Roberto Jefferson é preso em sua casa no interior do Rio

A Polícia Federal cumpriu às 12h21 desta segunda-feira, 24, o mandado de prisão expedido pelo STF contra o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), condenado a sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto no processo do mensalão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele foi conduzido numa viatura à Superintendência da PF no centro do Rio.

Poucos minutos antes, os agentes da PF, que desde a madrugada de sábado fazem plantão em frente à casa de Jefferson em Comendador Levy Gasparian, no interior do Estado do Rio, entraram no imóvel e lhe apresentaram a ordem de prisão.

Jefferson assinou o documento, foi até o portão de sua casa e disse aos jornalistas: “Como vocês estiveram dias e dias aqui na porta da minha casa, aqui está o mandado de prisão. Agora vou tomar um banho e descer com a PF (para o Rio de Janeiro). Boa tarde a vocês e desculpe o mau jeito.”

No início da manhã Jefferson havia criticado a demora para a chegada do mandado, mas ao receber o documento ele amenizou a crítica: “(a demora) Faz parte da burocracia”.

Jefferson foi uma das figuras centrais do processo do mensalão. Fez a denúncia da existência do esquema em 2005 em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Naquele momento, ele e seu partido estavam acuados por denúncias de irregularidades nos Correios, empresa pública que era controlada pelo PTB. Em depoimento à CPI do Mensalão, em agosto de 2005, o então deputado disse que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu provocava nele “os instintos mais primitivos”. No mesmo ano, em setembro, teve o mandato cassado pela Câmara.

PF indicia Joesley Batista, do JBS por fraude financeira

A Polícia Federal indiciou o dono da J&F, controlador do maior frigorífico do mundo, o JBS (JBSS3), e a ex -presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, pela realização de empréstimos cruzados entre instituições financeiras nas quais possuem participação.

As operações envolveram empréstimos de R$ 160 milhões. A pena pode chegar até seis anos de prisão, além de multa. Foram indiciados, além de Kátia Rabello, outros representantes do Rural condenados por mensalão ­ Vinicius Samarane e José Roberto Salgado, além de Joesley Batista, controlador do J&F, e outras treze pessoas.

De acordo com os investigadores, eles participaram de uma sequência fraudulenta de operações financeiras e empréstimos bancários, de modo a burlar a legislação e realizar um aumento de capital do Banco Rural, conforme noticiado pelo jornal O Estado de S. Paulo na véspera.

A investigação da PF chamou a atenção para empréstimos feitos em datas muito próximas entre empresas dos dois grupos. O banco Rural teria emprestado R$ 80 milhões ao grupo J&F Participações e à empresa Flora Produtos Higiene e Limpeza, em dezembro de 2011. E, no mesmo dia em que as empresas do grupo J&F receberam os empréstimos em sua conta no Banco Rural, o dinheiro foi transferido às contas do Banco Original, que pertence à J&F.

De acordo com a PF, o dinheiro do Rural voltou tanto para as empresas ligadas a ele quanto ao próprio banco.

Vale ressaltar que, no documento obitdo pela Folha de S. Paulo, a PF avalia que tudo que leva a crer é que o interesse no Banco Rural nesta operação foi a obtenção de recursos pela controladora, a Trapézio, para um aumento de capital de R$ 65 milhões. Tanto o grupo J&F quanto a ex­presidente do Banco Rural negaram a realização de empréstimos cruzados.

Infomoney.com.br

Deputado do castelo, que já foi cassado, deve assumir vaga deixada por Azeredo

Edmar Moreira (PTB-MG), que ficou conhecido como o deputado do castelo, pode assumir a vaga de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) na Câmara. Azeredo, que responde a ação penal no processo do mensalão mineiro, renunciou ao mandato nesta quarta-feira.

O primeiro suplente a ser chamado é Rui Adriano (PSDB-MG), que já informou, por meio de nota, que vai recusar a convocação por ser prefeito de Montes Claros, em Minas Gerais, segundo informações de O Tempo. Com isso, o caminho está aberto para Moreira.

O político ficou conhecido em 2009, quando era corregedor da Câmara, em meio a denúncias de sonegação fiscal e enriquecimento ilícito. Foi chamado de “deputado do castelo”, por ser dono de uma propriedade em estilo medieval em São João Nepomuceno, interior de Minas Gerais.

