Após acordo de paz perder nas urnas, Colômbia prorroga cessar-fogo com as Farc

Período de trégua deve durar até o fim do ano; enquanto isso, Santos tenta convencer a oposição a aceitar o fim do conflito que já dura meio século

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou que prorrogará o cessar-fogo com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) até o fim do ano. A medida busca promover os esforços para salvar o acordo de paz rejeitado, no início do mês, em referendo pela população.

Santos deu a notícia em um pronunciamento na televisão, feito logo após um encontro com estudantes, que fizeram uma manifestação para pedir que o acordo de paz com as Farc entre em vigor.

“Tomei a decisão de prorrogar o cessar-fogo bilateral até 31 de dezembro. Que fique claro: isto não é um ultimato ou um prazo irrevogável, mas espero que todo esse processo para ter um novo acordo termine antes”, explicou o presidente colombiano.

“Outras vidas, de soldados e de guerrilheiros, estão em jogo”, ressaltou Santos, que foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz deste ano por sua tentativa de chegar a um acordo com as Farc e colocar fim a um conflito de meio século no país.

Referendo

As negociações de paz com as Farc foram iniciadas há 4 anos pelo governo colombiano e ocorreram em Cuba. As duas partes chegaram a um consenso, mas Santos quis submeter o acordo à avaliação popular para ter legitimidade. Foi aí que o acordo foi travado.

Nas urnas, a opção por não aceitar o acordo foi escolhida por 50,2% dos votos válidos. A diferença entre o “não” e o “sim” foi de menos de 60 mil votos. O ex-presidente Álvaro Uribe, que é contrário ao acordo, fez uma forte oposição para que o texto não fosse aprovado em referendo. A campanha pelo “sim” tinha o apoio de Santos e de uma série de políticos dentro e fora da Colômbia, incluindo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

Um ponto a ser analisado sobre o referendo é o fato de que o acordo de paz parecia contar com mais entusiasmo internacional do que entre os próprios colombianos. A taxa de abstenção na consulta chegou a 63%.

Mesmo com o resultado negativo do referendo, as Farc continuam dispostas a encerrar o conflito. E Santos também. Agora, o presidente tenta convencer os opositores a aceitarem o acordo e seguir adiante. O cessar-fogo continuará até 31 de dezembro, mas o Santos ainda tem esperança de que o acordo de paz entre em vigor antes.

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