Jovem morre após levar cotovelada do namorado em Mogi das Cruzes (SP)

Até o fim da tarde desta segunda-feira (14), o suspeito continuava foragido

Uma jovem morreu após ter sido agredida com uma cotovelada pelo namorado no meio de uma rua em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, na madrugada de sexta-feira (11).

Segundo familiares e vizinhos da vítima, o homem deu o golpe em Jaqueline Aparecida Lopes Moraes, de 19 anos, durante uma discussão. Ela caiu no chão, bateu a cabeça e foi socorrida. Ele fugiu de carro.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, o caso aconteceu por volta da 0h15. A Polícia Militar foi acionada, mas, quando chegou à Avenida Peru, no bairro de Jundiapeba, Jaqueline já havia sido levada a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da região. A vítima teve traumatismo craniano, não resistiu à gravidade da lesão e morreu.

Até o fim da tarde desta segunda-feira (14), o suspeito continuava foragido. Em um áudio atribuído a ele que circula nas redes sociais, o agressor admitiu que deu um “pancadão” na vítima e afirmou não rezar “para nada”.

“Você viu como é que eu estava, alteradão, acabei fazendo besteira, entendeu? Dei logo um ‘pancadão’ na Jaque. Ela caiu desmaiada lá, deixei ela lá no meio da rua e vim embora”, disse. Não adiante ser conivente. Você sabe que eu sou louco, não rezo para nada.”

O caso foi registrado como homicídio simples no 2º Distrito Policial de Mogi das Cruzes (Brás Cubas).

Fonte: otempo

TCU suspende contrato do Ministério da Saúde para autotestes de HIV

A suspensão valerá até que o TCU se manifeste quanto ao mérito do processo

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu suspender cautelarmente o contrato firmado pelo Ministério da Saúde com a empresa Orange Life Comércio e Indústria Ltda para o fornecimento de 400 mil unidades de testes rápidos de diagnóstico de HIV. A medida atendeu pedido da Procuradoria da República no DF que enxergou indícios de irregularidades na contratação da empresa por inexigibilidade de licitação. O valor estimado para o fornecimento dos testes é de mais de R$ 13,9 milhões. A suspensão valerá até que o TCU se manifeste quanto ao mérito do processo.

De acordo com a procuradoria, não havia necessidade da dispensa de licitação devido à existência, no mercado, de produtos concorrentes para a realização do autoteste de detecção do HIV. Segundo os procuradores, isso “indicaria ausência da exclusividade justificadora da referida inexigibilidade”. Além disso, “outros autotestes seriam melhores em qualidade, praticidade e modicidade que o escolhido pelo Ministério da Saúde”, diz relatório do tribunal.

A principal diferença entre o produto da Orange Life e o da concorrência seria a forma de realização do autoteste: enquanto o primeiro é feito a partir de uma pequena amostra de sangue, os demais utilizam saliva para efetuar o teste. O relatório diz ainda que análise técnica apontou que os testes concorrentes possivelmente também seriam melhores e mais adequados ao que o Ministério da Saúde procurava.

“Essa diferença, inclusive, seria mais adequada à finalidade da aquisição, considerando que a utilização dos citados produtos concorrentes seria mais fácil e prática, bem como menos indolor e mais rápida na apresentação dos resultados, sem contar possível redução de custos com a aquisição desses outros produtos”, diz o acórdão.

A decisão tomada na quarta-feira passada (9) e assinada pelo ministro Augusto Sherman, substituo de relator, ministro Augusto Nardes, também dá um prazo de 15 dias para a empresa se manifestar sobre os fatos. “Alertando-a quanto à possibilidade de o tribunal vir a determinar ao Ministério da Saúde a anulação do contrato”. O ministro também deu o mesmo prazo para que o Ministério da Saúde apresente cópia dos eventuais documentos que justificaram a escolha do teste da Orange Life.

O autoteste da Orange Life é vendido em farmácias no país desde o ano passado, após ser licenciado pela Anvisa em maio de 2017. O Brasil foi o primeiro país da América Latina e Caribe a disponibilizar o autoteste em farmácias.

A Agência Brasil procurou a empresa Orange Life e o Ministério da Saúde, mas, até o momento de publicação desta matéria, as manifestações solicitadas não haviam chegado.

