Caminhoneiros desistem de impeachment por falta de adesão popular, “povo só protesta no virtual”

Um balanço apresentado pela Revista Veja mostra que os caminhoneiros voltaram nesta terça-feira a bloquear rodovias e fazer manifestações em pelo menos oito Estados – Ceará, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins e Goiás. Este é o segundo dia de protesto organizado pelo Comando Nacional do Transporte (CNT), grupo desvinculado dos sindicatos da categoria. Nesta segunda-feira, os caminhoneiros haviam fechado 43 pontos de estradas em catorze Estados, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Um dos líderes do movimento Ivar Luiz Schmidt disse hoje ao site de VEJA que o objetivo inicial era pressionar a presidente Dilma Rousseff a renunciar. Mas como, segundo ele, a greve não ganhou adesão popular, os caminhoneiros agora vão focar nas reivindicações da categoria, como a criação do frete mínimo, redução do preço do óleo diesel e liberação de crédito com juros subsidiados.

“Nós tínhamos como principal pauta a renúncia da presidente Dilma Rousseff para que o povo se juntasse a nós. Mas o povo não atendeu. Então, nós vamos direcionar a pauta para a categoria”, disse Ivar. “Não adianta só ficar na rede social. Apoio virtual é insignificante”, acrescentou, criticando a falta de mobilização popular.

Nesta segunda-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que o movimento tem “viés político” e determinou a aplicação de multa de 1.915 reais a quem obstruir as estradas. Com o tom áspero, o ministro disse que a Polícia Federal está autorizada a atuar “com rigor” e o “efetivo necessário” para impedir os bloqueios. “Nós não podemos admitir que um movimento político, sem nenhum viés de reivindicação corporativa, sem nenhum viés de reivindicação para a categoria dos caminhoneiros possa trazer prejuízo para a sociedade brasileira. Portanto, atuaremos com vigor para evitar que estradas possam ter obstado o seu livre trânsito”, afirmou por meio de áudio divulgado pela assessoria da pasta.

O líder da CNT mantém contato constante com os movimentos que organizaram os grandes protestos que pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff – mais especificamente, com o Revoltados Online e o Movimento Brasil Livre, que usaram ontem as suas páginas nas redes sociais para apoiar a greve. O Vem pra Rua, por sua vez, tentou se distanciar do movimento, enviando uma nota dizendo que “não apoia pautas específicas”, mas “movimentos pacíficos e ordeiros”.

Ivar também voltou a dizer que não há previsão de término da greve. “Vai depender do limite de cada ser humano, pode ser um dia, dois dias, ou uma semana. Não dá para dizer quanto vai durar”, disse. Ele também afirmou que hoje está se dirigindo a Brasília para se encontrar com integrantes do Revoltados Online.

Confira a seguir onde são os bloqueios nos Estados do país, segundo o último boletim da PRF:

Ceará – Caminhoneiros interditam parcialmente o quilômetro 316 da BR 222, em Tianguá.

Goiás – Há interdição parcial da BR 364 no quilômetro 300, na altura da cidade de Mineiros.

Minas Gerais – Estão parcialmente interditados dois pontos na BR 381, do quilômetro 359 ao 513, passando pelas cidades de João Monlevade e Igarapé. Também estão bloqueados o quilômetro 558 da BR 040, e os quilômetros 369 e 412 da BR 262.

Paraná – A BR 376 está parcialmente interditada em dois pontos, nas cidades de Nova Esperança e Paranavaí. Também há manifestantes bloqueando a passagem de caminhões na BR 476, em União da Vitória; na BR 373, no quilômetro 479, em Coronel Vivida; e na BR 369 no quilômetro 178,7. Está parcialmente bloqueada a BR 153, em Ibaiti.

Santa Catarina – Há três pontos de bloqueio, todos parciais, na BR 116, no quilômetro 54, em Papanduva; no quilômetro 138, em Santa Cecília; e no quilômetro 280, em São Francisco do Sul.

Tocantins – Manifestantes interditam o quilômetro 240 da BR 153, na altura da cidade de Colinas do Tocantins. Podem passar ônibus, veículos de passeio e ambulâncias.

Rio Grande do Sul Motoristas protestam sem interditar as estradas federais. Em Pelotas, há protestos na BR 116, quilômetro 66. Também há manifestantes em dois pontos da BR 386, na altura das cidades Soledade e Sarandi; na BR 285, do quilômetro 273 ao 497; na BR 472, em dois pontos do município de Santa Rosa, nos quilômetros 155,5 e 168.

Na Bahia – Não há interdição, mas o quilômetro 805 da BR 242, em Barreiras, registra manifestações.

Anúncios
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

1 thought on “Caminhoneiros desistem de impeachment por falta de adesão popular, “povo só protesta no virtual”

  1. O povão está trabalhando!… Mas o povo APÓIA OS CAMINHONEIROS!!!!

    DIA 15 VAMOS VOLTAR ÁS RUAS E QUEREMOS AJUDA DOS CAMINHONEIROS!!!

    FIQUEM COM DEUS E A LUTA CONTRA O SOCIALISMO CONTINUA!!!

Participe do debate. Deixe seu comentário

%d blogueiros gostam disto: