Dado como morto, bebê é salvo por motorista a caminho do IML

Um bebê recém-nascido foi dado como morto por profissionais do hospital Alpha Med, em Carapicuíba, na grande São Paulo, nesta segunda-feira (12). No entanto, durante o transporte do corpo ao Instituto Médico Legal de Osasco, o motorista da funerária percebeu que a criança ainda estava viva.

O motorista Claudio Silva, 37, atendeu o chamado para retirar o corpo de uma criança. Ele conta que quando pegou o bebê no hospital para colocar na urna de transporte, o corpo estava imóvel e com coloração roxa.

Durante o caminho, nada de diferente aconteceu. Foi só quando chegou no IML que Silva percebeu que o bebê estava vivo. “Quando tirei ela da urna para pôr na mesa [do IML], percebi que a cor tinha mudado e ela estava se mexendo. Ela tinha voltado a respirar”, explicou o motorista.

“Comecei a gritar, um funcionário do IML chamou um médico, que confirmou que a menina estava respirando. Ele disse para voltar para o hospital o mais rápido possível”, conta Silva. Ele imediatamente retornou ao Alpha Med com o bebê e na sequência registou um boletim de ocorrência no 1º DP de Carapicuíba.

“Estou com a perna tremendo até agora. Faz só três meses que estou nesse emprego. O funcionário do IML disse que em 30 anos de serviço nunca tinha visto isso”, diz Silva, emocionado.

O parto

Ana Caroline da Silva, de 18 anos, estava grávida de quase 6 meses, quando na segunda-feira (12), por volta das 17h, teve início o trabalho de parto. Ela foi levada até o Hospital Alpha Med. Ana Caroline deu a luz às 21h55, a uma menina de apenas 700 gramas.

Segundo o pai da criança, Leonardo José Ferreira Lira, 19 anos, o parto parecia ter ocorrido normalmente. “Tudo estava bem, até que a bebê mal nasceu e a médica disse que ela não tinha mais chance, estava morta. Ela nem chorou”, contou o pai ainda bastante abalado com os acontecimentos.

Lira disse em entrevista que sua companheira passa bem, apesar de ainda muito abalada com tudo. “Eu nunca fui pai antes, mas já tinha muito amor pela minha filha, saber que ela morreu e depois que estava viva foi um gelo”, disse.

A mãe e o bebê foram transferidas na manhã desta terça (13) para o Hospital Maternidade Sino Brasileiro, em Osasco. O pai conta que já viu a filha depois do ocorrido e que ela passa bem.

Segundo o doutor Nelson Douglas Ejzenbaum, médico pediatra e neonatologista membro da Sociedade Americana de Pediatria, a situação é delicada. “É muito raro, mas o bebê pode ter tido uma parada e depois os batimentos voltaram. Batimentos erráticos podem ter confundido o médico”, diz.

Em nota, o hospital Alpha Med informou que abriu sindicância interna para apurar o ocorrido. Ainda esclarece que está dando toda assistência e apoio à família e ao bebê, que está “sob os melhores cuidados médicos e assistenciais”.

Indignação

A bisavó da menina, Maria Helena Ferreira, estava na recepção aguardando a hora em que poderia ver com os próprios olhos o estado de saúde da neta e da bisneta. “Chamaram a família para se despedir da bebê morta. Ela estava enrolada em um cobertor, em cima de uma pedra. Parecia perfeita, mas estava bastante roxa”, conta ainda não acreditando no que aconteceu.

O tio de Ana Caroline, Elias Ferreira, diz que não acredita no atestado de óbito fornecido pelo Alpha Med. “No atestado de óbito está escrito que fizeram massagem cardíaca e oxigenação. Como não viram que ela estava viva?” questiona.

Os parentes afirmam que durante toda a estadia de Ana Caroline no Alpha Med, a médica responsável pelo parto foi indiferente. “A bebê morreu, a família foi informada e ela [a médica] ficou batendo papo no balcão, não fez nada”, diz Ferreira. Agora eles esperam entender o que aconteceu. “Queremos justiça”, dizem os dois.

No meio de tanta tristeza, ainda há espaço para comemorar.“A menina ia ser chamar Manuela, mas agora depois de tudo isso é preciso adicionar Vitória ao nome. Ela ter passado por tudo isso é uma vitória”, diz a bisavó da criança.

R7

Policial descobre que colega PM é menino que salvou há 19 anos: ‘De arrepiar’

A cidade de Itanhaém, no litoral de São Paulo, foi palco de um emocionante reencontro entre dois policiais militares, que tiveram seus caminhos cruzados há quase 19 anos, em Presidente Venceslau, interior paulista. Durante uma conversa com um soldado, a sargento Vanusa Pereira, de 47 anos, descobriu que seu companheiro de farda era um menino que ela socorreu em 1999, quando ele tinha 4 anos.

No dia 18 de junho daquele ano, Vanusa respondeu a um chamado no bairro Jardim Alvorada, em Presidente Venceslau, sobre um menino que havia sofrido um corte profundo no rosto e precisava ser levado com urgência para o hospital. Ao chegar na casa, a policial encontrou a vítima no colo da mãe, que implorava por socorro.

“Encontramos ele com um lençol na cabeça e percebemos que era um corte bem profundo, com uma grande hemorragia, por isso não tinha como esperar o resgate. Então, o colocamos na viatura e socorremos até o Pronto Socorro. A hemorragia ocorreu pelo corte e porque ele perdeu quatro dentes em cima e três embaixo”.

A vítima era Lúcio Fernandes Lima Kruger, atualmente com 22 anos. Ele estava brincando quando uma prateleira caiu sobre sua cabeça e o prendeu, deixando sua família desesperada. O jovem relembra que ficou mais de um mês internado por conta de um corte profundo entre a boca e o nariz, e que enfrentou uma longa recuperação.

“Os policiais tiveram um tempo de resposta muito rápido e me levaram para o hospital. Os médicos disseram que, se não fosse por esse apoio imediato, eu teria morrido de hemorragia. Essa situação acabou definindo o que eu sou hoje. Se não fosse pela Vanusa, eu não estaria vivo e nem teria me tornado policial”.

