Animais abandonados viram problema para município e ONG

Por falta de políticas públicas claras em relação aos animais, centenas são abandonados nas ruas de Porto Velho

Porto Velho — Há 10 anos, a responsabilidade de cuidar dos animais abandonados era do Centro de Zoonoses do município, mas de uns anos para cá, segundo o diretor Rodrigo Antônio Golin do Centro de Controle de Zoonoses de Porto Velho (CCZ)  devido várias leis ambientais e federais, hoje os departamentos de zoonoses não fazem mais esse tipo de serviço. A função especifica do CCZ é atuar apenas em cima dos animais que apresentam sintomatologia de algumas doenças que possam ser transmitidas aos seres humanos.

Os animais que apresentam sintomas de doenças são levados pela carrocinha e no departamento são realizados exames. Após liberação do laudo os animais doentes que não apresentam agravo a população são castrados e são doados as Organizações não Governamentais (ONG) que cuidam de animais abandonados. Elas tratam e dão os remédios necessários. Já os animais com doenças que apresentam risco a população e com doenças terminais, são sacrificados. Apenas nesse caso é permitido a eutanásia em animais.

ONG Amigos de Patas cuida dos animais abandonados que estão saudáveis. Os doentes são sacrificados
ONG Amigos de Patas cuida dos animais abandonados que estão saudáveis. Os doentes são sacrificados

Segundo o diretor do departamento de zoonozes, Rodrigo Antônio Rolim, a doença mais perigosa é a raiva, que é quase sempre fatal. Mas desde 2003, em mais de 100 casos analisados nenhum foi registrado positivamente. Antes de 2010 eram realizadas 2 campanhas de vacinação por ano. Como não houveram mais casos de animais contaminados com raiva na última década, agora só é realizada 1 campanha anual. Vale ressaltar que o departamento fornece a vacinação antirrábicadurante todo o ano, gratuitamente. Basta o proprietário levar o animal até o centro. O diretor ainda relatou que a função de retirar animais sadios são de competência do Detran, Semtran, e do Corpo de Bombeiros.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é obrigação dos órgãos de trânsito o recolhimento dos animais soltos que apresentem risco ao trânsito.

De acordo com o  secretário municipal de Transportes e Trânsito de Porto Velho, Carlos Gutemberg, a Semtran não tem veiculo apropriado para recolher os animais nas ruas ( Carrocinha). Também não tem local adequado para os animais coletados e não conta com corpo de veterinários para avaliar a saúde desses animais.

Carlos Gutemberg, "Semtran não tem veiculo apropriado para recolher os animais nas ruas"
Carlos Gutemberg, “Semtran não tem veiculo apropriado para recolher os animais nas ruas”

Um caso recente que o secretário relatou foi de um cavalo que estava atrapalhando o trafego da via. Embora sem recursos, a Semtran conseguiu retirar o cavalo e levou para o pátio do departamento onde lá ficou cerca de 1 mês pastando e comendo capim. Depois o animal foi encaminhado para a área rural, onde foi “adotado”.

“Criar uma estrutura desse porte para quando acontecer de um animal atrapalhar o transito é complicado. Quando o Semtran é acionada e se desloca para o local, o animal  não é mais encontrado. Então criar uma estrutura com técnicos e médico veterinário, e manter uma estrutura dessa dimensão paralisada, esperando alguem informar que tem um cachorro na rua é dificil”, explicou o secretário Carlos Gutemberg.

A grande questão é que é dever do município cuidar dos animais abandonados nas ruas e não apenas deixar a responsabilidade para ONGs, como tem ocorrido. E essa situação vem causando uma série de problemas, já que a quantidade de animais abandonados só aumenta. Em algumas regiões da cidade, dezenas de cães ocupam calçadas e reviram lixeiras. Nas imediações dos mercados municipais e feiras livres são onde ocorrem as maiores incidências de cachorros e gatos abandonados.

Dificuldades

A presidente da Associação Amigos de Patas, Clotilde Brito, relata que nos últimos tempos vem tendo dificuldades em manter os animais que lhe são encaminhados. O maior problema é a alimentação e a superlotação dos canis. Ela pede para que, quem puder ajudar, faça uma colaboração através Conta Corrente, Banco do Brasil, Agencia 3181-X,  conta corrente 25148-8 ou pode entregar diretamente na sede da associação, que funciona na Rua dos Sonhos, numero 2872, Bairro Costa e Silva. Ou por telefone, para falar diretamente com ela no numero (69) 9982-2772. Abaixo, um vídeo da presidente falando sobre a situação do abrigo.

Anúncios
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

1 thought on “Animais abandonados viram problema para município e ONG

Participe do debate. Deixe seu comentário

%d blogueiros gostam disto: