Análise & Opinião

Abla Rahhal pode ter sido vítima de violência doméstica

Coluna publicada originalmente no Rondoniaovivo.com

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Brutal

 

Foi chocante receber a notícia e depois e confirmação da morte de Abla Rahhal, uma amiga querida, pessoa super de bem com a vida e amiga para todas as horas. Era comum encontrar aquela moça de sobrancelhas grossas, com um imenso sorriso no rosto, pronta para ajudar a todos em qualquer situação. Abla estava sempre acompanhada da filha de 10 anos, falante e carinhosa como a mãe. A pequena, que vai carregar para sempre o trauma de ter encontrado o corpo da mãe morta e num ato de desespero correu para a rua, gritando por socorro. Essa tristeza, certamente vai deixar uma marca tão profunda em sua alma que deverá tirar o sorriso de seu pequeno rosto. Oremos para que ela supere.

 

Pior

 

Foi a primeira versão de sua morte, essa ainda mais inacreditável. Quem conheceu Abla Ghassan Rahhal da Cunha sabe bem que essa hipótese jamais aconteceria. Abla era apaixonada pela vida e por sua filha, que já havia perdido o pai, já falecido. Ela jamais deixaria a pequena, ainda mais sabendo que existia a possibilidade real da mesma encontra-la morta, como de fato aconteceu. Mário Quevedo, jornalista em Vilhena, me disse hoje que viu as fotos do local e ele comparou a morte de Abla a “morte acidental” do jornalista Wladimir Herzog, encontrado morto em uma cela “suicidado” pelo regime militar. “Era a mesma cena, Alan. Ela estava em seu quarto, com os joelhos dobrados, impossível se enforcar daquela maneira”, disse Quevedo.

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Suspeitas

 

Não vou aqui fazer juízo de valores em relação ao marido de Abla, Fabiano Cesar Vergutz. Não o conheci pessoalmente, mas sei que ela estava imensamente feliz por ter encontrado uma pessoa para dividir sua vida, seus sonhos e mais, confiar parte da criação de sua filha. Todos os indícios apontam para um crime passional. Segundo o tio de Abla, o médico Amado Rahhal que esteve em Vilhena para remover o corpo e acompanhou os trabalhos de necrópsia, sua sobrinha foi agredida, apresentava marcas no rosto e no corpo, típicas de espancamento. “Mataram minha sobrinha, mataram a Ablinha”, me disse Amado no velório, domingo.

 

Abominável

 

O delegado responsável pelas investigações, Fábio Campos, todo o cenário indica que Amado Rahhal tem razão, Abla foi mesmo assassinada. Até agora a polícia sabe que ela estava em seu quarto, com a porta trancada por dentro e a janela aberta. Amigos relataram ter conversado com Abla até por volta das 3 horas da manhã de sábado. E segundo eles, ela estava bem. Animada com projetos pessoais e profissionais, não apresentou nenhum indicativo que iria se matar. O mais provável, e aí falo como amigo, é que, caso tivesse uma briga violenta com seu marido, Abla juntaria suas coisas e voltava para Porto Velho. Se matar não seria uma opção.

 

Tristeza

 

O clima é de comoção e incredulidade. Muita gente só acreditou de fato na morte de Abla quando foi ao velório e deparou-se com o corpo. Um final triste para quem passou pela vida de tanta gente, transmitindo alegria, alto astral e esbanjando otimismo. Se de fato Abla foi assassinada, como apontam os indícios, o responsável por esse crime brutal não apenas ceifou a vida de uma pessoa muito querida, ele tirou o sorriso, as esperanças e a alegria de uma menina de 10 anos, cuja maior felicidade era ter a companhia de sua mãe, a quem amava, admirava e respeitava. Apagou um sorriso que iluminava a vida dos amigos.

 

Despedida

 

O velório foi marcado por uma imensa tristeza. Cada pessoa que chegava desabava em choro ao confirmar a morte da amiga. Leal, um dos últimos grandes movimentos feitos por Abla foi organizar a campanha #ForçaJanine, que colheu sangue para o tratamento de Janine Corrêa, falecida em 19 de março último, vítima de uma rara enfermidade conhecida como “Doença de Still”. A mobilização encabeçada por Abla, conseguiu levar cerca de 600 pessoas a Fhemeron para doarem sangue para a moça. Essa era Abla Rahhal, solidária, amiga e apaixonada pela vida. Que Deus a tenha e que seja feita a justiça.

 

Esatísticas

 

Caso fiquei de fato comprovado que Abla foi morta pelo marido, ela será mais um número nas fileiras dos índices de violência contra a mulher em Rondônia, que aumentam a cada dia, de forma assustadora. Este ano já ocorreram casos assustadores, como esquartejamento, morte por paulada, esfaqueamentos e violência sexual. Esse é um cenário assustador e preocupante.

