Ciberataques em larga escala afetam hospitais na Inglaterra e empresas na Europa

Diversos hospitais públicos da Inglaterra e empresas na Espanha foram alvo de uma série de ciberataques em “larga escala” que afetaram seus sistemas de informação, computadores e telefonia, informou nesta sexta-feira (12) o jornal britânico “The Guardian”. O jornal português “Diário de Notícias” diz que empresas do país também foram afetadas.

Representantes de hospitais afetados relataram ao jornal que estão cancelando atendimentos e redirecionando ambulâncias para outros hospitais.

De acordo com a publicação, as instituições sofreram, simultaneamente, um bug em seus sistemas de informação. O serviço de saúde pública da Inglaterra declarou estar ciente do problema. De acordo com o jornal, os hackers exigem pagamentos em bitcoins para liberar os equipamentos afetados – cerca de U$ 300 por computador.

Médicos locais publicaram posts no Twitter relatando o incidente.

O “Guardian” reproduz ainda uma série de mensagens que teriam sido escritas por um desses médicos.

“Então, nosso hospital está fora do ar… Um ciberataque foi antecipado. Então, eles desligaram tudo. Como nos filmes, sabe? Nós recebemos uma mensagem dizendo que nossos computadores estão sob o controle deles [supostos autores do ciberataque] e [exigem] que se pague uma certa quantia de dinheiro. E agora tudo se foi”, diz o trecho publicado no site do jornal.

Atendimentos cancelados e ambulâncias redirecionadas

“Lamentamos ter que cancelar consultas de rotina, e pedimos ao público para usar outros sistemas do serviço de saúde quando possível. Ambulâncias estão sendo redirecionadas para outros hospitais”, disse o representante do hospital de Barts ao “Guardian”.

O fundo East and North Herts NHS, que administra quatro hospitais, publicou em seu site uma nota sobre o ataque, citando problemas tanto no sistema de informação quanto no sistema de telefonia. Não há evidências de que os dados de pacientes tenham sido afetados, segundo a “BBC”.

Espanha e Portugal

O governo Espanhol emitiu um alerta sobre ataques ligados ao vírus de resgate WannaCryptor, que é possivelmente o mesmo ou semelhante ao que atingiu diversos hospitais britânicos nesta sexta-feira (12). Segundo a agência de notícias Reuters, diversas empresas espanholas, entre elas a Telefônica, foram vítimas do ataque.

A Telefônica já esclareceu que o ataque ficou limitado aos computadores de alguns funcionários e não comprometeu a operação ou a prestação de serviços da empresa.

Em Portugal, segundo o “Diário de Notícias”, foram afetados computadores das empresas PT, EDP, Santander e a consultora KPMG.

Vírus de resgate

Os primeiros relatos indicam que eles foram alvo de vírus de resgate. Eles são pragas digitais que embaralham os arquivos no computador usando uma chave de criptografia. Os criminosos exigem que a vítima pague um determinado valor para receber a chave capaz de retornar os arquivos ao seu estado original.

Quem não possui cópias de segurança dos dados e precisa recuperar a informação se vê obrigado a pagar o resgate, incentivando a continuação do golpe.

Avast indica surto

A fabricante de antivírus Avast divulgou um alerta confirmando um surto de ataques dessa praga digital. “Nós observamos um pico maciço de ataques do WanaCrypt0r 2.0 hoje, com mais de 36.000 detecções, até agora. Uma observação interessante que fizemos é que a maioria dos ataques de hoje está direcionada para a Rússia, Ucrânia e Taiwan”, afirmou Jakub Kroustek, líder da equipe do laboratório de ameaças no Avast.

Vírus de resgate (ou “ransomware”) é uma praga digital que inutilizam o sistema ou seus dados, impedindo o funcionamento regular do computador até que seja paga uma quantia em dinheiro. O pagamento normalmente deve ser efetuado através de uma “criptomoeda”, como o Bitcoin, para que as autoridades não consigam rastrear os invasores.

Medidas de contenção

“Ao tomar conhecimento do problema, o fundo imediatamente agiu para proteger sistemas de informação desligando-os; isso também significa que o sistema de telefonia não estão recebendo chamadas”, diz declaração do sistema de saúde inglês ao “Guardian”.

“Estamos adiando atividades não-emergenciais hoje e pedindo às pessoas que não venham à emergência – por favor, ligue para o 111 para dúvidas médicas urgentes ou 999 para emergência com risco de vida. Para garantir que todos os processos e procedimentos de back-up foram colocados em prática rapidamente, o fundo declarou abertura de um incidente interno de grandes proporções, para se certificar de que os pacientes nos hospitais do fundo continuem a receber os cuidados de que necessitam.”

Caso semelhante

Em fevereiro de 2017, o Centro Médico Presbiteriano de Hollywood, que teve seu atendimento prejudicado por um vírus de resgate, pagou a recompensa de US$ 17 mil (cerca R$ 68 mil) para criminosos fornecerem uma chave para restaurar os dados e sistemas do hospital.

Segundo um comunicado assinado por Allen Stefanek , presidente do hospital, “a maneira mais simples e rápida de restaurar nossos sistemas e funções administrativas era pagar o resgate e obter a chave. Na melhor intenção de voltar às operações normais, assim o fizemos”.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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