24 Dias pelo Diabetes: oftalmologistas alertam para retinopatia
A partir de 1º de novembro, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e parceiros divulgam orientações sobre a retinopatia diabética, doença silenciosa que atinge 1 em cada 3 pessoas com diabetes
📋 Em resumo ▾
- A campanha 24 Dias pelo Diabetes começa em 1º de novembro e vai até o fim do mês.
- O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e instituições parceiras vão divulgar dicas práticas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da retinopatia diabética.
- A doença atinge cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes no Brasil e é silenciosa no início.
- Com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira cai para menos de 5%. O exame é gratuito no SUS.
- Por que isso importa: a retinopatia é uma das principais causas de cegueira evitável em adultos em idade de trabalhar, e a campanha quer levar informação a quem mais precisa.
Começa no próximo domingo, 1º de novembro, a campanha 24 Dias pelo Diabetes, que segue até o fim do mês. Organizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) em parceria com outras instituições, a campanha vai divulgar uma série de orientações práticas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da retinopatia diabética, doença que pode levar à cegueira e atinge cerca de um em cada três brasileiros com diabetes.
A campanha
O objetivo é levar informação de qualidade à população em geral e, em especial, a quem vive com diabetes. A campanha quer conscientizar sobre os riscos da doença e os cuidados que reduzem o impacto do diabetes e da retinopatia na vida das pessoas.
As orientações serão divulgadas ao longo de novembro, mês em que se celebra o Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro). Segundo o CBO, a campanha vai usar estratégias de comunicação de grande alcance para chegar ao maior número possível de pessoas.
A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, resume a mensagem central:
“Procure sempre um médico oftalmologista para esclarecer suas dúvidas. Faça o exame de fundo de olho e mantenha o acompanhamento, pois cuidar dos olhos faz parte do cuidado com o diabetes.”
— Maria Auxiliadora Frazão, presidente do CBO
O tema: o que é a retinopatia diabética
A doença surge quando o açúcar elevado no sangue, ao longo dos anos, danifica os pequenos vasos sanguíneos da retina, a camada no fundo do olho que capta a luz e envia as imagens ao cérebro.
O maior perigo é que essas alterações avançam em silêncio, sem sintomas nas fases iniciais. “Muitos pacientes só descobrem o problema quando já há perda visual. Por isso, é fundamental fazer exames oftalmológicos regulares, mesmo quando não há sintomas”, alerta Maria Auxiliadora.
O tamanho do problema
Segundo dados oficiais:
- a retinopatia atinge de 24% a 39% das pessoas com diabetes no Brasil;
- depois de 20 anos com diabetes, 90% dos pacientes com tipo 1 e 60% dos com tipo 2 terão algum grau da doença;
- com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira cai para menos de 5%.
Quando fazer o exame
O principal exame é o fundo de olho (fundoscopia), que mostra alterações na retina mesmo quando o paciente ainda enxerga bem. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde:

Depois do primeiro exame, quem não tem retinopatia ou tem a forma leve deve repetir uma vez por ano. Casos moderados ou graves precisam de revisões mais frequentes. Mulheres com diabetes gestacional geralmente não precisam dessa triagem.
“Nossa mensagem central é que o cuidado com os olhos precisa começar antes de qualquer sintoma”, defende Jorge Rocha, presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV).
Sinais de alerta
“Perda repentina da visão e aparecimento de manchas escuras ou de sensação de sombra cobrindo parte do campo visual exigem uma consulta oftalmológica urgente.”
— Mauro Goldbaum, secretário-geral do CBO e vice-presidente da SBRV
Prevenção no dia a dia
Controlar a glicemia e a pressão arterial reduz o risco da doença e atrasa a evolução dela. Grandes estudos internacionais mostram que reduzir 1 ponto na hemoglobina glicada (o exame que mede a média de açúcar no sangue) diminui em cerca de 35% a 37% o risco de retinopatia. Baixar 10 mmHg na pressão “máxima” reduz em cerca de 34% o risco de agravamento.
Hábitos que ajudam: comer mais fibras, verduras e legumes; reduzir açúcar, sal, embutidos e ultraprocessados; não fumar; evitar o excesso de álcool; manter o peso saudável e dormir bem.
Tratamento e atendimento
O tratamento depende do estágio da doença e inclui injeções de medicamento no olho, laser, que reduz em cerca de 50% o risco de perda grave da visão, e, nos casos mais avançados, cirurgia.
- No SUS, tudo é gratuito. A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Estratégia Saúde da Família (ESF), que encaminham o paciente ao oftalmologista.
- Nos planos de saúde, a ANS prevê cobertura para exames, laser, injeções e cirurgia de retina, conforme o tipo de plano.
Um alerta além dos olhos
Segundo Maria Auxiliadora, a retinopatia também é sinal de alerta para outras complicações do diabetes, como doença renal, AVC, doenças do coração e problemas de circulação que podem levar à amputação. “Por isso, o paciente com retinopatia merece atenção redobrada de toda a equipe que o acompanha”, afirmou.
Durante novembro, a campanha 24 Dias pelo Diabetes quer espalhar uma mensagem simples: a cegueira causada pelo diabetes pode ser evitada, desde que a doença seja descoberta a tempo. O exame de fundo de olho é rápido, é gratuito no SUS e pode ser feito antes de qualquer sintoma. Para quem tem diabetes, a recomendação dos especialistas é não esperar a visão piorar para procurar o oftalmologista.
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