Teste feito por equipe da Unicamp revelou falhas de segurança nas urnas eletrônica

O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Diego de Freitas Aranha coordenou uma equipe de profissionais num teste de segurança promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2017. A missão deles, mostrar possíveis falhas no sistema de votação eletrônica adotado no Brasil, foi concluída com êxito.

O especialista foi um dos convidados da audiência pública realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, nesta terça-feira (6), sobre segurança do voto eletrônico e implementação do voto impresso nas eleições gerais de 2018.

– No último dia de testes tivemos progressos. Conseguimos, por exemplo, alterar mensagens de texto exibidas ao eleitor na urna para fazer propaganda a um certo candidato. Também fizemos progresso na direção de desviar voto de um candidato para outro, mas não tivemos tempo de testar esse tipo de ataque – explicou.

Segundo Diego, a equipe dele trabalhou em condições piores do que trabalhariam verdadeiros fraudadores, devido a restrições técnicas e de tempo impostas pelo tribunal, mas ainda assim foi possível explorar pontos vulneráveis para adulterar o software de votação e entrar no ambiente da urna eletrônica.

Segundo o professor da Unicamp, o resultado não foi surpresa, visto que todo software é potencialmente vulnerável. Por isso, é importante o registro físico para que a escolha do eleitor seja resguardada de outra forma.

– Esse é um entendimento da comunidade técnica internacional e segue a experiência de outros países. Não há país no mundo que tenha migrado para a votação eletrônica que não use o registro físico do voto como mecanismo de transparência. O registro físico é inegociável. É um instrumento básico de transparência – afirmou.

Professor lembrou que há cinco anos participou de testes semelhantes feitos pelo TSE. E na ocasião a equipe dele elaborou um ataque que quebrava o sigilo dos votos.

– Demonstramos que era possível recuperar os votos da urna em ordem, sabendo exatamente como votaram o primeiro, o segundo, o terceiro eleitores e assim sucessivamente – explicou.

Fonte: agenciasenado

Mulher envenena marido e mata 14 familiares por engano

Vítima de um casamento forçado, a paquistanesa pensava que apenas o homem tomaria do leite envenenado

Asiya Bibi, de 20 anos, foi detida por matar 14 pessoas em Muzaffargarh, centro-sul do Paquistão, com veneno de rato. A paquistanesa havia sido forçada a casar em setembro e pretendia matar o marido, Amjad Akram, de 25 anos. Com a ajuda do amante e da tia, ela envenenou uma garrafa de leite, pensando que apenas ele tomaria.

Amjad, porém, decidiu colocar o leite em uma jarra com lassi, bebida tradicional da região feita com iogurte, que foi consumido por 27 pessoas. Dessas, 14 pessoas morreram, incluindo o marido e uma criança de 7 anos.

Segundo Owais Ahmad, chefe da polícia local, os demais sobreviventes foram hospitalizados. A jovem admitiu o crime e foi presa juntamente com o suposto amante e a tia.

Fonte: metropoles

União Europeia e Hong Kong pedem explicações na Operação Carne Fraca

A operação investigou irregularidades cometidas em frigoríficos e corrupção no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento

A suspeita de que laboratórios particulares registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, fraudaram os resultados de análises laboratoriais de aves cuja carne era vendida para consumo humano no Brasil e no exterior, motivou a União Europeia e Hong Kong a pedir explicações às autoridades brasileiras.

As suspeitas de irregularidades vieram a público nesta segunda-feira (5/3), com a deflagração da terceira fase da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF). Segundo as investigações da PF e do próprio ministério, cinco laboratórios fraudavam os resultados dos exames laboratoriais, omitindo a presença da Salmonella spp, uma bactéria que pode causar intoxicações alimentares (gastroenterites) e outras complicações.

A União Europeia acionou o Ministério da Agricultura na segunda-feira (5) à noite, pedindo esclarecimentos a respeito da possível presença da bactéria na carne de aves exportada para o mercado europeu. Além disso, poucas horas após a deflagração da operação policial no Brasil, as autoridades de segurança alimentar europeias já haviam incluído no Sistema de Alerta Rápido para Alimentos (o chamado RASFF – Food and Feed Safety Alerts) um alerta sobre a possível presença da Salmonella em carne de frango congelado produzido no Brasil.