LEO FONTES / O TEMPO

Castelo alvo de denúncia que envolveu Edmar Moreira está à venda em Minas Gerais

O castelo, que teve sua obra iniciada em 1982 e finalizada em 1990, custou cerca de R$ 10 milhões. Segundo a justiça eleitoral, o imóvel não constou da declaração de bens de Edmar Moreira, apenas o terreno foi declarado. Na época, o então deputado disse que não declarou a propriedade porque havia repassado o castelo aos filhos. Este ano, um dos filhos de Moreira, o deputado estadual Leonardo Moreira, colocou à venda a propriedade, mas não divulgou o valor do imóvel. Em 2009, o castelo foi avaliado em R$ 25 milhões.

Moreira, na época, virou alvo de pedido de cassação, que foi rejeitado pelo Conselho de Ética. Em 2010 se candidatou pelo PR, mas ficou apenas na suplência.

A volta dele à Câmara dos Deputados, agora pelo PTB, tem um entrave: o político foi eleito pelo PR e a vaga, segundo a lei eleitoral, pertence ao partido, e não ao candidato. O PR informou que ainda vai avaliar o caso, mas só depois que Moreira assumir a vaga de deputado.

Réu no mensalão mineiro, tucano Azeredo vai renunciar ao mandato de deputado

O deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no processo do chamado mensalão mineiro, vai renunciar ao seu seu mandato ainda hoje. Na manhã desta quarta-feira (19), o parlamentar assinou uma carta renúncia, em Belo Horizonte.

A carta de renúncia será entregue nesta tarde pelo advogado Renato Penido Azeredo, o primogênito do tucano, ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O advogado viajou há pouco para Brasília.

De acordo com a assessoria de Azeredo, na carta de renúncia, o parlamentar diz que não concorda com as acusações do processo de crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Para o parlamentar, no STF (Supremo Tribunal Federal) não há julgamento, mas “apenas condenação”.

Na ação penal que tramita no Supremo, são investigadas denúncias de desvio de dinheiro público durante a campanha de Azeredo, então governador de Minas Gerais que disputava a reeleição, em 1998.

No último dia 7, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a  condenação de Azeredo a 22 anos de prisão. Ele teria desviado recursos do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais), extinto, e das estatais mineira, Copasa e Cemig, para sua campanha à reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. Em valores atuais, seriam cerca de R$ 9 milhões.

Aliados do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que é pré-candidato tucano à Presidência da República, faziam pressão nos bastidores para que o caso do mensalão mineiro não atrapalhasse a campanha.

Azeredo chegou a divulgar que faria um discurso em sua defesa na Câmara, mas alegou “motivos de saúde” e cancelou a fala.

Próximos passos

A denúncia da Procuradoria Geral da República foi aceita pelo Supremo em 2009. Outros acusados respondem a acusações na primeira instância da Justiça de Minas Gerais porque não têm foro privilegiado.

As alegações finais de Janot foram encaminhadas ao relator do processo, ministro Luís Roberto Barroso, que deu prazo de 15 dias para a defesa apresentar os seus argumentos finais.

Em seguida, o ministro irá elaborar o seu voto, sem data para ser concluído. A partir daí, o processo segue para o revisor, ministro Celso de Mello, elaborar também o seu voto.

Embora não haja prazo, a expectativa no STF é de que o julgamento aconteça ainda no primeiro semestre deste ano.

Cardozo defende federalização de investigações de crime contra jornalistas

Após reunião com entidades ligadas à imprensa, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu a possibilidade de federalizar investigações de crimes contra repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, entre outros profissionais de comunicação. Segundo Cardozo, a ideia da federalização surgiu na reunião desta terça-feira e deverá ser discutida com o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, e com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, entre outros interlocutores do governo interessados na questão. Ainda não há consenso se a legislação em vigor permite a federalização das investigações de crimes contra jornalistas ou se seria necessário uma modificação na lei sobre o tema.

— Vamos fazer uma análise. A lei (que federaliza alguns crimes hoje) satisfaz ? O que está faltando ? — afirmou Cardozo.

