Assassino em série vai a júri por matar estrangeira em ritual; ele bebia sangue da vítima

O crime aconteceu em Pirenópolis (GO), há 12 anos

Mais conhecido como Corumbá, o artesão José Vicente Matias volta ao banco dos réus nesta quinta-feira (25/8). Ele vai enfrentar o júri popular em Pirenópolis (GO), sob a acusação de ter assassinado, com requintes de crueldade, a turista israelense Katryn Rakitov.

O crime aconteceu na cidade histórica, a 150km de Brasília, em abril de 2004. A investigação apontou que a vítima morreu a pedradas, em meio a um ritual de magia.

Em depoimentos, Corumbá confessou ter bebido o sangue da vítima, além de ter roubado pertences e 15 mil euros dela. A Justiça de Goiás o condenou a 27 anos de prisão por latrocínio (roubo com morte), por matar e roubar a israelense.

No entanto, os investigadores nunca encontraram o dinheiro e o réu, quando levado para depor na Justiça, na presença de um advogado, mudou a versão. Com isso, seus defensores conseguiram alterar a tipificação do crime.

Katryn Rakitov
Katryn Rakitov foi uma das vítimas de Corumbá

O Tribunal de Justiça goiano aceitou a alegação da defesa. A acusação passou para homicídio doloso, quando há a intenção de matar.

A mudança levou à marcação de novo julgamento, que ocorrerá na comarca de Pirenópolis nesta quinta e será presidido pelo juiz Sebastião José da Silva. Corumbá está preso no Maranhão, por outro crime.

Ainda não se sabe se ele estará presente no julgamento.

Corumbá é acusado ainda de matar outras cinco mulheres, três brasileiras e duas estrangeiras, que passaram por Goiás.

Mas ele ainda não foi julgado por nenhum desses crimes.

Os crimes

O jornal goiano “O Popular” localizou a dona de casa Valéria Augusta Veloso, de 37 anos, a goiana que policiais maranhenses suspeitavam que tivesse sido a primeira mulher a ser assassinada pelo acusado. Ela reside na Região Leste de Goiânia com o marido, o operário Constâncio Pereira da Silva, e com os três filhos menores, mas há cerca de quatro anos teve um envolvimento afetivo conturbado com o artesão, marcado por agressões e muitas idas e vindas.

Ela chegou a ser vista com ele em Barreirinhas (MA), na região dos Lençóis Maranhenses, a cerca de 350 quilômetros de São Luís, alguns dias antes de a alemã Marianne Kern, 49, ter sido encontrada morta. Por esse motivo, a equipe de policiais coordenada pelo delegado regional de Rosário (MA), José Maria Melônio Filho, acreditava que Valéria Augusta também tivesse sido assassinada.

A alemã Marianne Kern foi morta com pancadas na cabeça. De acordo com o delegado José Melônio, os golpes foram tão fortes que o rosto dela ficou desfigurado e o queixo, deslocado. O corpo da turista foi encontrado em adiantado estado de decomposição, enterrado em uma cova rasa, em uma praia de Barreirinhas. Durante as investigações, os policiais constataram que a mulher estivera alguns dias com o artesão, identificado como “Pedro”. A partir de então, o artesão passou a ser procurado como suspeito do crime.

Os policiais obtiveram a informação de que o suspeito havia se hospedado em uma pousada em São Luís, na rua do Sol. Nesse local, testemunhas disseram que ele havia ido para a cidade de Alcântara, a 10 quilômetros de São Luís. Os policiais se dirigiram para Alcântara e descobriram que o artesão seguiu para a Praia de Itatinga, com a espanhola Nuria Fernandez Collada. Os investigadores descobriram que José Matias retornara sozinho para Alcântara, o que os levou a admitir a possibilidade de que a espanhola pudesse estar morta.

A suspeita confirmou-se no dia 24. O cadáver de Nuria Collada, também assassinada com golpes na cabeça e no tórax, foi encontrado enterrado em uma cova, já em estado de putrefação. O fato de os dois crimes terem sido cometidos da mesma forma reforçou a suspeita do envolvimento dele. Segundo o delegado, em Alcântara o artesão preferiu ser chamado por “Corumbá”. Na sexta-feira, Kelson Nunes Campos foi preso em Santa Inês. Ele estava com um cartão magnético de Marianne Kern. De acordo com a polícia, Kelson havia sacado R$ 1,1 mil da conta da turista alemã e efetuado compras com o cartão de crédito dela, no valor de R$ 600.

Corumbá durante seu primeiro julgamento
Corumbá durante seu primeiro julgamento

Kelson confessou que recebeu o cartão de um homem com as características de Corumbá. Corumbá revelou que também matou, com uma pedrada na cabeça, a turista israelense Katryn Rakitov, com quem teve um caso, em abril de 2004, em Pirenópolis-Goiás. Corumbá, a princípio, tentou passar a versão de que a morte de Katryn, conhecida por Catarina, teria sido um acidente.

