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Brasileira é condenada à prisão perpétua na Itália por matar marido

Tribunal de Busto Arsizio aplicou pena máxima por homicídio premeditado. Caso revela rede de oito acusados e reabre investigação sobre morte de ex-marido em 2011

Brasileira é condenada à prisão perpétua na Itália por matar marido
📷 Reprodução
📋 Em resumo
  • Adilma Pereira Carneiro recebe prisão perpétua por orquestrar a morte do marido na Itália
  • Crime, ocorrido em 2024, simulou atropelamento para garantir herança de 3 milhões de euros
  • Sete cúmplices foram condenados, incluindo o ex-amante e o filho da ré
  • Justiça italiana reabre inquérito sobre a morte de um ex-marido da brasileira em 2011
  • Por que isso importa: O caso expõe as falhas na perícia inicial de trânsito e os riscos de crimes patrimoniais complexos na Europa
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A brasileira Adilma Pereira Carneiro, de 50 anos, foi condenada à prisão perpétua pelo Tribunal de Assize de Busto Arsizio, na Itália, pela morte de seu marido, Fabio Ravasio. O crime, ocorrido em agosto de 2024, foi inicialmente dissimulado como um atropelamento, mas a Justiça identificou uma complexa trama orquestrada para assegurar uma herança milionária.

Após 12 horas de julgamento, a Corte apontou a ré como a mandante de um plano que envolveu oito pessoas. A sentença marca o desfecho de uma investigação que desmontou a narrativa de acidente de trânsito, revelando uma operação fria e calculada.

“Um abismo de imoralidade, capaz de manipular qualquer um para seus próprios fins”, afirmou o promotor durante o julgamento, ao descrever o perfil da condenada.

A mecânica de um homicídio patrimonial

O homicídio ocorreu em 9 de agosto de 2024, na cidade de Parabiago. Fabio Ravasio, de 52 anos, foi atropelado enquanto retornava para casa de bicicleta. Segundo o Ministério Público italiano, o evento não foi um acidente, mas uma emboscada planejada para que Adilma herdasse o patrimônio do marido, avaliado em cerca de 3 milhões de euros.

A sentença detalha que o crime foi preparado ao longo do tempo, com reuniões, contatos e uma rígida divisão de tarefas. A complexidade da execução exigiu a participação de uma rede de apoio, transformando um ato violento em um empreendimento criminal organizado.

A rede de conivência e as penas aplicadas

Além de Adilma, outras sete pessoas foram condenadas por seu papel na execução do plano. Marcello Trifone e Fabio Lavezzo receberam prisão perpétua por atuarem como executores materiais do atropelamento.

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O ex-amante da ré, Massimo Ferretti, foi sentenciado a 24 anos de prisão. Ele confessou sua participação durante as investigações, alegando ter sido dominado por um "apego doentio". Ferretti forneceu informações sobre a rotina da vítima e participou da escolha do local da emboscada em seu estabelecimento comercial.

Outros envolvidos receberam penas significativas: Igor Benedito, filho de Adilma e apontado como o motorista do veículo, pegou 23 anos; Mohammed Dhaibi, que bloqueou a estrada fingindo estar doente, 22 anos; Mirko Piazza, vigia da ação, 14 anos e quatro meses; e Fabio Oliva, o mecânico que reparou o carro após o crime, 14 anos.

A defesa e a narrativa da manipulação

Durante todo o processo, Adilma Pereira Carneiro negou as acusações. Em sua defesa final, alegou ter sido manipulada e tentou transferir a responsabilidade para Massimo Ferretti, afirmando que ele teria procurado um matador de aluguel por conta própria.

No entanto, as investigações apontaram que foi a própria ré quem pressionou o ex-amante a contratar um mercenário. O plano original foi abortado apenas devido ao preço proibitivo de 100 mil euros, o que levou o grupo a optar pela simulação do atropelamento. Os advogados da família da vítima celebraram a condenação, considerando-a justa e refletiva da gravidade dos fatos.

O espectro de 2011 e o padrão criminal

O desfecho deste julgamento abriu uma nova e sombria frente investigativa. A Justiça italiana reabriu o inquérito sobre a morte de Michele Della Malva, ex-marido da brasileira, ocorrida em dezembro de 2011.

Na época, o óbito foi atribuído a um infarto. Agora, o Ministério Público investiga a hipótese de envenenamento a mando da esposa. A imprensa italiana já apelidou a ré de "louva-a-deus de Parabiago", uma referência ao inseto cuja fêmea devora o macho durante ou após o acasalamento, sugerindo um padrão comportamental de eliminação de cônjuges para ganho financeiro.

Lições sobre a perícia e a fraude patrimonial

O caso expõe uma vulnerabilidade crítica nos sistemas de investigação inicial de acidentes de trânsito. A facilidade com que um homicídio premeditado pode ser mascarado como um infortúnio viário exige que as autoridades adotem um ceticismo forense mais agudo, especialmente quando há grandes somas de dinheiro em jogo e beneficiários diretos.

A sentença encerra um capítulo judicial, mas a sombra de 2011 paira sobre o caso. Se o padrão de eliminação de cônjuges for confirmado, a narrativa de um crime passional isolado dará lugar à de uma operação serial de fraude e homicídio.

Resta à Justiça italiana determinar se a impunidade de uma década foi apenas uma falha de perícia ou o primeiro ato bem-sucedido de uma estratégia criminal de longo prazo.


Versão em_audio disponível no topo do post.

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