Fonte: agenciabrasil

Infraero implantará autodespacho de bagagem em seus aeroportos

De acordo com a Infraero, o serviço será implantado em mais seis aeroportos até o final deste ano e no começo do primeiro trimestre de 2019

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou hoje (14) que implantará até o próximo ano o autodespacho de bagagens (Self Bag Drop) em sete aeroportos sob sua administração. O primeiro a receber o novo serviço será o aeroporto de Recife (PE), que contará com pontos de autodespacho no segundo semestre.

De acordo com a Infraero, o serviço será implantado em mais seis aeroportos até o final deste ano e no começo do primeiro trimestre de 2019: Congonhas (SP), Santos Dumont (RJ), Curitiba (PR), Belém (PA), Goiânia (GO) e Maceió (AL).

“A Infraero será a primeira operadora de aeroportos do Brasil a implementar a solução de autodespacho de bagagem (Self Bag Drop) em sete terminais sob sua administração. O objetivo é aprimorar o atendimento aos passageiros e otimizar a infraestrutura dos aeroportos”, anunciou a assessoria da empresa.

Segundo a empresa, a medida, já adotada em outros aeroportos do mundo, permitirá a realização do check-in nos terminais de autoatendimento e o despacho de malas “de maneira rápida e fácil, além de melhorar a capacidade de atendimento do aeroporto e das empresas aéreas.”

A Infraero disse ainda que o autodespacho de bagagens observará as políticas de cada companhia aérea. Outra medida anunciada é o check-in compartilhado. Os dois serviços fazem parte de um contrato de concessão comercial de 15 anos, firmando entre a Infraero e a Sita.

De acordo com a estatal, o check-in compartilhado reunirá as plataformas das empresas aéreas num mesmo totem de autoatendimento, “permitindo que o passageiro faça seu registro de embarque sem precisar enfrentar filas das companhias, o que otimizará os espaços e dará mais opção a quem embarca nos aeroportos da Infraero atendidos pela solução”.

Fonte: agenciabrasil

Criação de Cadastro Nacional de Pedófilos será analisada pelo Senado

O autor ressalta que a pedofilia representa uma modalidade criminosa de extrema gravidade, pois incide sobre a parcela mais vulnerável da população, crianças e jovens, seja por meio de assédio sexual direto, uso das redes sociais da internet ou outros meios

O Senado vai analisar a criação do Cadastro Nacional de Pedófilos. De autoria do deputado Vitor Valim (Pros-CE), o PLC 48/2018 terminou de chegar da Câmara e pretende instituir um banco de dados para reunir informações relativas a condenados pelo crime de pedofilia.

De acordo com o texto, o Cadastro Nacional de Pedófilos será mantido pelo Poder Executivo e operado em convênio com os estados e municípios. Os entes públicos terão acesso ao cadastro e alimentarão o sistema por meio de seus órgãos de segurança pública, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.

O autor ressalta que a pedofilia representa uma modalidade criminosa de extrema gravidade, pois incide sobre a parcela mais vulnerável da população, crianças e jovens, seja por meio de assédio sexual direto, uso das redes sociais da internet ou outros meios. O deputado cita dados da Safernet, ONG que luta contra crimes virtuais, para destacar que, em 2013, a pornografia infantil foi o crime virtual mais denunciado no Brasil, representando quase metade das denúncias.

Para Valim, a criação de um banco de dados contendo informações relevantes sobre os pedófilos pode “racionalizar e agilizar a atuação das autoridades, além de facilitar a troca de informações com outros países”.

Fonte: agenciasenado

Protestos na Faixa de Gaza deixam ao menos 52 mortos e 2,4 mil feridos

Segundo o Ministério da Saúde palestino, 918 dos 2.410 feridos foram atingidos por munição real durante os protestos em Gaza

O número de mortos por disparos do exército de Israel nos protestos de palestinos em Gaza contra a mudança da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém subiu para 52, segundo dados do Ministério da Saúde palestino, que estimou o número de feridos em 2.410, entre eles 200 menores de idade.

Pelo menos 30 feridos estão em estado de extrema gravidade e outros 71 em estado grave, enquanto cerca de 800 apresentam lesões de gravidade média e outros mil sofreram ferimentos leves.

Do total de feridos, mais de 918 foram atingidos por munição real, cinco receberam tiros de balas borracha, 98 sofreram ferimentos de estilhaços, 196 apresentam sinais de pancadas e contusões e mais de 700 foram atendidos por asfixia causada por inalação de gás lacrimogêneo.

O ministério palestino também denunciou que houve disparos contra jornalistas e profissionais de saúde, que resultaram na morte de um paramédico e em ferimentos em outros dois.

Os protestos, convocados por todas as facções palestinas dentro do movimento da Marcha do Retorno, coincidem hoje com a mudança da embaixada dos EUA para Jerusalém e espera-se que continuem amanhã, dia em que os palestinos lembram a ‘Nakba’ (catástrofe, em tradução do árabe) que para eles representou o surgimento de Israel há 70 anos.

As autoridades de saúde palestinas pediram ao Egito que enviem remédios e material médico de emergência aos hospitais da Faixa de Gaza, assim como equipamentos médicos especializados em cirurgia vascular, ortopédica, anestesia e terapia intensiva, e também solicitaram autorização para a saída de feridos para sejam atendidos em centros especializados no Egito.

Segundo o exército israelense, mais de 40 mil pessoas participaram hoje nos protestos perto da fronteira e centenas deles tentaram ultrapassar a cerca divisória.

O Ministério da Saúde palestino acusou Israel de cometer “um massacre” contra os manifestantes e o ministro Jawad Awad fez uma “convocação urgente” à comunidade internacional para que pressione Israel para deter a violência.

Por outro lado, a polícia israelense deteve pelo menos 14 pessoas em uma manifestação realizada a poucos metros da nova sede diplomática americana, depois de reprimi-las com o uso da força e confiscar as bandeiras palestinas que eles carregavam.

“Os manifestantes não se ativeram aos termos estipulados com a polícia. Gritaram ‘Allahu Akbar’ (Alá é grande, em árabe) e a polícia apreendeu as bandeiras e deteve 14 manifestantes”, informou o porta-voz policial, Micky Rosenfeld.

A partir das 16 horas locais de hoje (10h em Brasília), centenas de pessoas se aproximaram das imediações da nova embaixada, uma minoria para apoiar a mudança de Tel Aviv, e a maioria para rejeitar o que consideram a consolidação da “ocupação da Palestina”.

Fonte: Agência EFE

Estudante de Direito desaparece após fazer ‘cara de pânico’ durante chamada de vídeo

Andriele Gonçalves Silva foi vista pela última vez na quarta-feira (9)

Uma estudante de Direito de 22 anos, moradora de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, está desaparecida desde a madrugada da última quarta-feira (9). Andriele Gonçalves Silva falava com um amigo por uma chamada de vídeo quando ouviu um barulho na casa, percebeu que a porta estava destrancada, e começou a agir de forma estranha.

Segundo o rapaz com quem a estudante conversava, cerca de 15 minutos depois, ela fez uma “cara de pânico” e a ligação caiu. Após duas horas, o amigo recebeu uma mensagem da jovem pelo WhatsApp, dizendo “ele veio aqui, mas já foi embora. Não quero mais isso, já foi longe demais. Não consigo parar de chorar. Não dá, não quero que me mande mais nada”. Não há confirmação sobre quem a garota estaria falando.

Para o rapaz, as frases, no entanto, não parecem ter sido escritas por Andriele, mas por outra pessoa. A mãe da estudante, Cleuza Gonçalves, também compartilha dessa opinião. “Eu soube do desaparecimento da minha filha por meio da conversa com esse amigo. Depois, recebi uma mensagem falando que ela estava indo embora para São Paulo. Mas não é o jeito dela de escrever, foi alguém que se passou por ela”, disse em entrevista à Banda B.

Preocupada, Cleuza ligou para o marido da filha, com quem Andriele está em processo de separação, para conseguir qualquer notícia sobre o paradeiro dela. “Ele só me disse que ela foi embora, que chegou de manhã e ela não estava mais em casa e que teria levado apenas uma mochila preta com algumas roupas”, completou.

Casamento em crise

Segundo a família, a jovem é casada com um soldado da Polícia Militar, mas está em processo de separação, devido a uma crise no casamento. No divórcio, ficou acordado que ele sairia do apartamento onde os dois moravam.

“Ela queria se separar, mas parece que ele não aceitava… Para mim, ela só disse que não queria mais. Já para os amigos, contou que estava passando por momentos bem complicados, até com denúncia de ameaças”.