Segundo informações disponíveis no próprio site de acesso ao sistema, as notificações permitem o rápido compartilhamento de informações entre todos os países-membros do bloco, para que, quando necessário, o produto sob suspeita seja recolhido das prateleiras, minimizando os riscos à segurança alimentar e ao bem-estar dos consumidores europeus.

O Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong também informou em seu site que está investigando se os produtos sob suspeita foram importados e que estava contactando as autoridades brasileiras para obter mais informações sobre o ocorrido e só de posse das informações necessárias adotaria qualquer medida.

Procurada, a assessoria do Ministério da Agricultura confirmou apenas que a pasta já recebeu o pedido de informações da comunidade europeia. Em nota divulgada segunda-feira (5), o ministério lembrou que a operação era um desdobramento do trabalho iniciado antes de março de 2017, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Carne Fraca. E que, desde então, muitas mudanças foram adotadas para garantir as melhores condições higiênico-sanitárias dos produtos brasileiros.

Entre as medidas adotadas em função das suspeitas de alteração dos resultados de análises laboratoriais estão a suspensão de algumas unidades frigoríficas e a inclusão de outras no chamado Regime Especial de Fiscalização. Além disso, os laboratórios alvos da operação tiveram seu credenciamento junto ao Serviço de Inspeção Federal suspensos até pelo menos a conclusão das investigações, que poderão resultar no cancelamento definitivo do credenciamento.

Exportações
O Ministério da Agricultura também suspendeu nesta segunda (5) as exportações dos frigoríficos investigados na terceira fase da Operação Carne Fraca para 11 países e a União Europeia. Os países são África do Sul, Argélia, Coreia do Sul, Israel, Irã, Macedônia, Maurício, Tadjiquistão, Suíça, Ucrânia e Vietnã, que, a exemplo da União Europeia, exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp, que a pasta, apesar das medidas anunciadas, afirma ser “comum, principalmente em carne de aves, pois faz parte da flora intestinal desses animais”. De acordo com o Ministério da Agricultura, quando cozida ou frita, a carne não oferece risco.

Estão sendo investigadas quatro plantas industriais da BRF, uma das maiores empresas do setor de alimentos no mundo e dona das marcas Sadia, Perdigão e Qualy. Das unidades investigadas, duas são de frango – uma fica em Rio Verde (GO) e outra em Carambei (PR) – e uma de perus, localizada em Mineiros (GO). Além dessas, a PF também investiga uma fábrica de rações da empresa em Chapecó (SC).

Em nota, a BRF também alegou que nenhuma das frentes de investigação da Polícia Federal diz respeito a algo que possa causar dano à saúde pública. Em relação às acusações da ex-funcionária da empresa Adriana Marques Carvalho, que afirmou ter sido pressionada por superiores para alterar resultados de análises laboratoriais, a empresa se limitou a informar que a profissional foi desligada da empresa em julho de 2014 e ingressou com ação trabalhista contra a empresa.

“As acusações da ex-funcionária foram tomadas com seriedade pela companhia, e medidas técnicas e administrativas foram implementadas para aprimorar seus procedimentos internos”, diz a empresa.

Fonte: metropoles

Polícias Civil e Militar do RJ têm novos comandos

Delegado Rivaldo Barbosa assume o comando da Civil e coronel Luis Claudio Laviano, da Militar

Dezoito dias após a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro ser decretada pelo presidente Michel Temer (MDB), nesta terça-feira (6/3) foram anunciados os novos chefes das polícias Civil e Militar do estado do Rio. O delegado Rivaldo Barbosa, que era diretor da Divisão de Homicídios do Rio, vai ser o chefe da Polícia Civil, em substituição a Carlos Augusto Leba. A Polícia Militar será comandada pelo coronel Luis Claudio Laviano, que vai substituir o coronel Wolney Dias Ferreira.

Os nomes foram escolhidos pelo secretário estadual de Segurança, general Richard Nunes. A secretaria não informou quando os dois vão assumir as novas funções.

Barbosa ingressou em 2002 na Polícia Civil, onde chefiou a Coordenadoria de Informação e Inteligência Policiais (Cinpol), a Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (Polinter) e atualmente era o diretor da Divisão de Homicídios.

Na Secretaria de Segurança, o delegado já ocupou o cargo de titular da Subsecretaria de Inteligência. Barbosa também foi o responsável pelo desenvolvimento e execução do plano operacional de inteligência dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Entre diversos cursos e seminários, Rivaldo participou do Curso Superior de Inteligência Estratégica da Escola Superior de Guerra.

PM
O coronel Luis Claudio Laviano, de 49 anos, comandou o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), que reúne as 38 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Na Prefeitura do Rio, Laviano foi inspetor-geral da Guarda Municipal e subsecretário municipal de Ordem Pública.

Ele frequentou o Curso de Formação de Oficiais (CFO) de 1988 a 1991. Em 1998 integrou o Curso de Operações Especiais do Bope e no ano seguinte fez o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais. O novo comandante da PM possui ainda os cursos de Operações Especiais (COEsp), de Ações Táticas (CAT), Modo de Treinamento de Defesa Pessoal, Controle de Conflitos e Situações de Crise, Avançado de Negociações, Proteção e Segurança de Autoridades (CSPAUT) e Superior de Polícia Integrado (CSPI).

Segundo nota divulgada pela secretaria estadual de Segurança, Nunes determinou que cada um dos novos chefes “priorize a valorização profissional, forneça um diagnóstico para as condições necessárias de trabalho, incremente a integração entre as polícias e forças de segurança, além de fortalecer o Sistema Integrado de Metas”.

Antes do anúncio dos novos comandantes das polícias, o secretário de Segurança recebeu Leba e Ferreira, a quem agradeceu pelo empenho nas respectivas funções.

FAB intercepta aeronave que transportava mais de 500 quilos de drogas em MT

Aeronave era proveniente da Bolívia

Um aeronave proveniente da Bolívia foi interceptada por um A-29 Super Tucano da Força Aérea Brasileira (FAB), na tarde desta terça-feira (6), em uma área próxima ao município de Tangará da Serra (MT), que fica a 240 km a oeste de Cuiabá. Segundo comunicado oficial da FAB em sua conta no Twitter, a aeronave, que foi obrigada a pousar, não tinha plano de voo. Na inspeção em solo, foi encontrada cerca de meia tonelada de drogas.
A ação faz parte da Operação Ostium, um trabalho conjunto da FAB com a Polícia Federal de monitoramento do espaço aéreo brasileiro na região de fronteira. O objetivo é coibir voos irregulares que possam estar ligados a crimes como o narcotráfico.
Na primeira fase da operação, que começou no ano passado, foram realizadas em média quatro interceptações de aeronaves irregulares por dia.
Fonte: diariodepernambuco

Mesmo condenado, Lula mantém liderança em pesquisa eleitoral; Bolsonaro cresce

Deputado federal do PSC aparece em primeiro lugar em todos os cenários em que o líder petista foi descartado da disputa pela Presidência do Brasil

Mesmo com a possibilidade de ser impedido pela Justiça Eleitoral de disputar as eleições presidenciais deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga a corrida pelo cargo mais alto do Poder Executivo. As informações são de uma pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (6).

De acordo com o levantamento da Confederação Nacional do Transporte ( CNT ), no cenário em que aparece como uma das opções, Lula lidera a corrida presidencial com 33,4% das intenções de voto, frente aos 16,8% alcançados pelo segundo lugar, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Quando o petista é descartado das opções, Bolsonaro aparece em primeiro lugar. O resultado se repetiu em todos os cenários, sendo que o deputado, com uma média de 20% das intenções de voto, é sempre seguido pela ex-senadora Marina Silva (Rede).