Após o acidente, Kruger nunca esqueceu o apoio que recebeu da sargento Vanusa em um dos momentos mais difíceis da sua vida e sempre se inspirou nela. Por isso, aos oito anos, decidiu se tornar policial e conseguiu realizar seu sonho em 2014, aos 19 anos. “Eu cresci escutando histórias e sempre admirei a profissão. O que ela fez por mim eu espero fazer por alguém”.

Reencontro foi muito emocionante para os policiais (Foto: Carlos Abelha/G1)

O reencontro

No dia 6 de fevereiro, o que parecia uma conversa casual se tornou um momento de alegria e nostalgia para os dois policiais. Eles estão em Itanhaém, trabalhando na Operação Verão, e decidiram ir juntos até um mercado durante um período de folga. Foi nesse momento que ambos tiveram uma grande surpresa.

De acordo com Vanusa, ela fez algumas perguntas e Kruger contou sobre o local onde morava, a mercearia do seu avô e sobre sua mãe. Mas o que realmente chamou sua atenção foi uma cicatriz um pouco acima da boca do policial. “Eu perguntei se um armário já tinha caído em cima dele quando era criança. Ele tomou um susto e ficou se perguntando como eu sabia disso. Aí eu contei que eu havia socorrido ele. Foi de arrepiar”, conta Vanusa.

A sargento ainda conta que essa foi uma das ocorrências mais marcantes em toda a sua carreira. Apesar de tantos anos, ela costuma se lembrar de vários casos, principalmente daqueles que envolvem crianças. “Hoje eu tenho um carinho enorme por ele, me sinto uma mãezona, e acredito que a vida ainda reserva coisas muito especiais para nós”.

Kruger garante que lembrou várias vezes da sargento ao longo da vida, principalmente quando sentia algum incômodo na sua cicatriz. Ele conta que pensou em procurar por ela ao ingressar na polícia, mas não sabia se ela já estava aposentada. Agora, acredita que os dois criaram um vínculo para a vida toda.

“Não esperava reencontrá-la. O que me marcou para sempre não foi a cicatriz, mas tudo o que a Vanusa fez por mim. Ela é minha heroína. Quem sabe daqui há 15 anos eu não esteja no lugar dela, reencontrando alguém que eu tive o prazer de salvar. Quero me tornar essa pessoa que eu tanto respeito e admiro”.

Desconhecidos lotam funeral de idosa que morreu sozinha

Em um distrito no norte de Glasgow, na Escócia, a moradora de 103 anos Annie Wallace faleceu no final de dezembro, deixando para trás o legado como uma das moradoras mais antigas da região.

Sem a presença de nenhum familiar em seu enterro, um vez que seu marido, seu irmão e sua sobrinha faleceram antes dela, uma comunidade de estranhos se reuniu ao lado dos amigos da aposentada para prestar condolências no velório que ocorreu semana passada.

Estavam presentes políticos, policiais, soldados da reserva de uma unidade militar local e muitas pessoas que não tiveram a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. Em entrevista para BBC, o  líder comunitário Alex O’Kane declarou:  “Foi uma lição de humildade, foi inspirador ver tantos estranhos aparecendo aqui pela Annie”.

Acredita-se que o movimento de empatia à Annie cresceu após a fala do reverendo Christopher Rowe, da paróquia local, que gentilmente pediu a população local que se unisse pela senhora “fácil de se amar, absolutamente incrível”. Ele conheceu Annie quando ela tinha 94 anos. “Nunca parecia estar para baixo, estava sempre animada”, recordou. “Posso dizer, com certeza, que ela estava cantando no dia em que morreu. E que não houve um dia nos últimos 100 anos em que ela deixou de cantar”. 

(BBC/Reprodução)

No velório, o caixão de Annie Wallace foi carregado por quatro soldados militares. O reverendo e o líder comunitário discursaram.

Comentário em tom de brincadeira em rede social acaba em casamento entre mineira e gaúcho

A postagem de um texto sobre o valor da mulher em um grupo no Facebook feita pelo vendedor de automóveis Christian Quiles, de 39 anos, chamou a atenção da cuidadora de idosos Lucélia Maria Ganda da Rocha, de 36. Ao gostar da mensagem publicada, ela escreveu “casa comigo?” e ele prontamente respondeu “caso”.

A partir daí eles começaram um relacionamento virtual. Mas, havia um detalhe que poderia impedir o romance. Ela mora em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e ele, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ou seja, quase 1,7 mil quilômetros separam o “casal web”.

Lucélia disse que fez uma brincadeira, mas garante que achou Quiles charmoso. “Fiz uma brincadeira mesmo, mas ele me atraiu”. Ela falou que, após o término do último namoro, estava sozinha há cinco meses.

Depois do xaveco, os dois começaram a se corresponder virtualmente no privado. “A gente trocava experiências de relacionamento. A gente brincava e a coisa começou a ficar séria. Nessas conversas o Christian começou a me fazer companhia. Ele começou a me fazer muito bem”.

Lucélia conta que os bate-papos foram evoluindo e eles começaram a fazer chamadas de vídeo. Um dia, ele perguntou se Lucélia teria coragem ir para Porto Alegre.

No fim de outubro do ano passado ela foi conhecê-lo no Rio Grande do Sul e, em novembro e dezembro, ele veio a Minas. Eles passaram o Réveillon juntos em Betim.

“Já estou arrumando emprego em Porto Alegre. Ele vendeu o carro para comprar um apartamento. Em fevereiro vou para Porto Alegre”.

Lucélia explicou que em princípio vão morar juntos porque vão priorizar as compras de móveis para o novo lar, mas que faz questão de uma cerimônia espírita para formalizar a união do casal. Ela é solteira e tem uma filha de 19 anos. Ele é separado e pai de um garoto de 10.

Ela garantiu que conversa diariamente via WhatsApp e que faz chamada de vídeo todos os dias à noite.

A filha não vai acompanhá-la e os pais e a irmã também ficam em Minas. “Eles [os pais] estão tristes, mas estão me apoiando, me entendendo”.

