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Alunas encontram câmera em banheiro de escola cívico-militar no PR

Estudantes do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé (PR), protestaram após encontrar câmera escondida no banheiro feminino; Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso.

Alunas encontram câmera em banheiro de escola cívico-militar no PR
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • Alunas do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé (Norte do Paraná), encontraram na segunda-feira (19) um dispositivo de gravação disfarçado de sensor de fumaça no banheiro feminino.
  • Segundo boletim de ocorrência, a direção da escola havia informado, três anos atrás, que o equipamento era um sensor de fumaça — não uma câmera.
  • O colégio confirma ter instalado câmeras, mas afirma que elas estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros, sem captar as cabines.
  • A Secretaria Estadual de Educação do Paraná (Seed-PR) retirou os equipamentos e diz não haver imagens armazenadas; a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) abriu inquérito.
  • Por que importa: o caso levanta suspeita de violação de privacidade de estudantes menores de idade em ambiente escolar, com acusações e versões ainda conflitantes entre alunas e direção.
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Alunas do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no Norte do Paraná, encontraram na segunda-feira (19) um dispositivo de gravação instalado no banheiro feminino da escola. Nesta terça-feira (20), estudantes protestaram na entrada do colégio cobrando explicações da direção. O caso foi registrado em boletim de ocorrência e é apurado pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR).

Como a câmera foi descoberta

Segundo relatos à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, uma aluna resolveu observar de perto um aparelho fixado na parede do banheiro que emitia luz vermelha. Por trás do plástico, havia um dispositivo de gravação. Outro estudante fotografou o sistema de monitoramento e registrou imagens capturadas pelas câmeras, mostrando cabines e espelhos do ambiente.

De acordo com o boletim de ocorrência, as alunas já sabiam da existência do equipamento havia três anos — mas a direção, à época, teria informado tratar-se de um sensor de fumaça para coibir o uso de cigarros no local, não de uma câmera de vídeo.

É importante distinguir o que é relato das alunas do que é confirmado pela escola: segundo o boletim, as estudantes afirmam ter usado a área comum do banheiro recentemente, inclusive para trocar de roupa, o que configuraria exposição não consentida de imagens íntimas — essa é a versão registrada por elas na ocorrência policial, ainda sob apuração.

O relato de uma das alunas

Uma das estudantes, cuja identidade não foi divulgada por se tratar de menor de idade, disse à RPC que a escola não avisou sobre a existência das câmeras e que os responsáveis não assinaram nenhum termo autorizando a captação de imagens no local.

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“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo” — depoimento de uma aluna à RPC/TV Globo Paraná.

A estudante também relatou que os responsáveis por monitorar as imagens eram militares da equipe de vigilância do colégio — modelo de gestão cívico-militar adotado pela unidade.

O que diz o colégio

Em nota distribuída aos pais e responsáveis, a direção do colégio confirmou ter instalado aparelhos de monitoramento, mas afirmou que as câmeras estavam direcionadas apenas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. Segundo a escola, a finalidade era acompanhar acessos e reforçar a segurança escolar.

A direção também afirmou que o estudante que fotografou o painel de monitoramento entrou sem autorização na sala usada pela equipe de monitores militares e acessou o computador da vigilância — fato que, segundo o colégio, ainda será apurado, assim como a divulgação posterior da imagem. A escola relatou ainda ter registrado, no mesmo dia, atos de vandalismo com a retirada forçada das câmeras instaladas nos acessos aos banheiros, e informou que vai adotar medidas administrativas e encaminhar o caso aos órgãos competentes.

Aqui também vale marcar a diferença de versões: a escola nega que as câmeras captassem cabines ou espelhos, enquanto o relato das alunas e o material fotografado por um estudante — segundo a reportagem da RPC — indicariam o contrário. Essa contradição é um dos pontos centrais que a investigação em curso deve esclarecer.

O que dizem Seed-PR e Polícia Civil

A Secretaria Estadual de Educação do Paraná (Seed-PR), por meio do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, informou que, assim que tomou conhecimento do caso, orientou a direção da escola sobre as providências cabíveis, com atenção à privacidade e à segurança dos estudantes. Segundo a secretaria, os equipamentos já foram retirados e não há imagens armazenadas. Uma equipe do NRE deve visitar o colégio para verificar a situação.

A Polícia Civil do Paraná informou que instaurou inquérito policial e está em diligências para apurar os fatos. Até a publicação desta matéria, não há indiciamento ou responsabilização formal de nenhum envolvido — a apuração segue em andamento, e as versões da escola e das alunas sobre o alcance das câmeras ainda não foram conciliadas.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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