Assim que a filha sumiu, Cleuza ligou para o marido de Andriele. Na ocasião, ele falou apenas que a estudante tinha ido embora, que chegou e ela não estava mais em casa e que teria levado apenas uma mochila preta com algumas roupas.

A última vez que ela viu o genro foi na quarta-feira. Depois disso, Cleuza não falou mais com o rapaz e também não sabe onde ele está. O Boletim de Ocorrência (B.O.) obtido pela reportagem dá conta de que ele passou mal após saber do desaparecimento da esposa e precisou ser internado em um hospital para avaliação psiquiátrica.

 

Dois anos de poder desgastaram Temer, mas não o capital político do MDB

Com poucas chances na corrida pelo Planalto, partido deve voltar à estratégia que garantiu seu papel decisivo desde a redemocratização

“Não havia um projeto de poder, mas sim uma urgência”. É o que afirma o cientista político Bolívar Lamounier, sócio-diretor da Augurium Consultoria, sobre o momento em que Michel Temer (MDB) assumiu o poder em maio de 2016 após o afastamento de Dilma Rousseff durante o processo de impeachment. Hoje, a situação é diferente. O emedebista quer defender seu legado. “Seria covardia não ser candidato“, disse o presidente à revista IstoÉ em março.

Seu partido, apesar de aparentemente relutante em apostar na reeleição sem a garantia de que Temer chegará ao segundo turno, parece, pelo menos, compartilhar o desejo de ter um representante próprio na corrida pelo Planalto. Isso também sinaliza certa novidade: desde o fim da ditadura, a única vez em que o PMDB (como se chamava o MDB até dezembro de 2017) lançou um cabeça de chapa para a Presidência foi com Orestes Quércia, em 1994. Desde a redemocratização, foram apenas três presidentes emedebistas: José Sarney, Itamar Franco e o próprio Temer — nenhum deles chegou ao Palácio do Planalto liderando uma chapa presidencial, mas sim pela linha sucessória.

“Nunca houve uma estratégia unificada do partido, nem em 2016 nem agora”, explica Silvio Cascione, analista sênior da consultoria de análise política Eurasia para o Brasil. Isso não significa que a fragmentação interna enfraqueça a sigla, pelo contrário. “Como o MDB não tem identidade ideológica definida, se torna o grande partido de centro, com grande capacidade de coligação”, afirma Rafael Mucinhato, pesquisador de ciências políticas da Universidade de São Paulo (USP) e especialista na história da legenda.

De acordo com o especialista, o MDB sempre teve como meta “se manter no plano de fundo” apostando mais em “candidaturas de deputados, vereadores e em se fortalecer no poder local”. Com 7 governadores, 50 deputados federais (a terceira maior bancada da Casa), 18 senadores (do total de 81), 145 deputados estaduais e 963 prefeitos, além de 7.935 vereadores, é quase impossível governar sem o apoio do partido.

“Todo o período da Nova República contou com a participação fundamental do MDB como o fiel da balança de todos os governos”, diz Marcelo Issa, da consultoria Pulso Público. Na eleição de 2010, o partido voltou a compor uma chapa presidencial. Mas a aliança durou até novembro de 2015, quando Michel Temer expôs seu descontentamento com o governo Dilma em uma carta. Em março do ano seguinte, veio o desembarque da base aliada. Dois meses depois, o emedebista assumiria a Presidência interinamente com a promessa de retomada econômica em meio a um quadro de recessão e inflação alta.

Até certo ponto, a promessa foi cumprida. No entanto, apesar dos avanços do início do mandato (com a aprovação da reforma trabalhista, por exemplo), “o projeto inicial do governo Temer ficou pelo caminho”, diz Issa, da Pulso Público. E a reforma da Previdência é o maior exemplo desse fracasso. Depois da implicação de Temer em uma série de escândalos de corrupção, o governo perdeu a capacidade de aprovar até coisas simples no Congresso.

Em maio de 2017, vieram à tona as delações dos executivos do grupo J&F com graves acusações contra Temer. O caso rendeu duas denúncias contra o presidente: a primeira por corrupção passiva sob a suspeita de ter recebido 500 mil reais em propina e outra por obstrução da Justiça e organização criminosa. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o emedebista teria atuado para comprar o silêncio do doleiro Lúcio Funaro e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, além de ter se beneficiado de mais de 3 milhões de reais em um esquema de corrupção do MDB.

