Cacoal: Conversas de whatsapp mostram que polícial e ex-chefe de gabinete tramaram morte de ex-secretário de saúde

Com acesso a informações de dentro da Polícia Civil, agente que está preso alertou ex-chefe de gabinete da prefeitura

Porto Velho (da redação) — O policial civil Richardson Palácio, preso na “Operação Detalhes” deflagrada pelo Ministério Público Estadual e a Polícia Civil, conversava, e muito, com a ex-chefe de gabinete do prefeito Franco Vialleto. O Ministério Público teve acesso a dezenas de páginas de conversa do aplicativo whatsapp entre os dois, que tramavam diversos crimes, entre eles o possível assassinato do ex-secretário municipal de saúde de Cacoal, Márcio Welder, que teria denunciado todo o esquema de corrupção. Painel Político, que vem acompanhando o caso desde o início, teve acesso a alguns trechos das conversas.

Maria Ivone e Richardson Palácio chamavam Welder de “Grilo” nas conversas e batizaram o plano para “eliminar” o ex-secretário de “operação Baygon”. Em uma das conversas, Ivone deixa claro que o policial estava fazendo “campana” na frente da casa de Welder. Uma conversa registrada no dia 17 de março, às 6h03min da manhã, ela pergunta, “bom dia, algum sinal do inseto na opera baygon”? e o policial responde, “acabei de chegar de lá. Nenhum movimento de madrugada. Saí porque amanheceu, podia queima (sic)”. Ela então questiona se havia alguma luz acesa, e ele responde que um dos banheiros está, ela então sugere que Welder tenha ido embora, “tô achando que ele já vazou. Deixou essas luzes desde ontem. Para pensar que tem gente”.

Em outra conversa, Maria Ivone afirma que vai precisar de proteção por um tempo, “e também serviço de inteligência”, porque segundo ela, “vamos ter grandes licitações e muitos problemas pela frente, além da próxima campanha”, e prossegue afirmando que “raramente se engana” e que “Grilo foi uma raridade”. O policial confirma seu interesse em trabalhar na prefeitura, mesmo tendo uma redução de R$ 1.500 em seu salário mensal, ele diz que “tá louco para dar um tempo da polícia. Muita mediocridade. Não aguento mais. Só não saio porque faltam 6 anos para me aposentar”. Ela então responde, “vai ser ótimo. Sábado te apresento nosso prefeito”. Antevendo problemas Palácio informa, “só que te adianto. Vão me queimar. Perigoso. Matador. kkk”.

Pela sequência das conversas, o policial foi convocado para trabalhar na prefeitura. A ex-chefe de gabinete fala sobre a necessidade de colocar escutas clandestinas em salas de adversários. Ela também revela que durante um tempo fez parte da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) onde, segundo ela, teria aprendido “diversas técnicas”, mas que não havia gostado do trabalho porque “eles usam as pessoas”. Ela então convida o policial para viajar à Cuba, ele reponde que “não tem dinheiro para isso não” e ela responde, “não se preocupe. Tudo pago pelo governo de lá pelo programa Mais Médicos. Governo de Cuba quer nos levar para conhecer as belezas de lá”. E alerta, “só não comenta por causa de invejas e ciúmes”.

O policial também revela à ex-chefe de gabinete que está sendo montada uma operação “igual aquela de Buritis”, referindo-se a Operação Perfídia, ocorrida em março deste ano que investigou desvio de verbas no município. Ele alerta, “tão tratando o Grilo como celebridade”, referindo-se a Welder. Richardson deixa claro em algumas conversas que ele tem informações privilegiadas dentro da Polícia Civil, e faz uso delas, ao alertar a parceira sobre o andamento das investigações. Nas conversas eles também tratam da compra de armas, inclusive de rifles, calibre .50, usados para matar pessoas à longa distância. Tanto Palácio, quanto Ivone continuam presos provisóriamente.

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Trecho da conversa de whatsapp entre o policial e a então chefe de gabinete da prefeitura de Cacoal
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Trecho da conversa de whatsapp entre o policial e a então chefe de gabinete da prefeitura de Cacoal
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Trecho da conversa de whatsapp entre o policial e a então chefe de gabinete da prefeitura de Cacoal
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Trecho da conversa de whatsapp entre o policial e a então chefe de gabinete da prefeitura de Cacoal
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Trecho da conversa de whatsapp entre o policial e a então chefe de gabinete da prefeitura de Cacoal

 

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

1 thought on “Cacoal: Conversas de whatsapp mostram que polícial e ex-chefe de gabinete tramaram morte de ex-secretário de saúde

  1. amigo jornalista voçe me parece um jornalista serio, digo que um do melhores do nosso estado, suas cronicas me parece serias e de coragem, nao caia nessa armação colocada acima, analise os fatos, pegue os autos e veja existe varias armações e fraudes cometidas por autoridades, e mesmo que foi posto acima nao indica nada criminoso, isso se trata pura utilização da policia para perseguir desafetos políticos, nosso judiciário esta contaminado com essas mentiras, faça sua investigação e vera que e mais pura verdade.

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