Segundo a pesquisa, se as eleições fossem hoje, ao substituir Lula pelo ex-prefeito paulistano, Fernando Haddad , o PT conquistaria apenas 2,3%, 2,4% ou 2,9% das intenções de voto, resultados semelhantes aos alcançados pelo senador Fernando Collor (PTC-AL) nos mesmos cenários.

Segundo turno

Quando perguntados sobre as intenções de voto no segundo turno, os brasileiros que participaram da pesquisa foram categóricos: Lula vestiria a faixa presidencial, seja qual fosse o adversário direto.

Mantendo a tradicional batalha PT versus PSDB, contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin , Lula conquistaria 44,5% dos votos, contra 22,5% do tucano.

Se o segundo turno fosse disputado hoje entre o ex-presidente petista e Bolsonaro, Lula teria 44,1% dos votos contra 25,8% alcançados pelo deputado.

Porém, a situação do petista com a Justiça dá outro tom à disputa. Afinal, sem Lula, Bolsonaro, Marina e Alckmin aparecem empatados tecnicamente no segundo turno, seja qual for a disputa.

Em um suposto segundo turno entre Bolsonaro e Marina, Bolsonaro e Alckmin ou Alckmin e Marina, quem ganha mais intenções de voto é a opção “branco/nulo”, com uma média de 41%.

pesquisa CNT/MDA foi realizada no período entre o dia 28 de fevereiro e 3 de março. Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões. E a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com 95% de nível de confiança.

Do IG

Pai e madrasta de Isabella Nardoni pedem redução de pena ao STF

Advogado comparou decisão com a de outros julgamentos, como o de Suzane Von Richtofen, Pimenta Neves e Elize Matsunaga

Em habeas corpus enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o pai e a madrasta da menina Isabella Nardorni, assassinada em março de 2008, pedem para ter a pena reduzida.

A defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá alega que, influenciado pela repercussão do caso e a comoção social, o juiz Maurício Fossen proferiu uma sentença “exorbitante e desproporcional”.

No pedido, o advogado Roberto Podval compara a decisão com a de outro julgamentos, como o de Suzane Von Richtofen, Pimenta Neves, Elize Matsunaga e Gil Rugai, e argumenta que o casal, assim como a mãe de Isabela, foi vítima do assédio da imprensa.

Alexandre Nardoni, que está detido em Tremembé, no interior de São Paulo, foi condenado a 31 anos e 1 mês de prisão, mas teve a pena reduzida para 30 ano e 2 meses de cadeia pelo TJ.

Anna Carolina Jatobá, por sua vez, recebeu pena de 26 anos e 8 meses e, desde julho do ano passado, está no regime semiaberto, podendo trabalhar de dia e apenas dormir na penitenciária.

Segundo o Ministério Público, Isabella Nardoni, na época com 5 anos, foi esganada e jogada do 6º andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, no dia 29 de março de 2008.

O relator do caso no STF é o ministro Dias Toffoli.

Fonte: band.uol

Temer não vai recorrer da quebra de seu sigilo bancário

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, informou hoje (6) que o presidente Michel Temer não recorrerá da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso de autorizar a quebra de seu sigilo bancário. Marun, no entanto, interpretou a decisão do magistrado como abusiva e absurda.

“Não obstante o caráter evidentemente abusivo, e até absurdo dessa decisão, o presidente decide, a princípio, pelo menos até o presente momento, não recorrer dessa decisão e mantém, já que não tem nada a esconder, a decisão ontem [segunda-feira, 5] tomada de abrir seu sigilo bancário à população brasileira através da imprensa”, mesmo sem ter sido notificado oficialmente.

O ministro convocou uma entrevista coletiva para falar da decisão do ministro do Supremo, e disse que a decisão do presidente de não recorrer é para evitar dar “munição à hipocrisia dos adversários”.

O ministro da Secretaria de Governo também questionou a decisão de Barroso não ter partido de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). “Teria sido uma decisão judicial tomada sem que houvesse pedido para tanto; no meu entender de advogado trata-se de uma situação absurda. Nós entendemos que quem tomou essa decisão a tomou de forma abusiva e desnecessária, haja vista a fragilidade do inquérito que não possui base fática”.