As duas denúncias foram rejeitadas na Câmara dos Deputados, mas Temer pagou um alto preço pelos casos. “Ele foi obrigado a gastar boa parte do seu capital político na defesa e nas tratativas para impedir sua própria cassação”, explica Issa. Em tempo: o presidente ainda é suspeito de ter beneficiado a empresa Rodrimar, atuante no Porto de Santos.

No momento, segundo o cientista político, o presidente encarna o que a literatura política norte-americana chama de “pato manco”: apesar de estar no poder, tem pouca margem para concretização de políticas públicas. É essa perda de apoio da base aliada que limita a consolidação da retomada econômica prometida.

Apesar de alguns sucessos, como “a ação consistente do Ministério da Fazenda e do Banco Central para reverter a inflação, reduzir a taxa de juros e enfrentar recessão e desemprego”, como lembra Lamounier, o legado econômico do governo não é sensível para a população. Cascione, da Eurasia, diz que isso se deve, em parte, “ao tamanho do tombo”. “Não é crescimento de 2% que vai recuperar recessão de 10%”, afirma.

Engavetada, a reforma da Previdência, uma das maiores derrotas de Temer, já era rejeitada por 71% dos brasileiros, conforme pesquisa do Datafolha de abril de 2017. A impopularidade da medida só não era maior que a do próprio presidente: segundo pesquisa realizada pelo mesmo instituto em janeiro deste ano, a aprovação de Temer ficava em 6%. Mesmo após a intervenção federal na área de segurança pública no Rio de Janeiro, vista como uma mudança de foco para tema que cada vez mais importa ao eleitor, o índice se manteve.

Com o cenário pouco favorável, a possibilidade de reeleição é remota. Mesmo a alternativa do partido para o MDB— o recém-filiado e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles — não é a mais atraente: ele também pontua baixo nas pesquisas de intenção de voto. “Nenhum dos dois deve alcançar dianteira em relação ao outro e esse quadro não deve se alterar significativamente até o registro de candidaturas”, pontua Issa.

Na pior (ou melhor) e mais provável das hipóteses, o MDB pode retornar à estratégia antiga, sem cabeça de chapa para o Planalto e com foco no poder regional. “Nossa opinião é de que legenda não vai lançar candidato próprio”, afirma Cascione. O presidente nacional da legendaRomero Jucá admitiu a possibilidade de partido não lançar candidatura e reforçou que prioridade é continuar elegendo grandes bancadas.

Nesse sentido, a capacidade de coligação se mantém bastante forte. “Em função especialmente do tempo de rádio e TV para campanha eleitoral e dos recursos do fundo partidário e eleitoral, que são calculados pela presença do parlamento”, diz Marcelo Issa. O MDB, com 50 deputados e 18 senadores, tem elevada atratividade nesse sentido.

 

 

 

Por Carolina Unzelte

Fonte: Exame.abril.com.br

Moro condena ex-tesoureiro do PT e mais 12 por esquema de R$ 20 milhões na Petrobras

Entre os alvos da sentença estão Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras, Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, e o operador Adir Assad

O juiz Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, condenou nesta segunda-feira (14) um total de 13 pessoas por envolvimento em um esquema que movimentou R$ 20 milhões em propinas ligadas à licitação para a ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello), da Petrobras, no Rio de Janeiro. As obras custaram mais de R$ 1 bilhão.

Entre os alvos da sentença estão Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras, Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, e o operador Adir Assad. Também foram condenados executivos das construtoras Construbase, Construcap e Schahin Engenharia. As defesas foram contatadas pela reportagem, que aguarda resposta dos advogados.

Com João Vaccari Neto e Delúbio Soares, Ferreira é o terceiro secretário financeiro do partido na mira dos investigadores da Lava Jato. Ele, que também foi deputado federal, ocupou o cargo de tesoureiro do PT entre 2005 e 2010, antes de Vaccari.

