Apagão digital: 70% dos aprovados no CNU desistem de vagas de TI no Governo Federal
Com evasão recorde de candidatos, o Estado brasileiro perde competitividade para o mercado privado e coloca em xeque a fiscalização de contratos bilionários e a transformação digital pública

A baixa adesão à carreira de Analista em Tecnologia da Informação (ATI) do governo federal, observada no último Concurso Público Nacional Unificado (CNU), acendeu um alerta vermelho na Esplanada dos Ministérios. Levantamentos internos indicam que cerca de 70% dos candidatos convocados ao longo de oito chamadas optaram por não assumir o cargo. O índice é considerado atípico para o padrão de concursos federais, que costumam apresentar alta taxa de ocupação.
O cenário de fragilidade ficou exposto após o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciar a prorrogação da validade da primeira edição do CNU. A carreira de ATI, no entanto, ficou de fora da lista de novas convocações, uma vez que o cadastro de reserva já foi totalmente esgotado sem que as vagas fossem preenchidas. Dos 1.200 aprovados chamados, 700 desistiram formalmente ou não compareceram para assumir o posto

O paradoxo da Transformação Digital
O episódio revela um descompasso estratégico: enquanto o Governo Federal promove a digitalização de serviços como prioridade, o Estado falha em atrair o capital humano necessário para gerir essa infraestrutura.
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