelo processo.

(…) Aqui ele tem acesso a aparelho celular, a visitas exclusivas de agentes públicos, bebe vinho branco, come comida especial (…)

OAB questiona lei que elevou valores de custas judiciais em Rondônia

OAB questiona lei que elevou valores de custas judiciais em Rondônia

Na ADI, a entidade argumenta que as custas judiciais ou “custas dos serviços forenses” (como intitula a lei impugnada) possuem natureza jurídica de taxa de serviço

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5594), com pedido de liminar, por meio da qual questiona a lei estadual de Rondônia que elevou a cobrança de custas dos serviços forenses no âmbito do Poder Judiciário estadual (Lei nº 3.896/2016). Segundo a OAB, a norma está em confronto com preceitos da Constituição Federal, mais especificamente os que tratam do princípio da isonomia, do direito fundamental de acesso à Justiça, da ampla defesa e daqueles que proíbem utilização da taxa para fins meramente fiscais e a utilização de tributo com efeito de confisco.

Na ADI, a entidade argumenta que as custas judiciais ou “custas dos serviços forenses” (como intitula a lei impugnada) possuem natureza jurídica de taxa de serviço, sendo necessário que o estado, retributivamente, preste aos jurisdicionados serviço de distribuidor, contadoria, partidor, de hastas públicas, da secretaria dos tribunais, bem como as despesas com registros, intimações, publicações na imprensa oficial etc. Ressalta que as custas judiciais não podem ser utilizadas para remunerar servidores ou magistrados, custo que é suportado pela divisão orçamentária da parcela que cabe, com autonomia e independência, ao Poder Judiciário.

“A Lei estadual nº 3896/2016 traz nova roupagem legislativa ao sistema de cobrança de custas dos serviços forenses no Estado de Rondônia. Majora o ‘percentual ao valor da causa’ como critério identificador a ser observado pelos jurisdicionados e fixa limites máximos extremamente elevados e absolutamente desproporcionais, tendo por finalidade precípua aumentar consideravelmente a arrecadação de forma desvinculada ao custo da prestação do serviço”, argumenta a OAB.

A lei prevê recolhimento de custas para acesso à Justiça no importe de 2% do valor da causa para ajuizamento de ação no 1° grau de jurisdição e de 3% para preparo de recursos ao TJ-RO e o ajuizamento de ações originárias no 2° grau. A norma elevou ainda a cobrança de serviços internos como autenticação de documento (R$ 6,00 por ato), desarquivamento de processos físicos (R$100,00) e fornecimento de fotocópias pelas serventias judiciárias (R$ 1,00 por cópia).

“O conjunto de alterações normativas encarecem e inviabilizam o acesso à jurisdição e revelam-se manifestamente excessivo e desproporcional (restringindo significativamente o direito fundamental ao acesso à Justiça)”, argumenta a OAB. A entidade pede liminar para suspender os efeitos da lei até o julgamento do mérito da ADI, quando espera que o Supremo declare a inconstitucionalidade da norma. A ação foi distribuída à ministra Rosa Weber.

Advogado preso chegava a peticionar usando wifi da cadeia em Rondônia

MP moveu ação de improbidade contra ex-diretor de presídio de São Francisco, por regalias a advogado preso

O Ministério Público de Rondônia, por meio da Promotoria de Justiça de São Francisco do Guaporé, ajuizou ação de improbidade administrativa contra o ex-diretor do presídio do Município, por ele ter concedido regalias a um advogado durante o tempo em que o profissional esteve preso civilmente. Na prisão, o advogado teve acesso a notebook e senha de Wi-Fi, chegando a peticionar em processos eletrônicos e a acessar redes sociais.

A ação de improbidade administrativa foi ajuizada na última segunda-feira (10/11), como resultado da apuração do MP sobre o caso, que teve início a partir de comunicado do Judiciário. À época dos fatos, ao perceber que os pedidos do advogado estavam sendo formulados de dentro da cadeia, o Juiz da Comarca imediatamente informou o Ministério Público que, por sua vez, instaurou um procedimento para a adoção de medidas corretivas.

Além da propositura da ação de improbidade administrativa, o Promotor de Justiça Samuel Sales Fonteles requisitou a instauração de inquérito policial pela prática do crime de prevaricação imprópria ou especial, tipificado no artigo 319-A do Código Penal (“Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo).

Nas palavras do Promotor de Justiça, “ao franquear o acesso à rede mundial de computadores, o ex-Diretor do Presídio não agiu de maneira impessoal”.