Por causa da mudança de rumo na vida, Lucélia precisou doar dois dos três cachorros que tinha – os vira-latas Neném, de 3 anos, e Sofia, de 2. A poodle, Lua, de 7, vai para Porto Alegre. “Dei os cachorros para duas amigas próximas e vou continuar tendo notícias deles”.

E declarações de amor são recorrentes nas redes sociais. Em um post, Lucélia reproduziu parte de um poema do escritor Carlos Drummond de Andrade. “Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, e se a vontade de ficar juntos chega a apertar o coração: (…) é o amor (…)”, disse.

A mensagem se referia a saudade que Lucélia sentia do namorado. Ela ainda aproveitou para fazer a contagem de quantos dias faltavam para eles se reencontrarem: “#faltam7dias”.

‘Fico pensando em leis enquanto limpo privadas’: a advogada que virou faxineira em São Paulo

Há quem pare e olhe, curioso. Há quem tire fotos e publique nas redes sociais ou anote o número dela para um serviço futuro.

Mas a trajetória de Rosana é mais complexa do que o pedido público de emprego: ela era secretária, ralou para pagar a faculdade de Direito e formou-se advogada, mas entrou em uma derrocada que a levou às ruas e à faxina.

“Quando conto minha história às pessoas que me contratam, a frase que mais ouço é ‘não acredito'”, diz ela, sentada na esquina. “Ou acham que sou doida, e não existe nada pior do que ser considerada doida”, acrescenta.

Fracasso profissional

Ela se formou em Direito em 1995 na Unifieo, uma universidade particular em Osasco, na Grande São Paulo. Pagou o curso com seu salário de secretária, com a “dureza de gente pobre”, nas palavras dela. Em seguida, conseguiu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com a inscrição 139416, número que ela cita de cor dez anos depois de ter abandonado a carreira.

Os primeiros passos como advogada foi em um pequeno escritório que montou com amigos da faculdade. Depois, conseguiu entrar em uma banca de colegas renomados da área de Direito bancário, no centro da cidade.

Rosana conta que foi esse trabalho fez girar a espiral que a levou ao fracasso profissional.

“Nesse escritório, eu sofri assédio moral por parte dos dois donos. Me humilhavam: imagina você ser chamada de burra o tempo todo, de incompetente, de drogada. Foram três anos”, afirma. Ela diz que nunca usou entorpecentes.

Ficha de Rosana da Silva na OAB-SP
Rosana da Silva está há dez anos sem pagar a anuidade da OAB, o que a impede de retomar a carreira | Foto: Reprodução/OAB-SP

Rosana prefere que os nomes dos dois advogados não sejam citados nesta reportagem. Diz que processou os antigos patrões e que fez representações contra eles na comissão de ética da OAB-SP, mas nunca conseguiu vencer os processos.

Ela costuma carregar a papelada de algumas ações em sua mochila – tem medo de que eles desapareçam.

Procurada pela reportagem, a OAB-SP afirmou que não comenta casos que correm em sigilo.

‘Todas as portas fechadas’

Rosana nasceu em Itanhaém, no litoral paulista, mas foi criada por parentes, longe dos pais. Sempre viveu praticamente sozinha e só retomou contato com um dos irmãos depois que ele viu uma foto sua na internet, há pouco mais de um ano.

Ela nunca mais conseguiu um trabalho como advogada depois que saiu de seu último escritório. Acredita que foi perseguida pela OAB, onde seus patrões tinham influência, diz. A instituição não comenta o caso.

Nada que Rosana fazia dava certo – tentou dar aulas, mas também foi demitida. “Em São Paulo, o mundo do Direito é muito pequeno. Você fica conhecida como a pessoa que processou os patrões, suas chances diminuem”, conta.

Ela resolveu se mudar para Florianópolis, pois não encontrou emprego nem apoio em sua família adotiva. “Pensei: será que não estou tornando um problema pequeno em algo muito grande?”, conta a advogada, que chegou a passar em psicólogos para entender porque sua carreira não deslanchava. “Achei que, se eu saísse de São Paulo, talvez conseguisse me reerguer.”

Mas ela não conseguiu. O dinheiro acabou, o aluguel acumulou e Rosana foi viver nas ruas, onde ficou por sete anos.

Começou as faxinas para conseguir comer. “Não sobrou mais nada para mim porque a sociedade fechou todas as portas”, diz.

‘Morro de fome, mas pago o aluguel’

Rosana em seu quarto alugado
Rosana precisa fazer dez faxinas de R$ 60 para conseguir pagar o aluguel do quarto onde mora, na zona sul de São Paulo | Foto: Leandro Machado/BBC Brasil

Viver nas ruas não é algo de que Rosana se orgulha – ela costuma dizer perdeu sua cidadania quando deixou de ter um endereço fixo. “Como conseguir um emprego se você diz que tem 54 anos e não mora em lugar nenhum? As empresas têm uma cartilha de desculpas para não te contratar.”

Foi por isso que ela criou a placa com o anúncio. Com ela, elimina-se qualquer questionamento sobre seu histórico – Rosana torna-se apenas mais uma pessoa em busca de trabalho.

Ela cobra R$ 60 por sete horas de limpeza – um preço baixo no centro expandido de São Paulo. O piso mensal dos trabalhadores domésticos na cidade é de R$ 1.140 por três dias de trabalho semanais, segundo o sindicato da categoria.

Segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao trimestre que compreende os meses de setembro, outubro e novembro de 2017, o índice de desemprego no Brasil está em 12% – o que equivale a 12,6 milhões de pessoas.

Rosana precisa fazer ao menos dez faxinas por mês para conseguir pagar o aluguel de um quartinho com cama, fogão e geladeira. Tem meses que não consegue – seu irmão costuma ajudá-la. “Eu morro de fome, mas pago o aluguel. Não volto para a rua de jeito nenhum”, diz.

Esse medo se justifica: ela conta já ter enfrentado episódios de assédio e tentativas de estupro – uma vez, por exemplo, um homem invadiu a barraca onde dormia com uma arma, conta.

“Na rua, o homem te enxerga como propriedade”, afirma. “Ele diz: ‘como assim você está nessa situação e não quer nada comigo?’ Cara, porque ninguém entende quando uma mulher decide viver sozinha?”