O governo decidiu rediscutir ações antiviolência depois do assassinato do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, que morreu depois de ser atingido por uma explosão durante uma manifestação no Rio de Janeiro no último dia 10. O ministro deve acertar nos próximos dias com os secretários de Segurança Pública o texto final do manual de procedimentos das polícias militares em grandes manifestações. O governo deve concluir até o final desta semana o projeto de lei com medidas específicas contra abusos em protestos.

O manual de procedimentos das polícias deverá conter um capítulo especial sobre a relação dos policiais com jornalistas. Deverá ser proibido que a polícia apreenda câmeras ou celulares que registrem imagens das manifestações. Segundo Cardozo, muitas imagens são importantes para se comprovar eventuais excessos. Também deverá ser criado um Observatório, uma comissão especial encarregada de acompanhar de perto agressões contra jornalistas em qualquer parte do país. Uma das ideias é que o Observatório tenha a atribuição de propor a federalização das investigações de crimes contra jornalistas.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slavieiro, a federalização seria uma medida muito importante para diminuir a impunidade e, com isso, reduzir a violência contra profissionais da imprensa. Segundo ele, hoje muitos crimes contra jornalistas não são devidamente investigados porque a apuração dos casos quase sempre fica a cargos das polícias que são alvos das investigações. A partir da federalização, a Polícia Federal poderia assumir o controle das investigações que, hoje, ficam a cargo das polícias civis.

— Com o aparato da inteligência da Polícia Federal você tem uma força maior para identificar agressores — disse Slavieiro.

As informações são do jornal O Globo

Justiça do Espírito Santo nega pedido de ‘concordata’ da Telexfree

A Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) negou, por unanimidade, o pedido de recuperação judicial à Telexfree (Ympactus Comercial S/A). A decisão foi tomada nesta terça-feira (11), e o julgamento foi acompanhado por vários clientes da empresa, que lotaram a sala de sessões do primeiro andar do tribunal.

A recuperação judicial, antiga concordata, é uma opção para empresas que estão em crise financeira, mas acreditam ter chances de sobreviver.

Em seu voto, o relator do processo no TJES, desembargador substituto Lyrio Regis de Souza Lyrio, afirmou que uma empresa só pode entrar com pedido de recuperação judicial desde que exerça regularmente suas atividades há mais de dois anos.

“Registra-se que o pedido de recuperação judicial se fundamenta no exercício desta segunda atividade, que teve início em 03.07.2013, portanto, há menos de dois anos do ajuizamento do pedido. (…) A exigência legal não é satisfeita com o simples registro das atividades há mais de dois anos; é imprescindível que tais atividades sejam efetivamente exercidas por igual período”, afirmou.

O juiz e o Ministério Público Estadual consideraram que o pedido de recuperação judicial deve ser contado a partir do exercício regular da atividade empresarial.

A defesa da Telexfree defende que os dois anos devem ser contados da data de inscrição da sociedade na junta comercial.

Médica vai pedir na Justiça salário do Mais Médicos que teria ido para CubaMédica vai pedir na Justiça salário do Mais Médicos que teria ido para Cuba

A médica cubana Ramona Rodriguez, que abandonou o programa Mais Médicos, entrará com uma ação na justiça trabalhista para pedir indenização por danos morais e receber a diferença do salário de R$ 10 mil oferecido pelo governo brasileiro que, segundo a médica, não foi pago a ela durante os quatro meses em que trabalhou no país. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (6) pelo líder do DEM, Mendonça Filho (PE), e o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Ramona afirma que recebia apenas US$ 400 por mês e outros US$ 600 seriam depositados mensalmente em uma conta em Cuba e entregues aos profissionais somente após o término do contrato com o governo brasileiro. Segundo Ronaldo Caiado, a ação será preparada pela assessoria justiça do DEM e será protocolada na Justiça trabalhista do Pará.

