Canil suspeito de operar cães sem anestesia no ES é denunciado ao MP

Canil suspeito de operar cães sem anestesia no ES é denunciado ao MP.

A CPI dos Maus-tratos aos Animais, da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, denunciou ao Ministério Público o canil Villa Blue Point, em Vila Velha, onde há suspeita de realização de cirurgias sem anestesia em cães. Um dossiê com os fatos apurados foi entregue à Procuradoria Geral da Justiça nesta terça-feira (11).

Uma das donas do estabelecimento é suspeita de comprar remédios e vacinas com os documentos de uma veterinária sem a autorização dela. Já a outra dona é suspeita de realizar cirurgias mesmo sem ter formação em medicina veterinária, situação agravada por haver indícios de que não era utilizada anestesia nos procedimentos, mas uma substância que paralisava os animais.

O G1 tentou contato com as envolvidas, mas as as duas estavam com os celulares desligados na tarde de terça-feira (11).

O documento foi produzido depois que as duas depuseram na CPI, no dia 28 de março . Elas foram convocadas após uma inspeção feita no canil pela Comissão, pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) e pelo delegado titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, além da ONG Sopaes, no dia 21 do mesmo mês.

“Diante do que a CPI conseguiu apurar, nós estamos repassando o resultado da investigação para que o Ministério Público possa adotar as medidas cível e criminal cabíveis contra as duas investigadas”, declarou a presidente da CPI dos maus-tratos, Janete de Sá.

O dossiê foi entrege ao subprocurador geral da Justiça, Eder Pontes. “O Ministério Público vai cumprir o seu papel de apurar as responsabilidades apontadas aqui neste trabalho tão qualificado. Esse tipo de prática é uma covardia. Nessa altura do campeonato, em pleno século XXI, gente fazendo mal aos animais e focando no enriquecimento ilícito, com práticas que buscam apenas o benefício próprio”, disse.

Investigação

Na verificação do local, a equipe que compõe a CPI constatatou a presença de 150 cachorros das raças Sptiz Alemão, Yorkishire e Maltês. Havia também uma sala cirurgica desativada, uma grande quantidade de medicamentos de uso humano, jaulas enferrudas e uma fossa a céu aberto, para o recebimento de fezes e carcaças de animais.

Conforme o documento, uma das donas também é suspeita de comprar medicamentos controlados e vacinas utilizando o nome de uma veterinária, que também depôs na CPI e afirmou que realizou algumas cirurgias no local por meio de uma troca de serviços, mas que não tinha vínculo nenhum com o canil.

A outra dona é suspeita de operar os cães sem ter formação em medicina veterinária. Há suspeitas de que os procedimentos, que consistiam em cirurgias mutilantes, castrações, cesarianas, entre outros, eram realizados sem o uso de anestesia.

A veterinária disse que deixou de prestar serviços no local devido a desavenças. Ela falou que chegou a ser pressionada a fazer cirurgias e que, caso ela não fizesse, quem faria seria a dona. A veterinária disse que a mulher não tinha conhecimento para realizar as cirurgias, que aprendeu a operar observando um veterinário que atuava anteriomente no local e que dúvidas sobre os procedimentos eram pesquisadas na internet.

Segundo a CPI dos Maus-tratos, o estabelecimento nunca foi registrado no Conselho Regional de Medidica Veterinária, na junta comercial, em órgãos ambientais e fazendários nem nas esferas municipal, estadual e federal. Também não havia um profissional médico veterinário responsável pelo local e pelos animais.

Sem anestesia

Vídeos e fotos mostraram as duas mulheres realizando cirurgias nos animais. As imagens mostram que os animais se mexiam e latiam durante o procedimento.

A CPI apurou que, nos procedimentos clandestinos, elas não utilizavam anestesia, mas uma substância chamada “Centra”, que faz com que o animal não reaja mesmo sentindo dor durante e depois da cirurgia.

Pedidos da CPI:

  • Suspensão imediata das atividades do canil clandestino Villa Blue Point;
  • Sequestro em caráter incidental de todos os cães que se encontram no local, não permitindo a venda, a procriação, doação e exposição deles até o fim do processo;
  • Nomeação de perito para catalogar os cães que estão sob a posse da proprietária;
  • Fiscalização mensal das atividades pelo CRMV e pela Sopaes;
  • Determinação que qualquer procedimento necessário para garantir a saúde dos animais sob guarda da proprietária seja realizado por veterinário contratado por ela para esse fim;
  • Que sejam adotadas medias cabíveis para ajuízamento de ações penais em desfavor de Nicole Presotti Corteletti e Letícia Medeiros de Oliveira;
  • Perda da guarda dos animais caso as denunciadas sejam condenadas.
 Fonte: g1/es
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