Ao denunciar o caso, a força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) fez acusações contra 14 pessoas pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, cometidos separadamente ou em conjunto. Apenas uma foi absolvida por Moro: Erasto Messias da Silva Júnior, da construtora Construcap, por falta de provas. Os outros condenados são:

  • Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS
  • Alexandre Correa de Oliveira Romano, operador de propinas
  • Edison Freire Coutinho, ex-executivo da Schahin Engenharia
  • José Antônio Marsílio Schwartz, ex-executivo da Schahin Engenharia
  • Genésio Schiavinato Júnior, ex-executivo da Construbase
  • Roberto Ribeiro Capobianco, ex-executivo da Construcap
  • Ricardo Pernambuco Backheuser, ex-executivo da Carioca Engenharia
  • Roberto Trombeta, operador de propinas
  • Rodrigo Morales, operador de propinas

A maioria dos réus condenados recebeu benefícios para o cumprimento da pena por ter colaborado com o processo, como no caso de Léo Pinheiro e Renato Duque, ou por ter assinado acordo de delação premiada, como aconteceu com a maioria dos executivos das construtoras.

As exceções ficam por conta de Paulo Ferreira, condenado a 9 anos e 10 meses de prisão, Schiavinato, sentenciado a 12 anos e 8 meses de prisão, e Roberto Capobianco, cuja pena chegou a 12 anos.

Rastreamento “pendente”

Segundo a denúncia do MPF, o consórcio Novo Cenpes, formado por OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Construcap, CCPS Engenharia e Schahin Engenharia, teria vencido a licitação por meio de fraude e de pagamento de propina a executivos da Petrobras e agentes públicos.

Duque e Paulo Ferreira teriam recebido propinas, enquanto Assad, Morales e Trombeta atuavam na operação do esquema, disponibilizando dinheiro vivo para os pagamentos ilegais. Alexandre Romano, por sua vez, foi acusado de ser intermediário de Ferreira no recebimento de propina.

Na sentença, Moro afirma ser “inequívoco que, assim como os dirigentes da OAS, Carioca, Schahin, Construbase e Construcap se associaram, em consórcio, para participar da licitação do contrato de ampliação do Cenpes e igualmente para realizar o contrato, também juntos resolveram fraudar a licitação e pagar sistematicamente propinas a agentes da Petrobras e a agentes políticos.”

Segundo o MPF, parte do esquema envolveu a oferta de R$ 18 milhões para a construtora WTorre, com o objetivo de fazer a empresa desistir da licitação. No processo, vários executivos de construtoras relataram que houve o pagamento –o empresário Walter Torre Júnior, fundador e CEO da WTorre, nega.

“Ficou pendente o rastreamento financeiro deste pagamento de dezoito milhões de reais. O fato, porém, embora reprovável, não é crime, pois não está tipificada no Brasil a corrupção entre empresas privadas”, diz Moro na sentença.

Outro lado

O advogado de Alexandre Romano, Leandro Casagrande, disse que ele vai cumprir os termos de seu acordo de colaboração premiada e não vai recorrer da sentença.

A defesa de José Antônio Schwarz reafirmou o compromisso dele como colaborador do processo.

O advogado de Adir Assad, Pedro Luis Bueno de Andrade, também afirmou que seu cliente irá cumprir à risca o acordo de colaboração.

O advogado de Edison Coutinho, Cássio Quirino Norberto, declarou que vai se manifestar apenas nos autos.

O UOL entrou em contato com os escritórios de advocacia que representam todos os réus condenados. A manifestação de cada um deles será incluída neste texto assim que enviada à reportagem.

Fonte: uol

Crise e insegurança criam nova onda de migração brasileira rumo ao Japão

Há uma década, desde os anos de recessão após a crise de 2008, o Japão luta para encontrar um caminho que o conduza de volta ao crescimento. Os salários crescem pouco e a maior parte dos empregos disponíveis para estrangeiros ainda é no “chão de fábrica”

Mesmo assim, o país que virou destino de milhares de nipo-brasileiros nas décadas de 80 e 90 tem voltado a atrair os dekasseguis, e não apenas por razões econômicas.

Os dados disponíveis mais recentes, de 2016, mostram que os consulados japoneses no Brasil emitiram 11.506 vistos para descendentes, cônjuges e dependentes – quase o triplo do registrado dois anos antes, em 2014, 4.695. As agências de emprego que fazem a ponte entre as empresas japonesas e os brasileiros afirmam que a tendência se manteve em 2017 e neste ano. Os dados repassados pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo contabilizam três tipos de visto, que permitem aos descendentes o exercício de atividades remuneradas no país.