Ramona além do ressarcimento, alegará danos morais, sob o argumento de que teve a honra atingida por ter sido “discriminada” em relação aos médicos de outros países.
“Essa peça processual está sendo montada. Vai ser dada entrada no fórum do Pará ação trabalhista e também por danos morais para que ela seja ressarcida não só do diferencial de R$ 9 mil reais por mês que ela não recebeu, mas também todos os direitos trabalhistas, como FGTS, e também danos morais”, disse Caiado. De acordo com o parlamentar, se a Justiça deferir o pedido, Ramona receberá pelo menos R$ 36 mil, o equivalente aos R$ 9 mil que ela deixou de obter em quatro meses de atuação no programa Mais Médicos.

O líder do DEM, Mendonça Filho, afirmou que o partido também entrará com uma representação no Ministério Público do Trabalho sugerindo uma ação coletiva para que todos os cubanos contratados para atuar no Brasil possam receber o percentual do salário que teria ido para Cuba.
“Vamos pedir que a Procuradoria-Geral do Trabalho patrocine uma ação coletiva a todos os médicos cubanos que estão sendo tratados de forma desigual, desumana e desrespeitosa”, disse.

Contrato de trabalho

O deputado Ronaldo Caiado relatou ainda que a Associação Médica Brasileira ofereceu a Ramona Rodriguez um emprego na área administrativa do escritório da entidade em Brasília. Com isso, a médica cubana poderia pleitear um visto de trabalho e permanecer no território.

De acordo com o parlamentar, a associação também dará suporte para que a médica possa fazer a prova do Revalida, exame necessário para que médicos formados no exterior trabalhem no Brasil.

“A Associação Médica Brasileira, por intermédio de seu presidente, acabou de falar conosco que a AMB vai contratá-la no seu escritório de Brasília. Ela será funcionária da AMB. A entidade dará a ela todo apoio para que ela, inicialmente em um trabalho administrativo, possa fazer a prova do Revalida para que ela possa posteriormente exercer a profissão aqui”, afirmou

Despesas de órgãos públicos mostram falta de prioridade e zelo

20140203090040297842iSete secadores de cabelo, 25 sprays de fixação extraforte, 15 unidades de pó compacto para o rosto, seis bases líquidas, seis batons e três lápis de olho na cor preta. Quem observa a lista de compras acima só pode concluir que são itens para um salão de beleza. Errado. Os produtos foram vendidos ao Senado Federal e fazem parte de uma longa lista de gastos, dispersos por diversas rubricas orçamentárias, que mostram como os órgãos do governo não estão preocupados em poupar o dinheiro público. Especialistas são unânimes quando avaliam esse tipo de despesa: falta prioridade.

Os itens adquiridos são, no mínimo, curiosos. Podem-se encontrar despesas de todo tipo nos mais diferentes órgãos dos Três Poderes. São tapetes egípcios de R$ 6,9 mil para o Superior Tribunal Militar; 12 almofadas para meditação de modelo japonês, tipo zafu, para o Superior Tribunal de Justiça, que custaram a bagatela de R$ 1,5 mil; ou capas recarregáveis de iPhone para a Presidência. Os gestores públicos também são específicos nas suas compras, como se nota numa especificação feita pelo Supremo Tribunal Federal para a aquisição de toalhas: “Felpudas, pré-lavadas, em algodão, na cor amarelo claro”(sic). Foram 200 pelo preço de R$ 2 mil.

As exigências, porém, não são as mesmas em todos os locais. “Você vai aos órgãos públicos brasileiros e encontra um mobiliário diferente em cada um. Nos Estados Unidos, por exemplo, é tudo igual, tudo padronizado”, pontua o professor José Carlos Oliveira, especialista em contas públicas da Universidade de Brasília (UnB). “Faltam padrões no gasto público brasileiro, regras claras e permanentes. Senão, a conta vem alta demais e o contribuinte não pode dizer nada porque não tem um modelo de comparação para argumentar”.

Número de mortes causadas por PMs é o menor em 15 anos em SP

Um ano depois da resolução que recomenda a polícia a não socorrer feridos nas ruas e a aguardar atendimento especializado, as mortes causadas por policiais militares caíram 39% no Estado de São Paulo -atingindo o nível mais baixo em 15 anos.

Em 2013, policiais militares mataram 335 pessoas em confrontos. No ano anterior, foram 546 mortes.

Na capital paulista, a queda na chamada letalidade da polícia na comparação entre os dois últimos anos foi ainda mais acentuada, 47% –de 230 mortes para 121.