Contou que os dois se dirigiram para a Cachoeira da Andorinha, no município de Pirenópolis, seguindo por uma trilha deserta. No local, segundo Corumbá, eles banharam, fizeram amor na água e depois foram para um local mais distante, frequentado por banhistas. “Lá tem uma pedra de onde as pessoas pulam na água, a Pequena, como eu a chamava carinhosamente, bateu com a cabeça em uma pedra e desmaiou. Carreguei ela por cerca de dois quilômetros em busca de socorro, mas foi em vão”. Chorando e falando baixo, Corumbá continuou a narrativa, porém, sem admitir o assassinato. “Quando vi que ela estava sofrendo muito e que não tinha mais condições de carregá-la, a coloquei no chão e conversei com ela, mesmo desmaiada. Pequena, eu vou te deixar aqui, mas prometo voltar qualquer dia. Em seguida dei uma pedrada na testa dela e depois cobri o corpo, porque ela já estava morta“, falou o hippie. “Foi mesmo um acidente, eu não a matei, apenas impedi que ela ficasse sofrendo por mais tempo”, concluiu.

Em relação a Lidiayne, Corumbá disse que eles se conheceram um mês antes do crime. Ao se reencontrarem, no dia 19 de janeiro, resolveram, de comum acordo, se dirigirem a um cômodo alugado por ele, na Vila Mutirão II, onde beberam cerveja e fumaram maconha durante toda a noite e no decorrer do dia seguinte. “Ao anoitecer, já nos últimos minutos daquele dia, afirma o denunciado (Corumbá) que recebeu uma ordem sobrenatural para deitar a garota no chão, colocá-la em posição de cruz e cortá-la em tal posição”, relatou o promotor Abrão Amisy Neto, afirmando que, depois de acender velas pela casa, em suposto ritual, o réu se aproveitou da fragilidade física da vítima e de ela ter ingerido bebida alcoólica, e asfixiou Lidiayne, matando-a por estrangulamento. Em seguida, de acordo ainda com o MP, Corumbá decapitou a vítima e tentou esquartejá-la, não tendo, contudo, alcançado êxito neste ponto. Em seguida, o artesão colocou a cabeça da garota em uma sacola de plástico.

Quanto ao restante do corpo, amarrou as mãos e os pés e envolveu-os em uma colcha. Feito isso, acomodou tudo em um carrinho de mão e transportou o corpo da vítima até um matagal localizado nas proximidades, onde deixou a cabeça da menina e, posteriormente, lançou o corpo nas águas do Córrego Fundo.

Simone Lima Pinho, de 26 anos, desapareceu em 16 de junho de 2000, quando passava o São João em Lençóis, na Chapada Diamantina. Durante viagem à cidade de Lençóis, José Vicente Matias, matou a hippie e artesã. Ele indicou a policia o local exato onde jogou seu corpo, nas proximidades de um córrego cheio de pedras e a polícia conseguiu identificar os restos mortais da hippie e artesã assassinada em junho de 2000 a pauladas e pedradas.

Natália Canhas Carneiro, de 15 anos, foi seduzida por Corumbá antes de ser morta. Essa foi sua primeira vítima. O maníaco contou também que matou a jovem com um pedrada. Ele teria escondido o corpo sob galhos de árvores. A vida de Valéria Augusta Veloso, de 37 anos, passou por profundas alterações a partir de meados de 2002, quando conheceu José Vicente Matias. Ela conta que estava separada do marido, o operário Constâncio Pereira da Silva, que ficara com a guarda dos três filhos menores. Para manter-se, passou a vender sanduíches naturais em uma feira de artesanato instalada aos domingos na Praça Universitária. Em seguida, a dona de casa conheceu o artesão e, conforme disse apaixonou-se por ele. Dias depois, vendeu os móveis da casa para acompanhá-lo.

Nos últimos quatro anos, segundo conta, viajou para vários municípios de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Bahia, Piauí e Maranhão. “Eu queria ser a mulher dele, mas confesso que ficava muito preocupada com os meus três filhos. Por isso, voltei cinco ou seis vezes para casa”, revela. A última e talvez a mais aterrorizadora viagem que fez na companhia de José Matias teve início em dezembro do ano passado. Segundo relatos de Valéria Augusta, o artesão constantemente a xingava e fazia-lhe ameaças. “Ele dizia que ia me acertar, que jogaria alguma coisa contra mim”, denuncia.

Valéria Augusta conta que o companheiro escondeu seus documentos para que ela não fosse embora. Em meados de março, com medo de permanecer ao lado do artesão, ela decidiu fugir. Telefonou para o marido, em Goiânia, e pediu apoio financeiro. Para escapar, contou com a ajuda de um casal de hippies que também estava em Barreirinhas (MA). Valéria Augusta disse que fugiu descalça, apenas com a roupa que usava.

A história bizarra foi contada pelo Correio Braziliense e pelo Memórias Assombradas

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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