Outra dificuldade é escapar de uma rotina de violências e dependência de drogas vivida por parte de outras pessoas na mesma situação.

Voltar para o Direito

O maior sonho de Rosana é voltar a trabalhar como advogada. Mas ela está “suspensa” da OAB-SP porque deve dez anos de anuidade – cada ano custa R$ 997,30, dinheiro que a advogada não tem.

“Preciso de uma oportunidade de trabalho, apenas isso”, diz, na calçada onde segura sua placa pedindo serviços de faxina.

“É complicado: fico pensando em leis enquanto limpo privadas.”

Leandro Machado

O dia em que acidentalmente matei um menino – e como essa tragédia marcou a minha vida

Estava de ótimo humor naquele dia. Iria me mudar da pequena cidade de Oxford, em Ohio, para uma casa em Cincinnati com várias outras pessoas. Estava muito empolgada.

Estava no curso de pós-graduação, mas havia decidido que queria deixar a faculdade. Estava feliz com o que viria depois. Eu arrumaria um emprego, me divertiria, veria onde minhas paixões me levariam.

Eu estava em uma casa – que nós chamávamos de “comuna urbana” – pintando o quarto para o qual eu me mudaria. Quando terminei, decidi dirigir de volta ao meu apartamento em Oxford, que já estava com as coisas empacotadas e prontas para a mudança. Era um dia quente de junho e eu pensei que seria uma ótima ideia dar uma nadada.

Então, entrei numa estrada rural, com uma faixa para cada direção. O limite de velocidade era de 70 ou 80 km/h, bem alto para aquele tipo de pista. A estrada estava cheia, e eu fiquei numa fila de carros seguindo o limite de velocidade.

Passei por um conjunto de casas, cujas caixas de correio ficavam do lado oposto da pista. Enquanto passava por essas casas, um menino loiro apareceu, se deslocando da caixa de correio para a casa dele.

Eu o vi quando já estava perto demais, tentei desviar. Mas não havia jeito de não atingir a criança. Eu bati no menino e ele voou pelos ares e caiu na calçada. Eu estacionei e corri pela rua.

Estava tão aflita que não me lembro direito daqueles minutos. Eu me vi escondida atrás de um arbusto gritando. Eu me ouvi e pensei: “O que é isso? Quem está fazendo isso?”.

Foi quando percebi que era eu. O menino estava recebendo os primeiros socorros na rua. Tinha muita gente dando assistência a ele e pessoas paradas ao redor da estrada.

Eu estava muito, muito assustada. Sabia que tinha feito algo terrível.

Levou 20 minutos para a polícia chegar. Eles não esperaram pela ambulância, simplesmente colocaram o menino no banco de trás do carro de polícia e saíram.

Atropelei o menino bem na frente da casa dele e alguns vizinhos tinham ido chamar sua mãe. Ela saiu de casa gritando o nome do filho, em desespero.

Ela queria chegar até o menino, mas os vizinhos a seguraram. Então, ela pareceu desmaiar na frente de casa e eles tiveram que segurá-la.

“O menino morreu”

Foi tudo barulhento, confuso, perturbador.

Eu me aproximei da polícia. Eu me apresentei, levantei a mão e disse: “Fui eu que fiz isso, fui eu”. Eles não sabiam que eu tinha sido a pessoa que atropelou o menino. Aparentemente ninguém viu.

Os policiais me colocaram no banco de trás do carro e escalaram alguém para ficar de olho em mim. Assinei um depoimento e conversei com eles por um tempo. Eles procuraram por marcas de freio na rua e fizeram algumas medições.

Então, o chefe da polícia foi até mim e disse: “Tenho que informá-la que o menino morreu.”

Eu estava rezando para que não tivesse sido tão ruim quanto pareceu, que ele pudesse estar bem. Eu me lembro de me curvar e chorar e de, depois, tentar me controlar.

A polícia concordou em me deixar esperando na casa de uma das vizinhas. Ela foi muito generosa. Tinha uma filha alguns anos mais nova que eu e sabia que a filha dela podia estar no meu lugar, ou no da vítima. O nome do menino era Brian.

Maryann com a família no Natal, antes do acidente que matou Brian
Gray com a família no Natal, antes do acidente que matou Brian | Fonte: Arquivo pessoal

O policial responsável veio até mim e disse que não iriam me prender- não havia indícios de negligência, distração ou outra irregularidade da minha parte. Mas eles me deram um pequeno sermão, dizendo: “Essa criança morreu. É uma coisa horrível. Você tem que se certificar de que nunca mais fará algo parecido.”

Fiquei com raiva, porque a ideia de que eu faria isso de novo era absurda.

Liguei para os meus pais em Nova York e contei a minha mãe o que acontecera. Eu estava chorando e repetindo: “Foi um acidente, um acidente.” E a minha mãe disse: “Claro que foi um acidente.”

Meu pai chegou à cidade no dia seguinte.

Ele ligou à família que perdeu a criança para prestar condolências, o que deve ter sido incrivelmente doloroso. Ele passou na casa da vizinha para agradecer por ela ter sido tão generosa comigo. Ele resolveu a questão do carro, que teve que ir para uma oficina. E contratou um advogado para que me defendesse, caso houvesse algum desdobramento judicial.

Ele estava tentando tomar todas a providências e resolver o que precisava ser resolvido.

Passei a primeira noite na casa de um amigo, compulsivamente contando os detalhes do que aconteceu. Depois, retornei ao meu apartamento – aquele que estava pronto para a mudança – e basicamente me escondi lá por uma semana.

Sempre tinha sido uma pessoa correta, que trabalhava duro para tirar boas notas e para estar à altura das expectativas dos meus pais e professores, mas cresci com a sensação que desapontava um pouco. Então depois do acidente eu passei a me preocupar, num nível bem inconsciente, sobre se eu era uma pessoa boa ou ruim.

Muita gente acredita na ideia de que criamos as bases para nossas próprias vidas – uma pessoa com ódio enxerga um mundo hostil, e uma pessoa amável experimenta um mundo generoso e bom. Então eu pensava: “Que tipo de pessoa tem esse tipo de experiência? Só pode ser uma pessoa perigosa.”