Para a cúpula da secretaria, a resolução –conhecida no meio policial como a resolução 5– foi uma das medidas que contribuiu para a queda das mortes.

Implantada no início de 2013, com o argumento oficial de garantir a feridos socorro profissional especializado, como o feito pelo Samu, ela também tinha o objetivo não declarado de reduzir mortes suspeitas praticadas por policiais e a alteração de cenas de crime.

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O secretário Fernando Grella Vieira atribui parte da queda ao melhor socorro prestado ao feridos, o que, segundo ele, aumentou a chance de sobrevivência.

“O policial tem formação para realizar os primeiros socorros, mas ele não tem todos os materiais e equipamentos.”

A resolução 5 foi uma das primeira medidas tomadas por Grella após assumir a pasta, em novembro de 2012.

Naquele ano, São Paulo viveu uma onda de violência, com crescimento do número de homicídios e mortes em confronto com a PM.

A guerra não declarada entre policiais e criminosos foi a principal razão da queda de Antonio Ferreira Pinto, então secretário da Segurança.

Samira Bueno, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, diz que a redução das mortes é resultado de um controle maior da gestão atual das polícias. “Não era uma prioridade na gestão anterior. Isso ocasionou uma letalidade acima da média histórica.”

Para Marcos Fuchs, diretor da Conectas Direitos Humanos, a resolução inibiu a ação de maus policiais que aproveitavam de suas funções de socorrer as vítimas para cometer crimes.

Já o promotor de Justiça Luiz Roberto Faggioni afirma que as ações da polícia são reflexos da política do Estado. “Quando o governo sinaliza que tolera a violência, a polícia se torna violenta. Ela reflete o governo do Estado”.

A Folha não conseguiu contatar o ex-secretário para comentar os dados e as interpretações de analistas.

Morreram mais trabalhadores no setor elétrico nos últimos 6 meses do que em 20 anos

Em nota emitida pela CNE (Coletivo Nacional dos Eletricitários), os eletricitários informam o repúdio à  a Holding Eletrobras e a classe governistas que chegou ao executivo com ajuda da classe trabalhadora, que se tornou alvo de assédio, perseguição e manobras para desestabilizar a classe.

Segundo o CNE, o Governo Federal através da Eletrobras não tem cumprido sua parte nos acordos coletivos de trabalho, e que o setor elétrico está agonizando e a beira de um colapso após a MP 579. A nota informa ainda que morreram mais trabalhadores do setor elétrico nos últimos 6 meses do que em 20 anos.

Veja abaixo a nota

Vergonha! Resultados da Lei 12.783: Morreram mais trabalhadores no setor elétrico nos últimos 6 meses do que em 20 anos

O Coletivo Nacional dos Eletricitários se reuniu na ultima quinta-feira (05), em Brasília, com a direção do Sistema Eletrobras. A pauta da reunião foi composta dos seguintes itens: Compensação de greve, auxílio alimentação natalino de 2013, anistiados, concurso público e PCR. A reunião serviu também para o CNE lembrar que neste primeiro ano depois da MP 579 (convertida na Lei 12.783/13), os sinais de que o Setor Elétrico Brasileiro está agonizando ficam cada vez mais evidentes.

O sistema está fragilizado e as consequências são terríveis, principalmente para os trabalhadores, pois a partir dessa desestruturação, as empresas passaram a descumprir ainda mais a NR 10. Nos últimos seis meses, houve mais mortes no Setor Elétrico do que nos últimos 20 anos. Isso desconsiderando os terceirizados.

Isso é uma calamidade que precisa acabar. Onde está o Governo eleito com o apoio da classe trabalhadora? Que tipo de empresa estão projetando para os próximos anos? Certamente não é aquela que os sindicatos defendem. A medida renovou as concessões, mas também contribuiu para esse quadro de desestruturação do Setor Elétrico. E pior, está transformando a classe trabalhadora eletricitária em vítima fatal. Oque é lamentável e deplorável! Trabalhadores querem respeito ao seu ACT.