Padilha

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, também comentou a decisão do ministro Barroso. Em conversa com jornalistas na Câmara dos Deputados, ele disse que o tema não preocupa o presidente, o que ficaria explícito na decisão de divulgar suas movimentações bancárias. Assim como Marun, Padilha observou que não houve pedido da PGR, apenas da Polícia Federal (PF).

“Primeiro, o pedido do delegado, pelo que sei, não foi chancelado pela Procuradoria-Geral da República. Então houve uma iniciativa do ministro em acolher o pedido da Polícia Federal. Eu quero que compreendam que ao presidente Michel Temer esse tema não preocupa, portanto, não tem nada a esconder”.

Barroso é o responsável no STF pelo inquérito que investiga o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017), assinado pelo presidente Michel Temer em maio do ano passado. Na ação, além de Temer, são investigados o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures e os empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, donos da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos.

Em janeiro, ao responder por escrito aos questionamentos dos delegados responsáveis pela investigação, a defesa do presidente Temer declarou que ele nunca foi procurado por empresários do setor portuário para tratar da edição do decreto, tampouco autorizou qualquer pessoa a fazer tratativas em seu nome.

Fonte: agenciabrasil

Se Confúcio cedeu à chantagem é porque tem algo a esconder

REPERCUSSÃO – Nas mídias sociais tem repercutido com mais intensidade a suposta tramoia urdida pelos deputados estaduais Jesuíno Boabaid e Maurão de Carvalho para enquadrar o governador Confúcio Moura e forçá-lo a permanecer no cargo até o fim do mandato para o qual foi eleito. De acordo o grampo que captou a conversa, a trama consistia em chantagear o governador com a abertura de CPI’s – Ponte do anel viário de Ji-Paraná, um terreno adquirido de forma supostamente acima do valor de mercado e um empréstimo do BNDES conhecido como Programa Integrado de Desenvolvimento e Inclusão Socioeconômica (PIDISE). O objetivo da trama seria evitar a assunção do vice-governador à titularidade do cargo. A repercussão tem sido estrondosa.

AOS FATOS – Não é de hoje que a Assembleia Legislativa de Rondônia frequenta as páginas dos noticiários envolvida em escândalos. Prova disso é que os três últimos presidentes cumprem penas severas. Mas na atual gestão não havia surgido concretamente um fato que envolvesse o atual presidente em malfeitos até aparecer essa gravação entre ele e um deputado numa suposta combinação de chantagear o chefe do executivo, o que é algo extremamente reprovável e exige uma apuração interna e externa para que tudo seja esclarecido.

ASSEPSIA – Posto isso, os diálogos capturados, embora de forma ilícita, são gravíssimos. Há neles evidências de que o parlamento teria deixado de cumprir suas funções de fiscalização do executivo mesmo sabendo de fatos supostamente ilegais cometidos pelo governador. Em geral, os deputados não gozando de boa reputação – registre-se que não todos -, o escândalo anunciado corrobora ainda mais para este desgaste e, para minimizar os estragos, exigirá que tudo seja devidamente apurado: tanto a tramoia dos envolvidos na chantagem quanto as denúncias envolvendo o chantageado. É preciso passar tudo a limpo. Afinal, quem não deve não teme.

RECUO – Algumas manifestações feitas por aí criticam de forma ácida os dois deputados estaduais – Jesuíno e Maurão – pelo recuo do governador Confúcio Moura da pré-candidatura ao Senado Federal.

SUCUMBINDO – Não sabemos se por cretinice ou desfaçatez, as manifestações colocam o governador Confúcio Moura como vítima de uma armação com objetivos de chantageá-lo a permanecer no cargo até o final de mandato. Ora, caso seja verdadeira a hipótese de que o governador recuou da pré-candidatura senatorial por chantagem, a única dedução possível é de que “alguma coisa está errada no reino da Dinamarca”. Ninguém sucumbe a chantagem quando ela não contém em seu conteúdo alguma veracidade. Ao sucumbir aceitou a safadeza. Daí não adianta explicações cretinas nem insolentes.