Quando meu carro voltou da oficina eu tentei voltar a dirigir, mas tinha alucinações. Eu dirigia e, de repente, via alguém atravessando a rua, pisava no freio, mas não tinha ninguém ali.

Era uma coisa muito perigosa de se fazer. Estava tão assustada que não consegui usar o carro por mais ou menos dois anos.

Eu tinha flashbacks que apareciam na minha cabeça de repente. Eu podia estar no meio de uma conversa, lavando os pratos ou fazendo mercado e, do nada, visualizava a criança voando pelos ares depois de eu a atropelar, ou uma poça de sangue na estrada – imagens horríveis.

Passei alguns anos me punindo, afastando as pessoas de mim. Eu namorava homens que me tratavam muito mal e não tinha amigos. Eu estava sempre muito irritadiça e as pessoas que dividiam a casa comigo não gostavam da minha companhia, então eu me mudei da comuna para um apartamento, para morar sozinha.

Maryann Gray em foto de 1975, ao se formar na Universidade de Duke
Maryann Gray em foto de 1975, ao se formar na Universidade de Duke | Fonte: Arquivo pessoal

Dois anos depois do acidente, me mudei para a Califórnia para começar um programa de pós-graduação em psicologia e isso, realmente, foi um novo começo para mim. Eu estava intelectualmente engajada e fazendo algo que eu sentia ser importante e útil. Isso gerava uma sensação muito boa.

Eu basicamente parei de falar sobre o acidente, seguindo o conselho dos meus pais, que disseram que, se as pessoas soubessem o que eu fiz, poderiam me ver de forma diferente.

Eu frequentemente me refiro a esse menino, Brian, como meu fantasma, porque ele se tornou parte de mim. A voz dele, na minha mente, se tornou uma voz bem punitiva, raivosa, que dizia: “Não seja feliz. Você se lembra o que aconteceu da última vez em que você ficou feliz? Você matou uma criança, você me matou”.

Eu ouvia essa voz diversas vezes todos os dias. Por isso, mesmo que gostasse dos meus estudos e amasse viver na Califórnia, sempre havia essa voz me segurando. Eu tinha matado uma criança e nunca esqueceria isso.

Eu pensei no Brian no dia em que me casei. Eu pensei no Brian no dia em que meu pai morreu. Eu pensei no Brian no dia em que defendi minha dissertação. Eu pensei no Brian no dia em que comecei um novo emprego. Ele viveu comigo.

Eu me casei quando tinha 30 e poucos anos. Contei ao meu marido sobre o acidente, mas nunca falamos sobre o assunto. Ele não me fez perguntas e eu não queria impor essa dor a ele – era um problema meu e eu não sentia que tinha o direito de pedir consolo.

Maryann Gray
“Eu me perdoo, mas acho que nunca ficarei totalmente em paz comigo mesmo com o fato de ter matado uma criança. Eu nunca deixarei de me horrorizar com isso” | Foto: Arquivo pessoal

“Nunca terá filhos”

Antes do acidente eu nunca conseguiria imaginar uma vida sem crianças. Eu era a babá mais requisitada da vizinhança quando estava no ensino médio. E eu adorava. Preferia cuidar de crianças a sair com meus amigos.

Na primeira semana após o acidente, quando eu me refugiei no meu apartamento, ouvi uma voz. Eu chamo isso de alucinação auditiva. O que a voz disse foi bem bíblico, ao estilo raivoso do Velho Testamento: “Você tirou uma criança da mãe e a sua punição será nunca ter filhos”.

Eu não falei sobre isso por, pelo menos, 20 anos. Por todo esse tempo.

Eu passei a ficar muito tensa ao redor de crianças – tudo o que eu enxergava eram as quinas pontiagudas dos móveis nas quais elas podiam esbarrar, a piscina onde poderiam se afogar, as escadas de onde podiam cair, a faca com a qual poderiam se cortar.

Eu não queria criar uma criança assustada e não achava que seria uma boa mãe, por isso decidi não ter filhos, o que é uma grande tristeza, mas acho que foi a decisão certa para mim. Eu teria muitas dificuldades no papel de mãe.

Compartilhando a história

Eu queria realizar uma série de metas de vida bem comuns – terminar meus estudos, arrumar um emprego, encontrar um parceiro. Do meio para o final da década de 90, decidi que era o momento de fazer terapia.

Eu carreguei essas memórias comigo e elas tomavam boa parte da minha vida interior e me separavam de outras pessoas. Meus amigos sabiam que eu ficava nervosa ao dirigir, mas não sabiam o motivo. Eu me sentia triste, às vezes, e o motivo era o acidente, mas eu não podia falar sobre isso.

As pessoas achavam que me conheciam, mas eu não falava sobre o evento mais significativo da minha vida.

Em 2003, houve um acidente no Mercado Rural de Santa Monica. Um homem idoso atropelou um grupo de pessoas e vários morreram ou se feriram. Eu morava perto de lá e estávamos assistindo à cobertura televisiva. Podíamos ouvir o som dos helicópteros.

Maryann jogando tênis com o pai, em 1976 ou 1977, antes do acidente | Fonte: Arquivo pessoal
Maryann jogando tênis com o pai, em 1976 ou 1977, antes do acidente | Fonte: Arquivo pessoal

Era uma carnificina, uma cena horrível.

As pessoas apareciam na TV gritando que esse homem de 86 anos era um assassino, mas a ideia de que ele teria a intenção de causar essas mortes me deixou horrorizada.

Eu fiquei tão perturbada com esse acidente que fechei a porta do meu escritório e despejei no papel algumas palavras sobre a empatia que eu sentia pelo motorista e pelas vítimas, sobre minha experiência e sobre a falta de apoio a pessoas que acidentalmente tiraram a vida de outras pessoas.

Na época, eu estava participando de um workshop de escrita, e decidi mandar o que eu tinha escrito para a mulher que coordenava o grupo. Ela me ligou e disse: “Você deveria enviar isso para a Rádio Pública Nacional”.