 

Mais violência

 

Um vídeo divulgado neste fim de semana mostra um motorista completamente embrigado que perdeu o controle do veículo e matou um ciclista atropelado na Avenida Calama, próximo a Salgado Filho. As imagens de uma câmera de segurança mostram a violência do choque e o condutor, descendo do veículo cambaleando. Ele foi flagranteado por crime de homicídio doloso, quando a pessoa tem intenção de matar. O motorista se chama Anderson Cerveira Lopes e o ciclista, que morreu na hora, Antônio Paulo do Nascimento.

 

Lei Seca

 

É por causa desse tipo de bêbado que houve o endurecimento da legislação. O juizado da 2ª Vara do Tribunal do Júri manteve a prisão de Anderson Cerveira. Os advogados recorreram e o relator do habeas corpus é o desembargador Valter de Oliveira.

 

Judiciário

 

Em sessão extraordinária realizada na manhã desta segunda-feira, 29, os desembargadores da Justiça de Rondônia rejeitaram por unanimidade, a suspeição proposta pela defesa do ex-prefeito Roberto Sobrinho contra o desembargador Gilberto Barbosa Batista dos Santos. O processo foi recebido pelo presidente do TJRO, desembargador Roosevelt Queiroz Costa, na última sexta-feira, dia 26. Relator natural desse tipo de caso, o desembargador, reconheceu a preclusão, ou seja, que o pedido teria sido feito fora do prazo estabelecido em lei, como questão preliminar (de conhecimento da matéria a ser julgada). No mérito, decidiu pela rejeição da suspeição por falta de fundamentação capaz de apontar qualquer óbice à participação do desembargador Gilberto no julgamento do Habeas Corpus do ex-prefeito.

 

Promessa de campanha

 

Mauro Nazif está à frente da prefeitura há mais de 100 dias. E a Marquise também continua no comando da coleta de lixo da capital. Interessante observar que o Tribunal de Contas encontrou pelo menos duas dezenas de irregularidades no contrato da Marquise com a prefeitura, inclusive, segundo o TCE, acréscimo de sobrepeso nos caminhões para que o valor a ser pago, que é por peso, fosse a mais.

 

Fale conosco

 

Contatos com a coluna podem ser feitos pelos telefones (69) 3225-9979 / 9209-0887, ou ainda pelo e-mail alan.alex@gmail.com. No Facebook.com/painel.politico, no Twitter.com/painelpolitico, Facebook.com/alan.alex.pvh ou ainda no www.painelpolitico.com. Caso queira entregar denúncias ou documentos, favor encaminhar para Avenida Abunã, 1345, Olaria, Porto Velho – RO aos cuidados de Alan Alex.

 

Fumaça de cigarro, mesmo apagado, impregna ambiente e eleva risco de câncer

 

Antes o cigarro só fazia mal a quem fumava. Depois passou a ser vilão também para quem inalasse a fumaça, ou seja, mulher de fumante é fumante passiva. Agora, de acordo com pesquisadores americanos, o tabagismo ganha mais uma culpa: mesmo com a brasa já há tempos apagada, ambientes devidamente defumados pelo tabaco são impregnados de partículas com efeitos cancerígenos por até dois meses, batizados com a expressão inglesa “thirdhand smoke”, ou “fumo de terceira mão”, em tradução livre. Isso mesmo, se seu filho vai à escola no carro em que você fuma o resto do dia, ele está mais exposto que aquela criança com pais que não gostam de tabaco. Como se trata de um tema de estudo recente - os primeiros trabalhos de referência começaram a ser publicados em 2009 -, o que se conseguiu provar até agora é que o risco existe. Mas ainda não se sabe se o fumo passivo é mais ou menos perigoso que o efeito dos ambientes impregnados por nicotina. A principal substância em questão é a nitrosamina. É o cancerígeno resultante da queima da nicotina e se apresenta em várias versões. Um estudo da Universidade de Berkeley, na Califórnia, tido como referência desde então, provou que o óxidos de nitrogênio disponíveis no ar, sobretudo nas grandes concentrações urbanas e industriais, reagem com a nicotina impregnada a ponto de torná-la de novo em nitrosamina inalante. O problema é que resíduos de nicotina têm capacidade de ficar depositados em superfícies de ambientes fechados, assim como em tecido e na pele humana.

Neste caso, entra em cena uma nova vítima do cigarro: nem o primeiro, aquele que traga; nem o segundo, que respira a fumaça; mas o que convive com a nitrosamina que reagiu com o óxido nítrico. Largar o vício é, de fato, uma vitória. Jaqueline Issa, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, em São Paulo, diz que, na lista de substâncias que causam dependência, a nicotina só perde para a heroína e o crack na dificuldade em largar. - Os estudos de contaminação de ambientes podem ajudar a mudar o comportamento a respeito do fumo. O carro hoje virou o fumódromo dos pais conscientes, mas provou-se que isso não é mais seguro - resume Jaqueline, que faz coro pela regulamentação da lei que proibiu os fumódromos.

Publicado originalmente no Rondoniaovivo.com em 29/04/2013.

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