BofA aponta Itaú como banco mais sólido do Brasil para 2027
Bank of America avalia que o Itaú reúne a melhor combinação de capital, liquidez e provisões entre os grandes bancos para enfrentar juros altos e crédito mais fraco em 2027
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- O Bank of America (BofA) aponta o Itaú Unibanco como o banco brasileiro mais preparado para um 2027 de juros elevados e possível piora do crédito.
- O capital tangível do Itaú equivale a 61% do patrimônio, contra 48% no Banco do Brasil e 34% no Bradesco.
- O Itaú tem índice de capital principal (CET1) de 12,7%, com folga de R$ 76 bilhões sobre o mínimo regulatório — acima dos R$ 50 bilhões do Bradesco e R$ 45 bilhões do BB.
- As ações do Itaú negociam a 1,9 vez o valor patrimonial projetado, ante 0,8 vez do Bradesco e 0,5 vez do BB — prêmio que o BofA atribui à qualidade do balanço.
- Por que isso importa: em um cenário de juros persistentemente altos, a capacidade de cada banco absorver perdas sem recorrer ao mercado pode definir quem sai fortalecido — e quem precisa de mais cautela dos investidores — da próxima fase do ciclo de crédito.
O Itaú Unibanco reúne as condições mais favoráveis entre os grandes bancos brasileiros para enfrentar um 2027 de juros persistentemente elevados e possível aumento dos problemas de crédito. A avaliação é do Bank of America (BofA), que identifica na instituição uma combinação superior de capital, liquidez e reservas para absorver perdas em um ambiente econômico mais adverso, segundo relatório do banco americano.
A vantagem está na composição do patrimônio
Segundo a análise do BofA, o Itaú possui capital tangível equivalente a cerca de 61% do patrimônio, acima dos aproximadamente 48% observados no Banco do Brasil (BBAS3) e dos 34% no Bradesco (BBDC4). O indicador desconta componentes como ágio de aquisições e ativos fiscais diferidos, que integram o patrimônio contábil mas não oferecem a mesma capacidade imediata de proteção diante de prejuízos.
Capital regulatório: uma folga bem maior
A distância entre os bancos também aparece no capital exigido pela regulação. Ao fim do terceiro trimestre, o Itaú encerrou com índice de capital principal (CET1) de 12,7%, o equivalente a um excedente de aproximadamente R$ 76 bilhões acima do mínimo regulatório. O colchão é superior ao observado no Bradesco, cuja folga é estimada em cerca de R$ 50 bilhões, e no Banco do Brasil, com aproximadamente R$ 45 bilhões.
Liquidez e provisões reforçam a proteção
Para os analistas do BofA, a vantagem do Itaú não se limita aos indicadores de capital. O relatório cita a robustez das provisões para contingências tributárias, cíveis e trabalhistas como ponto favorável, além de métricas de liquidez superiores às dos concorrentes. O banco também adota um perfil de captação mais conservador do que o Bradesco, que mantém uma relação maior entre depósitos e empréstimos.
Por que o Itaú é negociado com prêmio
Essa combinação ajuda a explicar a diferença de preço das ações. As ações do Itaú negociam em torno de 1,9 vez o valor patrimonial projetado, acima dos múltiplos de aproximadamente 0,8 vez para o Bradesco e 0,5 vez para o Banco do Brasil. Na leitura do banco americano, o preço mais alto reflete a qualidade do balanço — não apenas uma preferência do mercado.
O que está em jogo para 2027
A análise ganha peso diante das incertezas para o próximo ano. Juros altos por mais tempo podem pressionar a capacidade de pagamento de famílias e empresas, enquanto eventuais mudanças nas regras de capital exigiriam maior disciplina financeira das instituições. Nesse cenário, o BofA considera a resistência do balanço um critério central para diferenciar os bancos brasileiros.
Bradesco: solidez menor, mas aposta de recuperação
Embora aponte o Itaú como líder em solidez, o BofA também vê espaço para valorização do Bradesco — com uma tese diferente. Em vez de um balanço mais defensivo, o atrativo estaria no desconto de mercado atual e na possibilidade de recuperação gradual da rentabilidade nos próximos trimestres. O relatório separa, assim, dois perfis de investimento no setor: o Itaú como referência em capacidade de enfrentar uma eventual deterioração do crédito, e o Bradesco concentrando a expectativa de melhora operacional. Para o BofA, essa distinção deve ganhar importância à medida que os bancos se aproximam de 2027 sob maior pressão macroeconômica e regulatória.
A leitura do BofA chega num momento em que o próprio banco já vinha reduzindo apostas no setor financeiro brasileiro de forma mais ampla, por conta de projeções de lucro mais fracas para 2027 — mas mantendo o Itaú entre as ações preferidas. É um sinal de que, para os analistas, a diferenciação dentro do setor bancário deve pesar mais do que o desempenho do setor como um todo nos próximos trimestres.
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