O país que os dekasseguis – nome que se dá aos imigrantes descendentes de japoneses que buscam trabalho no Japão – encontram hoje é bem diferente. O que se economiza com dois ou três anos de trabalho, ao contrário do que acontecia nos anos 90, não é mais suficiente para comprar uma casa confortável no Brasil – de um lado, porque os preços no Brasil aumentaram significativamente e, de outro, porque o câmbio não é mais tão favorável.

Mas não é só a questão do emprego que tem feito os nisseis e sanseis deixarem o Brasil rumo a terra de seus pais ou avôs.

“Muita gente que está indo agora já foi dekassegui. Tem gente que voltou (para o Brasil) e tentou montar um negócio, mas não deu certo. Tem gente que está assustada com a insegurança, com os assaltos”, diz Kleber Ariyoshi, sócio-diretor da Itiban, agência de empregos com escritório nos dois países.

Agências como a dele fazem a intermediação entre as empresas japonesas interessadas em contratar e os brasileiros, lidam com o visto e ajudam os migrantes a encontrar moradia.

Ariyoshi conta que a procura vem aumentando de forma significativa desde 2016 e que hoje a Itiban envia entre 150 e 200 brasileiros por mês para o Japão – o triplo da média mensal em 2015.

A grande maioria das vagas está na indústria, nos segmentos de autopeças, eletrônico e no alimentício, principalmente.

Com a proximidade das Olimpíadas de Tóquio, em 2020, e diante do problema estrutural de falta de mão-de-obra no Japão, as empresas do país têm vindo cada vez mais ao Brasil para recrutar. “Atendemos três ou quatro delas por semana aqui”, ele afirma.

Gráfico

‘Educação melhor’

“Nós decidimos sair do Brasil pela questão da segurança e, principalmente, para dar uma educação melhor para nossa filha”, diz a paulistana Erica Yamabe, que chegou com a família na cidade de Kariya, na província de Aichi, em abril do ano passado.

A escola em tempo integral que a menina frequentava no bairro do Butantã, em São Paulo, custava aos pais cerca de R$ 3 mil por mês. No Japão, eles desembolsam R$ 400. O valor pago à escola japonesa mantida pela prefeitura inclui as refeições e aulas das 8h às 18h, incluindo lições de artes, música e natação.

A filha, hoje com 7 anos, chegou praticamente sem falar japonês. Em um ano, contudo, aprendeu a língua e hoje vai à escola, que fica a cerca de 800 m de casa, a pé com um grupo de crianças do bairro, com idades entre 6 e 12 anos. “Esse é o tipo de experiência que ela nunca teria no Brasil”, diz.

Fábrica da ToyotaDireito de imagemAFP/GETTY IMAGES  / Maioria das vagas está na indústria, em posições de ‘chão de fábrica’ nos segmentos de autopeças, eletrônico e no alimentício, principalmente

Erica e o marido moraram no Japão entre 2007 e 2009 e voltaram para o Brasil por questões familiares. Hoje, cada um deles trabalha em uma fábrica diferente da Toyota em Kariya, uma das cidades onde há maior concentração de brasileiros.

O salário não chega a ser maior do que no Brasil – Erica trabalhava no setor financeiro, na área de recuperação judicial e falências, e o marido era taxista -, mas eles acreditam que o que têm ganhado da experiência compensa.

“Ganhar dinheiro vai ser uma consequência. Pra gente é muito positivo que ela esteja em contato com uma cultura que respeita os mais velhos, os professores, que pensa no outro.”

12 horas de trabalho por dia

A paranaense Ligia Palma morou no Japão com o marido entre 2007 e 2014 e retornou ao Brasil logo depois da Copa, porque queria voltar a trabalhar em sua área de formação, como secretária executiva.

“Eu queria voltar a usar a cabeça, porque para trabalhar no Japão (nas fábricas) você só precisa ter saúde física”, ela afirma.

Depois de algum tempo em sua Londrina natal, ela recebeu uma proposta de emprego em Fortaleza (CE), com um salário maior do que ela e o marido ganhavam juntos no Paraná.

Ligia PalmaDireito de imagemGUILHERME PALMA/ARQUIVO PESSOAL / Antes de voltar ao Japão no ano passado, Ligia viveu por 7 anos no país, entre 2007 e 2014

Porém, uma série de experiências negativas na capital cearense – de situações de corrupção no ambiente de trabalho à falta de infraestrutura e segurança – fizeram com que o casal se decidisse por mais uma temporada na Ásia. “Eu via idoso furando fila preferencial, gente jogando garrafa de plástico pelo vidro do carro. Aquilo não fazia sentido para mim, eu não me adaptei”, acrescenta.

