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Brasil pode ultrapassar EUA como maior exportador agrícola

Financial Times projeta que o Brasil pode superar os Estados Unidos em exportações agrícolas ainda em 2026, puxado pelo deslocamento de compras chinesas de soja e algodão

Brasil pode ultrapassar EUA como maior exportador agrícola
📷 Semadesc
📋 Em resumo ▾
  • Financial Times projeta que o Brasil pode ultrapassar os EUA como maior exportador agrícola do mundo, possivelmente ainda em 2026
  • Em 2025, os EUA ainda lideravam, mas por margem estreita: US$ 171 bilhões contra cerca de US$ 169 bilhões do Brasil
  • Mudança é atribuída sobretudo ao deslocamento de compras chinesas de soja, iniciado com as tarifas de Trump em 2018
  • Mato Grosso é citado como polo central da expansão da produção de grãos no Brasil
  • Projeção é condicional — depende da continuidade das tendências atuais — e não tem data exata de concretização
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O jornal britânico Financial Times projetou que o Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos como maior exportador agrícola do mundo, possivelmente ainda em 2026. Segundo a reportagem, os EUA estão “prestes a perder a liderança mundial nas exportações agrícolas para o Brasil” — mas trata-se de uma projeção condicional, não de um fato consumado nem de um prazo fixo em semanas.

A diferença já é mínima

Em 2025, os Estados Unidos ainda lideravam o ranking de exportações agropecuárias, mas por margem estreita: US$ 171 bilhões, contra aproximadamente US$ 169 bilhões do Brasil — uma diferença de pouco mais de 1%. Para efeito de comparação, em 2021 essa diferença era de US$ 56 bilhões. No primeiro semestre de 2026, as exportações agrícolas brasileiras cresceram 6%, atingindo um recorde de US$ 87 bilhões no período, segundo apuração da CNN Brasil.

Em algodão, o avanço já teria se consolidado: segundo o Financial Times, o Brasil já ultrapassou os Estados Unidos como maior exportador do produto, com dados da Datamar mostrando alta de 24,3% nas exportações em contêineres no acumulado do ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em outubro, nova apuração (Revista Business, 12/10) reafirmou a diferença de cerca de US$ 2 bilhões entre os dois países, com base no fechamento de 2025, e repetiu o volume de US$ 87 bilhões do Brasil no primeiro semestre de 2026 — sem apresentar, porém, um total atualizado dos EUA para o ano corrente nem data certa para a eventual ultrapassagem. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações do setor agropecuário brasileiro cresceram 12,8% em setembro de 2026 ante o mesmo mês de 2025, atingindo US$ 6,17 bilhões no período — sinal de que o ritmo de alta se manteve no segundo semestre, mesmo sem comparação direta disponível com o desempenho americano no mesmo intervalo.

O que está puxando a mudança

A causa central seria um deslocamento de compras: a China reduziu fortemente as importações de soja americana após as tarifas impostas por Donald Trump em 2018, substituindo parte desse volume por soja e algodão brasileiros. Em 2025, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja à China, enquanto os embarques americanos ficaram abaixo de 10 milhões de toneladas.

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O Financial Times, porém, faz questão de frisar que o avanço brasileiro “não é simplesmente consequência da política comercial americana”, refletindo décadas de mudança estrutural: disponibilidade de terra barata, possibilidade de até três safras por ano em algumas regiões, correção de solos pobres em nutrientes e variedades de cultivo adaptadas ao clima tropical. Do lado americano, pesam fatores como margens apertadas, tarifas imprevisíveis e dependência do mercado interno — cerca de 40% do milho dos EUA é destinado à produção de etanol.

A publicação também menciona fatores de 2026, como as tensões entre EUA e China e os efeitos do conflito entre Irã e Israel sobre o comércio global e os preços de fertilizantes — insumo que o Brasil majoritariamente importa.

Mato Grosso é a região citada

Ao contrário da informação de que “Centro-Oeste e Sudeste são as regiões mais beneficiadas”, a reportagem do Financial Times tem como foco específico o estado do Mato Grosso, com uma seção dedicada intitulada “The rise of Mato Grosso” (“A ascensão de Mato Grosso”). As cidades de Sorriso e Lucas do Rio Verde, ambas no estado, são citadas como exemplos de municípios que cresceram em torno do agronegócio.

Riscos para o Brasil, segundo o próprio FT

A reportagem não é só otimista: cita juros domésticos altos, queda nos preços das commodities e custo crescente de fertilizantes como riscos para a continuidade da expansão agrícola brasileira.


🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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