Se eu realmente tivesse acreditado que haveria alguma chance de eles transmitirem o material, eu provavelmente não teria enviado. Mas eu mandei o texto e, de repente, a rádio estava me ligando e perguntando se eu poderia fazer uma gravação.

Eu estava muito ansiosa, mas também achava que alguém precisava demonstrar compaixão por esse homem e por outros que acidentalmente já mataram alguém na vida.

A gravação foi transmitida dois ou três dias após o acidente.

Eu fui informada que precisaria me preparar para e-mails de ódio, para comentários negativos na internet e para receber ligações de pessoas querendo me intimidar.

Mas o que aconteceu foi absolutamente positivo, houve uma grande onda de apoio. Os amigos mais próximos que me ouviram na rádio demonstraram compaixão e vontade de ajudar. Eles me disseram que eu tinha sido forte por falar e que sentiam muito pelo que sofri.

Algo floresceu dentro de mim. Eu senti um enorme sentimento de alívio e de conexão com as pessoas ao meu redor e com o mundo.

Eu também tive contato com outras pessoas que acidentalmente mataram e que tiveram experiências similares às minhas – os sintomas pós-traumáticos, os flashbacks desconectados, a dificuldade na concentração e, claro, vergonha e culpa.

Foi muito poderoso porque nenhum de nós tinha conversado com alguém que tivesse tido a mesma experiência.

A carta à mãe de Brian

Por anos, eu pensei em contatar a família do Brian, mas me contive porque não sabia se eles iriam querer isso. Eu não tinha muito dinheiro, mas eu fiz uma doação anônima de alguns milhares de dólares para a faculdade do irmão dele, para pagar parte da matrícula.

Então, cerca de 10 anos atrás, fiz uma viagem a Israel. Eu sou judia, e fui com meu rabino e outras pessoas a um templo. Quando estava lá, eu adotei um nome hebraico, Bracha, que significa benção. Eu escolhi esse nome em homenagem ao Brian.

Quando cheguei em casa, escrevi uma carta para a mãe de Brian. Eu disse a ela que havia adotado esse nome em memória do filho dela e que Brian vivia no meu coração, assim como eu sabia que vivia no coração dela.

E mandei a carta.

Maryann Gay em cima do carro que dirigia ao atropelar Brian. Essa foto foi tirada um ou dois anos antes do acidente
Maryann Gay em cima do carro que dirigia ao atropelar Brian. Essa foto foi tirada um ou dois anos antes do acidente | Fonte: Arquivo pessoal

O contato

Mas a mãe do Brian havia morrido e a correspondência estava sendo encaminhada ao outro filho dela, o irmão mais velho de Brian.

Um dia, eu estava sentada no meu escritório, quando atendi a um telefonema e era ele. Ele tinha lido a minha carta e me achou na internet.

Conversamos por cerca de 45 minutos. Foi uma conversa emotiva. Ele estava com muita raiva e me contou o quanto a família dele havia sofrido.

Eles pararam de celebrar o Natal porque era muito próximo do aniversário de Brian e todas as outras datas familiares tipicamente alegres foram silenciadas para sempre. Eles nunca mudaram o quarto de Brian. Mantiveram tudo como estava, então havia uma lembrança constante do menino na casa.

O luto nunca terminou para nenhum dos membros da família.

À medida que conversávamos, ele ia se acalmando. Ele não sabia que eu havia telefonado para prestar condolências e que eu tive uma breve conversa com o pai dele alguns dias após o acidente.

O pai de Brian tinha sido muito gentil comigo e isso teve um impacto grande em mim.

No final da conversa, eu disse: “O que você quer me perguntar? Você pode me pedir o que quiser.”

Ele perguntou: “Você estava correndo?”

E eu disse: “Não, eu não estava correndo. Eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo, mas seu irmão apareceu na frente do meu carro”.

E ele disse: “É, eu sei. Hora errada e lugar errado.”

Naquele momento, eu me senti perdoada e pensei que talvez ele fosse capaz de sentir um luto puro, sem a tinta de raiva que havia colorido seu sofrimento até então.

Quando desligamos o telefone, certamente não senti que éramos amigos, mas foi como se tivéssemos uma conexão incrível, porque nós dois ainda estávamos de luto por aquela criança e sempre teríamos isso em comum.

O perdão

Eu me perdoo, mas eu vivo aterrorizada de que possa machucar mais alguém. Eu moro em Los Angeles e dirijo o tempo todo, mas sou muito cautelosa.

Eu tentei honrar Brian e a família dele ajudando os outros e sendo uma pessoa melhor, mas acho que nunca ficarei totalmente em paz comigo mesma por ter matado uma criança. Eu nunca deixarei de me horrorizar com isso.

Carta de mulher de 27 anos com câncer terminal comove a internet

No dia 3 de janeiro, ao descobrir um câncer em estágio termina, a australiana Holly Butcher publicou um post no Facebook que emocionou milhares de internautas. No texto, ela escreveu uma lista de lições aprendidas durante a vida. No dia seguinte, morreu aos 27 anos, ao lado da família.

“É muito estranho perceber e ter que aceitar sua mortalidade tão nova, aos 26. É uma daquelas coisas que ignoramos durante a vida. Os dias passam e você acha que eles vão continuar passando, até que o inesperado acontece. Sempre me imaginei ficando velha, com rugas e cabelos brancos, com uma família cheia de crianças”, contou, no início do post. “A vida é muito frágil, preciosa e imprevisível. Cada dia é não apenas um direito, mas um presente”, completou.

Depois de afirmar que as pessoas não devem se preocupar tanto com “as coisas pequenas e insignificantes que provocam irritação na vida’, ela listou vários ensinamentos que aprendeu na vida. São eles:

– Quando você estiver irritado com coisas ridículas, pense nas pessoas que estão realmente enfrentando problemas. Sinta gratidão por seus pequenos problemas e os supere. Depois, respire fundo e perceba o quão sortudo você é por simplesmente poder respirar.

– Ouço muitas reclamações sobre como o trabalho é terrível, como é difícil se exercitar… Seja grato pelo fato de que você é fisicamente apto a fazer isso. Trabalho e exercícios parecem atividades triviais – até o seu corpo não conseguir fazê-las.

