[su_frame align=”right”] [/su_frame]Empresário carioca afirmou ter dado dinheiro a cunhado do governador. Ele foi gravado e desistiu de vender os equipamentos, mas a propina não foi devolvida

Porto Velho – As movimentações dos grupos formados pelo cunhado do governador, Francisco de Assis não passaram desapercebidas por quem tem a função de proteger Confúcio Moura. Major Gualberto, chefe da Casa Militar passou a monitorar os passos de Assis tão logo percebeu que algo estava errado. Ele também informava ao Ministério Público seus avanços nas investigações e em determinado momento ele foi “brecado” por “ordens superiores”. Quem narra os detalhes dessa situação é Rômulo da Silva Lopes, afilhado de Confúcio Moura e morava com o governador na residência oficial, local que foi preso pela Polícia Federal no dia da Operação Termópilas, em 18 de novembro de 2011.

Confúcio decretou estado de calamidade para comprar hospital de campanha. Rômulo disse à PF que o cunhado de Confúcio, Assis, recebeu propina da empresa
Confúcio decretou estado de calamidade para comprar hospital de campanha. Rômulo disse à PF que o cunhado de Confúcio, Assis, recebeu propina da empresa

Em fevereiro de 2012, Rômulo depôs na Superintendência Regional da Polícia Federal em Rondônia, onde revelou detalhes de uma situação que chamava a atenção pelo sensacionalismo, mas até então não se sabia os motivos de tanto empenho, por parte do governo, em armar o circo. Estamos falando do “estado de calamidade”, declarado pelo governador no início de 2011 no setor de saúde de Rondônia. O governo convidou a reportagem da Rede Globo que na época produzia uma série chamada “JN no Ar” para mostrar a situação em que se encontrava o Hospital João Paulo II e na matéria Confúcio anunciava a implantação de um “Hospital de Campanha”, uma medida cara, utilizada em situações de calamidade, como enchentes e terremotos, que foi instalado em frente ao Pronto Socorro da capital a um custo de R$ 2,8 milhões.

Porém, Rômulo contou os detalhes da compra desse hospital, que segundo ele foi feita por uma empresa do Rio de Janeiro. Ele afirma que o cunhado de Confúcio, Francisco de Assis vinha “batendo de frente” com Márcio Gabriel (superintendente de Licitações) pois o mesmo se recusava a “fazer rolos” nas licitações. Assis encontrou uma maneira de contornar Márcio, utilizando atas de registros de preços de outros estados e aderindo a elas. Foi numa dessas atas que ficou acertada a compra do Hospital de Campanha e acendeu a luz vermelha na Casa Militar. Major Gualberto foi ao Rio de Janeiro para “comprar” o Hospital de Campanha. Chegando lá, ele encontrou uma pessoa identificada como Márcio, um lobista conhecido, segundo Rômulo, que representava os interesses de uma empresa americana. Durante as tratativas com Márcio, Gualberto deixou transparecer que queria obter alguma vantagem financeira com a compra. Neste momento, Márcio teria afirmado a Gualberto que “já tinha acertado com Assis”.

Romulo é afilhado de Confúcio e também fez delação premiada
Romulo é afilhado de Confúcio e também fez delação premiada

 

Ao ouvir tal afirmação, Gualberto teria dito, “perdeu playboy, te gravei”, e saiu da sala. Segundo Rômulo, quem lhe contou essa história foi o próprio Márcio e após esse episódio a empresa preferiu não fazer negócio, mas o dinheiro dado a Assis, não foi devolvido e a ata de registro de preço venceu. Rômulo conta, que mesmo assim o Estado efetuou a compra, através do orçamento do Corpo de Bombeiros. Algum tempo depois, Rômulo perguntou a Gualberto se de fato ele havia gravado a conversa com o lobista e o Major respondeu afirmativamente. A conversa nunca veio à público. Gualberto continua como chefe da Casa Militar do governo.

 

Alan Alex

Alan Alex

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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