Os trabalhadores da Eletrobras enfrentaram uma das campanhas mais acirradas dos últimos anos, com a realização de greve prolongada, descumprimento de acordos por parte da Holding, perseguição as entidades e a dirigentes sindicais, e para culminar o ACT foi fechado no Tribunal Superior do Trabalho, através de dissídio coletivo. Todas essas dificuldades, impensáveis no Governo Lula, onde havia respeito aos acordos e a categoria, não deixam dúvidas de que o CNE tem que continuar cobrando da Eletrobras o cumprimento de tudo que foi acordado e assinado no TST.

No que diz respeito à compensação da greve de 2012, o CNE cobrou o cumprimento da Ata formulada pelo Tribunal Superior do Trabalho, inclusive o que foi acordado sobre o documento com as distribuidoras. A Eletrobras ficou der dar uma resposta na próxima semana. O CNE foi contundente na sua crítica com relação à postura da direção das distribuidoras, que não acatam os encaminhamentos feitos pela Holding, que por sua vez se faz de desentendida, e não faz nenhum movimento para cobrar o cumprimento das suas determinações, ou seja, é a surrada técnica de se fazer “morto” para não cumprir o seu papel. Mortes disparam no setor elétrico.

Com o intuito de se fazer justiça com os trabalhadores que cumpriram toda uma trajetória profissional dentro da Holding, mas que agora se desligaram através do PDV, o CNE reivindicou a Eletrobras que todos estes companheiros tenham o direito a receber o auxílio alimentação neste final de ano. A direção da Eletrobras ficou de fazer uma consulta jurídica para avaliar essa situação excepcional.

A perda de quadros com grande acúmulo de conhecimento técnico tem preocupado a todos que temem pelo futuro das empresas. O PDV tem impacto direto em funções essenciais. Por isso, o CNE cobrou da direção da Eletrobras a realização de concurso público para suprir a saída destes quadros. De acordo com a direção da Eletrobras haverá concurso, mas somente em áreas pontuais. O CNE e a FNU defendem a realização de um concurso mais amplo, pois em diversas áreas falta mão de obra, que vem sendo suprida com o aumento indiscriminado da terceirização. O CNE alertou que a substituição desses trabalhadores está ocorrendo de forma irresponsável. Muitos deles estão sendo treinados para ser operador do sistema em curso à distância, num curto período de 15 dias, sendo que o ONS recomenda treinamento presencial de 6 meses. Uma vergonha para a maior empresa de energia do continente.

PCR, Mérito e Antiguidade Com relação ao tão falado PCR, o CNE cobrou o pagamento do mérito de 2013 retroativo a maio de 2013, e que no termo de compromisso conste a data de pagamento da antiguidade e do mérito. Sobre esse ponto da pauta foi lembrado que o então Diretor de Administração, Miguel Colassuono, assumiu o compromisso de reavaliar o PCR, já que em 2014 teremos um número menor de trabalhadores no Sistema Eletrobras, é preciso corrigir, por exemplo, o piso salarial que está totalmente defasado. Esse é o momento de cumprir o que foi prometido. Está no nosso ACT a aplicação do mérito para o ano de 2013. Nas empresas as informações são desencontradas, pois algumas não tinham previsão, outras aguardam ordem da holding e algumas empresas se posicionaram igual a holding, ao dizer que seria realizado o SGD nos meses de janeiro e fevereiro de 2014 e pagamento em março de 2014 retroativo a dezembro de 2013. Por fim, foi debatida a situação dos anistiados. O CNE cobrou uma posição da Eletrobras, no sentido de permitir a adesão destes companheiros ao PDV, bem como o retorno as suas empresas de origem.

A FNU vai encaminhar ofício ao MME e ao DEST reforçando esse pleito. O CNE continuará vigilante e cobrando o cumprimento do que foi assinado no TST e os compromissos assumidos com os trabalhadores. Em breve teremos novas reuniões com a direção da Holding para cobrar estes encaminhamentos. Novo diretor de Administração da Eletrobrás começa mal Para a surpresa do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), o novo diretor de Administração da Eletrobras, Sr. Manoel Aguinaldo Guimaraes, não compareceu a reunião do dia 5 de dezembro. O CNE considerou o fato lamentável, até porque para exercer esse cargo, é preciso respeitar os trabalhadores da Eletrobras e as entidades sindicais, que estão presentes nas mesas de negociação durante todo o ano.