– Aprecie seu corpo, mas se ele estiver num tamanho que não é considerado ideal. Movimente-se, coma comida saudável. Mas não fique obcecado com isso. Saúde mental é tão importante quanto saúde física. Os corpos exibidos nas redes sociais não devem ser seu ideal de beleza.

– Seja grato pelo fato de não sentir dor diariamente. Mesmo se você estiver resfriado. Isso passará.

– Ajudem uns aos outros.

– Doe, doe, doe. Você ganhará mais felicidade ajudando aos outros do que ajudando a si mesmo. Queria ter feito mais disso. Quando você estiver morrendo, dinheiro não significará nada.

– Compre algo sincero para seus amigos, em vez de apenas outro vestido, produto de beleza ou joia. Ninguém ligará se você usar a mesma roupa duas vezes. Leve-os para um restaurante ou, melhor ainda, cozinhe para eles. Dê uma planta, uma mensagem ou uma vela. Ou apenas diga que os ama.

– Valorize o tempo das outras pessoas. Não os deixem esperando.

– Use seu dinheiro em experiências de vida.

– Se esforce para fazer aquele passeio na praia que você está sempre adiando.

– Tente aproveitar cada momento, em vez de simplesmente pensar em capturá-los em fotos de celular.

– Meninas: aquele tempão que vocês gastam fazendo o cabelo ou passando maquiagem são realmente necessários? Nunca entendi isso.

– Acorde cedo para ouvir os pássaros e ver as cores bonitas que o sol produz quando ele nasce.

– Ouça música. Mas realmente ouça. Música é terapia. E as mais antigas são as melhores.

– Faça carinho no seu cachorro. Vou sentir tanta falta disso.

– Converse com seus amigos. Desligue seu celular.

– Viaje, se você gosta de viajar. Se não gostar, não viaje.

– Trabalhe para viver, não viva para trabalhar.

– Faça o que alegra seu coração.

– Coma o bolo. Sem culpa.

– Diga ‘não’ para coisas que você não quer fazer.

– Não se sinta pressionado a fazer o que as pessoas pensam ser importante para ter uma vida completa. Talvez você queira viver uma vida medíocre… e tudo bem!

– Diga às pessoas queridas que você as ama.

– Se algo faz você se sentir terrível, mude. Você tem o poder de mudar, seja no trabalho ou no amor. Tenha coragem para mudar. Não gaste o pouco tempo que você tem na Terra vivendo situações terríveis.

– Se você puder, doe sangue regularmente. Cada doação pode salvar três vidas. É um impacto enorme no mundo. Doações de sangue permitiram que eu vivesse um ano mais, e serei eternamente grata por ter passado mais esse tempo na Terra, ao lado da minha família, dos meus amigos e do meu cachorro. Esse ano foi um dos melhores da minha vida.”

Moradora de New South Wales, na Austrália, Holly morreu de Sarcoma de Ewing, uma forma rara de câncer ósseo que afeta principalmente pessoas jovens. Clique para conferir o post completo, que já foi compartilhado mais de 40.000 vezes na rede social.

Após 3 anos desempregado, homem sofre infarto e morre às vésperas de começar em novo trabalho

Uma família de Campo Limpo Paulista (SP) comoveu a internet após criar uma vaquinha online para custear os gastos com o funeral de Rafael dos Santos Barbosa, de 35 anos, que morreu no dia de Natal.

A viúva Maria Aparecida de Carvalho, conhecida como Branca, de 33 anos, contou que a família foi passar as festas de fim de ano em Minas Gerais, na casa de parentes, também para comemorar a superação de um longo período de dificuldades financeiras.

Branca deixou de trabalhar fora de casa para cuidar do filho Arhtur, de 4 anos, diagnosticado com autismo, e da caçula Isis, de apenas um ano. E, depois de três anos desempregado, o marido Rafael voltaria ao mercado de trabalho.

“Ele estava entusiasmado com o novo emprego e o novo tratamento que meu filho começaria”, afirma Branca.

Apesar de não ter problemas de saúde, segundo a mulher, Rafael morreu de infarto na manhã de Natal, enquanto dormia na sala da casa de um dos familiares. Ela o encontrou assim que levantou da cama.

“Mantive a calma por causa das crianças. Enquanto ligavam para o Samu, procurei o pulso dele, mas as extremidades estavam sem cor e geladas. Abri seus olhos e as pupilas já estavam dilatadas. Ele morreu dormindo e não houve Natal.”

Branca conta que realizou os procedimentos para levar o corpo de volta para Campo Limpo Paulista, onde foi realizado o funeral, no dia 26 de dezembro. As despesas ficaram em torno de R$ 5.600, envolvendo o traslado, urna de tamanho especial e preparação do corpo. Com a ação na internet, ela conseguiu mais do que precisava, passando de R$ 12 mil.

Tempos ruins

Segundo Branca, a família passou por situações complicadas nos últimos anos. “A nossa casa foi roubada e inundada, nosso carro pegou fogo, Rafael ficou desempregado e junto veio o diagnóstico de autismo do Arthur.”

A família chegou a morar em um porão, mas no fim de 2017 conseguiu que um convênio cobrisse a terapia do pequeno Arthur. A dona de casa conta que chegou a montar um brechó para ajudar a pagar as despesas.

Em três dias de campanha o valor necessário já foi ultrapassado com as doações online (Foto: Arquivo Pessoal/Facebook)

Solução

A ideia da vaquinha online surgiu em um grupo de rede social para mães, pois Branca queria saber se era possível conseguir assistência social do município para pagar as despesas do funeral. “Duas amigas que também fazem parte do grupo deram a ideia de montar a campanha. Foi então que eu lembrei da vaquinha e pensei que fosse mais fácil por poder usar o cartão de crédito, além da segurança.”

Segundo Branca, o prazo para pagar o funeral é dia 25 de janeiro, mas em três dias de campanha o valor necessário já foi ultrapassado com as doações online.