Mesmo tendo se decepcionado financeiramente no Japão na primeira vez – o casal chegou pouco antes da crise e viveu momentos difíceis -, eles consideraram que a segurança e qualidade de vida japonesas fariam valer a pena as jornadas de trabalho de 12 ou 14 horas e a cultura muitas vezes fria dos locais.

Desde agosto do ano passado eles estão na cidade de Echizen, na província de Fukui. Ligia trabalha em uma fábrica de componentes eletrônicos que produz condensadores da marca Murata.

Bairro de Shibuya, em TóquioDireito de imagemGETTY IMAGES / Depois da crise, governo chegou a dar subsídio de US$ 3 mil para cerca de 20 mil dekasseguis voltarem ao Brasil com a promessa de não retornarem por algum tempo ao Japão

Nesta segunda temporada no país, ela diz ter percebido uma abertura maior dos japoneses com os estrangeiros. “Sempre existiu a visão de que quem saiu do país na Primeira ou na Segunda Guerra era covarde, porque não ficou para lutar. Nós éramos os filhos e os netos dos ‘covardes’, vistos muitas vezes como invasores”, ela afirma.

“A estagnação da economia e o avanço da China fizeram isso mudar um pouco. Hoje, eles sabem que precisam da gente.”

Palma se surpreendeu ao encontrar atendentes que falavam português em algumas prefeituras e até no comércio de cidades conhecidas por serem destino dos brasileiros.

Crise de 2008

A crise financeira que sacudiu o mundo em 2008 também teve um impacto forte sobre a economia japonesa.

As exportações despencaram e, sem uma reação do mercado consumidor doméstico, o país mergulhou em uma recessão.

Shinzo AbeDireito de imagemAFP/GETTY IMAGES / Em seu terceiro mandato consecutivo, Abe viu seus índices de popularidade despencarem nos últimos meses diante de escândalos de favorecimento pessoal

“Vi japonês morando literalmente debaixo da ponte – e nunca tinha visto nem mendigo no Japão”, conta Ligia.

Nessa época, o governo japonês chegou a pagar um subsídio de US$ 3 mil para cerca de 20 mil brasileiros que concordaram em deixar o país e cumprir uma espécie de “quarentena” antes que eventualmente tentassem entrar novamente.

Eleito em 2012, o primeiro-ministro Shinzo Abe colocou em prática uma série de medidas para estimular a economia.

A política macroeconômica, que ficou conhecida como “Abenomics“, surtiu efeito gradual, diz Takahiro Sekido, estrategista do banco japonês MUFG, e tem dado sinais mais claros de seu impacto positivo desde o ano passado – quando o indicador de confiança da indústria medido pelo Banco Central japonês voltou aos níveis pré-crise pela primeira vez em uma década.

O país ainda enfrenta, contudo, o desafio de elevar os índices de inflação – com o mercado interno ainda morno, os preços têm pouca variação, assim como os salários.

Camilla Veras Mota

PF intima ex-assessor de Padilha apontado como receptor de propina

Ibanez Filter foi convocado a depor na investigação que apura repasse de R$1 milhão da Odebrecht a integrantes do MDB

O delegado Tiago Delabary, da Polícia Federal (PF), intimou Ibanez Filter, ex-assessor parlamentar do ministro Eliseu Padilha (MDB), da Casa Civil, para depor no inquérito que apura o suposto pagamento de propina da Odebrecht para integrantes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A informação é do blog da Andréia Sadi, da GloboNews.

De acordo com a reportagem, o ex-assessor foi citado pelo doleiro Antonio Claudio Albernaz, o Tonico, como sendo a pessoa que recebeu R$ 1 milhão da empreiteira em nome de Angorá – codinome atribuído pela empreiteira ao ministro Moreira Franco (antes da Secretaria-Geral da Presidência e hoje no Ministério das Minas e Energia).

A quantia faria parte de um montante de R$ 10 milhões prometidos pela Odebrecht aos emedebistas, durante encontro no Palácio do Jaburu.

Também foram intimados os colaboradores Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, e Fernando Migliaccio, ex-executivo da construtora.

Fonte: metropoles