INOCENTE – Embora o deputado estadual Hermínio Coelho (PDT) seja um daqueles parlamentares dado a embustes e impropérios, o que já lhe rendeu uma condenação judicial, o envolvimento do seu nome nesta trama foi feito por terceiros e, pelo diálogo grampeado, sem o seu consentimento. Seria usado como uma peça chave na trama por ser publicamente o único opositor ao governador na Assembleia Legislativa e por utilizar um vernáculo nada convencional para um parlamentar contra seus desafetos. Não há nada que o incrimine a chantagem. Aliás, é bom que se diga, esses fatos presumidamente criminosos foram temas de duros discursos do deputado. Não se furtou inclusive de requerer uma CPI para passar tudo a limpo, mas os pares optaram em segurar a investigação para proteger Confúcio Moura de eventuais desgastes políticos.

ROMPIMENTO – Ao desfazer os atos de nomeações na PM e DER feitos pelo vice, o governador agiu sem aviso prévio. O motivo do rompimento entre os dois foi um conjunto de fatores e não apenas as chantagens de dois deputados estaduais. Nas coxias do Palácio Madeira a coluna apurou que a forma açodada pela qual Daniel Pereira assumiu a postura governamental depois que Confúcio Moura anunciou que renunciaria no dia 12, foi o principal motivo das relações azedarem. O titular do cargo teria ficado irritado com as movimentações políticas do vice e com a postura autoritária com que Daniel passou a se comportar. Acrescente-se aí as intrigas que em política são elementos devastadores. Quem conhece os meandros da contenda sabia antecipadamente que cedo ou tarde os dois se bicariam, visto que Daniel possui em sua gênese a vocação para o embate, típica dos sindicalistas. Esta coluna cantou a bola.

INGÊNUO – Faltou a Daniel Pereira experiência para lidar com as idiossincrasias do poder e maturidade para evitar choque com Confúcio Moura. Vaidoso por natureza, Daniel deixou o poder subir ao cabeção e passou a se comportar como governador de fato e candidato à reeleição imbatível. Nas urnas nunca conseguiu votações expressivas e virou vice-governador por indicação do senador Acir Gurgacz (PDT), razão pela qual na primeira entrevista concedida após a confusão descartou a candidatura a governador. De acordo com ele, agora está livre para disputar o Senado, Câmara Federal ou Assembleia Legislativa. Pura ingenuidade!

ESCUTA – Nessa “estória” não há santo. Restou claro que a gravação – tudo indica ser uma escuta ambiental sem autorização judicial – somente veio a público depois que as relações entre governador e vice azedaram. Ao que parece vazada propositalmente para provocar esta situação beligerante entre os dois poderes e criar um clima de conspiração. Esqueceram um pequeno detalhe: dois deputados envolvidos na trama não eram suficientes para afastar um governador e nas escutas não há indícios de que a maioria regimental para um afastamento estivesse em conluio com aqueles. A escuta é criminosa e tem que ser também apurada porque quem a fez pode ter grampeado outras autoridades.

ALOPRADOS – Alguns aloprados que aguardavam ser convocados para compor o governo de Daniel Pereira estão revoltados com Confúcio Moura nas redes sociais. Exigem que o governador renuncie e fazem cada prognóstico torto que revelam o desespero. Esquecem que o governador foi reeleito para cumpri um mandato de quatro anos, a renúncia é um ato individual. Amigos do governador garantiram a coluna que ele realmente fica no posto, mas Confúcio permanece em silêncio em meio ao turbilhão. Ademais, em política tudo é possível. Aguardemos!

CURIOSIDADE – Restou uma curiosidade para quem não frequenta os gabinetes palacianos: quem é Michele? Quais contas teria pago? Pela degravação dos áudios é uma personagem importante na corte. E não é a boba.

NOMEAÇÃO – O retorno do coronel Enedy ao comando da PM têm vários significados. Quem decifrar entenderá o gesto do governador renomeá-lo ao posto do Comando Geral.