“O pessoal continua contribuindo! Aconteceu muita coisa com a gente e por conta da nossa história acredito que as pessoas se sintam mais comovidas em ajudar. As pessoas estão sendo muito generosas e eu estou sendo honesta, pois elas sabem que não tínhamos condições de bancar o funeral e de todas as dificuldades.”

As terapias do filho voltam nesta semana e Branca precisa recomeçar. A viúva conta que Rafael era um pai atencioso e um bom marido. “Ele era aquele super pai, levava o Arthur nas terapias, fazia mercado e nos levava em passeios.”

Branca ainda disse que se sente mais acolhida neste momento de luto ao ver tantas pessoas doando. “O que mais me impressiona é a empatia e como as pessoas são solidárias. Foram muitas doações de pessoas que eu não conheço.”

A viúva quer recomeçar e cuidar da família, para isso, pretende tirar uma CNH para poder levar o filho Arthur nas sessões de tratamento. “Muitos doam anonimamente e sabendo que a meta já foi atingida eles dizem que é para eu usar o dinheiro para um recomeço.”

Após 60 anos, melhores amigos descobrem que são irmãos

Foi recebida como um milagre de natal a notícia de que dois melhores amigos são, na verdade, irmãos. Alan Robinson e Walter Macfarlane, que nasceram e foram criados no Havaí, se conhecem há 60 anos e não desconfiavam do laço sanguíneo. A amizade começou na escola, onde se conheceram, e permanece forte até hoje.

“É realmente um milagre de Natal. E estamos tão felizes que descobrimos”, disse Macfarlane.

Nascidos com apenas 15 meses de diferença, os dois descobriram só agora que têm a mesma mãe biológica. Macfarlane não chegou a conhecer seu pai, enquanto Robinson foi adotado por uma outra família.

Robinson contou ao canal KHON2: ‘Eu tive um irmão mais novo que eu perdi quando ele tinha 19 anos. Então nunca tive sobrinhas ou sobrinhos. Eu pensei que nunca conheceria a minha mãe biológica”.

Em uma busca por saber quem foi seu pai, Macfarlane chegou a um site com histórico familiar e de registros de DNA e realizou um teste. Os resultados mostraram que ele tinha um cromossomo X idêntico ao de um usuário chamado “robi737”. Robi era o apelido de Robinson, e 737 é uma referência aos aviões que ele pilotava por uma companhia aérea local.

Algumas ligações foram o suficiente para confirmar que os amigos de longa data eram mesmo irmãos biológicos e que tinham a mesma mãe.

Em uma entrevista emocionada, os dois de abraçaram e comemoraram a nova família. Os dois revelram a boa notícia aos parentes na noite do último sábado.

“Foi uma grande experiência, e ainda é. Não sei quanto tempo levará para que eu me recupere desta sensação. É o melhor presente de Natal que eu poderia ter,” contou Robinson.

Agora eles planejam viajar e curtir a aposentadoria juntos.

Agência Globo

Ao procurar por irmãos, mulher descobre 122 parentes de uma vez só

O ano de 2017 ficou marcado na vida da costureira Verônica de Lima, que mora em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Foi quando a família dela, de uma hora para outra, aumentou de 16 para 138 pessoas (veja vídeo acima).

“Foi mais legal do que ganhar na loteria. Um presentão de Natal que eu nunca vou esquecer na minha vida”, comemorou a paranaense.
O reencontro aconteceu depois que Verônica não aguentou mais de saudade e de agonia pela falta de notícia dos quatro irmãos, com quem perdeu contato há 50 anos. Ela decidiu, então, buscar ajuda no Quadro Desaparecidos, da RPC, para tentar reencontrá-los.

50 anos de procura e apenas 20 km de distância

Mas o que Verônica, que é a caçula da família, não esperava era descobrir que o mais velho dos irmãos, Aparecido de Lima, estava o tempo todo a apenas 20 quilômetros de distância da casa dela, no bairro Boa Vista, em Curitiba.

“Eu não acreditei que nesse tempo todo a gente nunca se cruzou na rua. Meu Deus do céu, eu fiquei muito surpresa”, contou Verônica.

A família perdeu contato na década de 1960, quando o pai de Verônica, que morava em Rio Bom, na região norte do Paraná, aceitou uma proposta para trabalhar na colheita de algodão em Mariluz, no noroeste, e levou apenas dois dos cinco filhos. Os outros três, segundo Verônica, moravam em sítios da região e, por isso, não foram junto.

“Deu uma doideira nele [no pai] quando passou um caminhão de pau de arara levando gente para colher algodão e ele pegou tudo e quis ir. Deu tempo só de pegar as roupas e as coisas mais necessárias para jogar no caminhão e ir embora”, lembrou Verônica.
Depois disso, os pais faleceram, e a irmã que foi junto para Mariluz também acabou se distanciando.

Verônica encontrou os outros irmãos e vários parentes (Foto: Arquivo pessoal )

Descoberta de mais parentes

No dia em que o depoimento de Verônica foi ao ar na tv, os outros irmãos dela também assistiram ao programa e acabou que deu certo de toda a família se reencontrar.
“Eu fiquei em choque com tanta gente. Como todos os meus irmãos, assim como eu, formaram família, veio um pacote de sobrinhos e cunhadas que não acabava mais”, brincou Verônica.

Os demais irmãos moram em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, em Ouro Verde do Oeste, na região oeste, e em Astorga, na região norte.

Para chegar ao número preciso de 138 integrantes da família ao todo, Verônica contou que precisou “quebrar a cabeça”. “É muita gente e tudo de uma vez só. Mas a cada um que eu contava era uma alegria a mais”, afirmou.

2018 com a família unida

Como toda a família mora no Paraná, mas em cidades diferentes, vai ficar difícil de reunir todos para as festas de fim de ano. Mas, no ano que vem, mais precisamente no dia 5 de janeiro, a família inteira de Verônica pretende se reunir para colocar o papo em dia.

“Acho que vamos precisar de muitos encontros para contar tudo o que se passou nesse tempo todo, mas o mais difícil nós já conseguimos. Posso dizer que depois de 50 anos, eu voltei a sorrir. Agora a gente não se larga mais”, disse a costureira.

G1/PR