Eleições 2026

Cleitinho oficializa candidatura ao governo de Minas após crise no Republicanos

Senador anuncia candidatura em Divinópolis horas depois de reunião em São Paulo com Marcos Pereira; partido confirma apoio após pedido de desculpas do parlamentar.

Cleitinho oficializa candidatura ao governo de Minas após crise no Republicanos
📷 Câmara dos deputados
📋 Em resumo
  • Cleitinho Azevedo (Republicanos) anunciou candidatura ao governo de Minas Gerais em coletiva na Praça do Santuário, em Divinópolis, na noite de sexta (7/8).
  • Decisão foi selada em reunião de cinco horas na casa de Marcos Pereira, em São Paulo, após semana de idas e vindas que incluiu desistência oficial na segunda-feira (3/8).
  • Republicanos confirmou o apoio depois que o senador reconheceu "equívocos" e pediu desculpas à direção nacional, à estadual e à população mineira.
  • Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas, será o vice na chapa, revertendo cotação anterior para disputar o próprio governo pelo partido.
  • Por que isso importa: pesquisas (Genial/Quaest e Real Time Big Data) mostram Cleitinho na liderança com folga em Minas, segundo estado mais populoso do país e termômetro para a corrida presidencial de 2026.
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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) anunciou sua candidatura ao governo de Minas Gerais em coletiva de imprensa na noite desta sexta-feira (7/8), na Praça do Santuário, em Divinópolis, sua cidade natal no Centro-Oeste mineiro. O anúncio encerra, pelo menos por ora, uma disputa interna que se arrastava havia semanas dentro do Republicanos e que incluiu uma desistência oficial do próprio senador quatro dias antes. A decisão foi selada horas antes, em São Paulo, numa reunião que começou na parte da tarde na casa do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, com a presença de Euclydes Pettersen, presidente da legenda em Minas. Na sequência, o partido publicou nota oficial confirmando que autorizou a candidatura do senador ao governo de Minas Gerais, detalhando as condições que levaram a direção nacional a rever a decisão de barrar sua participação na disputa.

Uma novela de idas e vindas desde julho

O impasse tem origem na convenção estadual do Republicanos, realizada em 25 de julho, que terminou sem a homologação da candidatura de Cleitinho, com o partido optando por manter a vaga em aberto enquanto aguardava definição do senador, que não compareceu ao evento. A ausência tem explicação trágica: no sábado anterior, 18 de julho, morreu o irmão mais novo do senador, Matheus Azevedo, que estava em tratamento contra leucemia recidiva. Mesmo de luto, Cleitinho manteve sinalizações de que seguiria na disputa. Em 29 de julho, numa primeira coletiva na mesma Praça do Santuário, ele confirmou publicamente que pretendia concorrer, afirmando ter cumprido todos os prazos combinados com o partido. Horas depois, porém, o Republicanos publicou nota discordando frontalmente: "uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu", registrou o comunicado assinado pela executiva nacional. O vaivém continuou na semana seguinte. Segundo a revista Oeste, Cleitinho manteve a pré-candidatura, desistiu oficialmente na segunda-feira (3/8) e, no dia seguinte, voltou a pedir ao partido autorização para concorrer — pedido rejeitado de imediato pela direção nacional, que só passou a reavaliar a posição diante da avaliação interna de que a candidatura poderia fortalecer o desempenho eleitoral da legenda em Minas. Chegou a circular a informação de que o próprio Marcos Pereira preferia lançar outro nome: na quarta-feira (6/8), o dirigente nacional afirmou que o ex-presidente da Associação Mineira dos Municípios, Luís Eduardo Falcão, deveria ser o candidato do partido ao governo de Minas, embora ele fosse até então cotado apenas para vice na chapa de Cleitinho.
"Peço humildemente do fundo do meu coração [...] Peço ao presidente que me dê a vaga, que eu não vou decepcionar o povo mineiro" — Cleitinho Azevedo, em apelo público a Marcos Pereira.

O acordo fechado em São Paulo

Diante do impasse, Cleitinho e aliados viajaram a São Paulo na quinta-feira (6/8) na tentativa de reverter a posição do presidente nacional. A reunião decisiva ocorreu já na sexta-feira: o senador passou a tarde reunido com Marcos Pereira, acompanhado de Euclydes Pettersen, até que o aval fosse concedido e a coletiva em Divinópolis, marcada. Segundo a nota oficial do Republicanos, o desfecho favorável dependeu de gestos concretos do senador. O partido informou que Pereira decidiu dar aval à candidatura depois que Cleitinho reconheceu "equívocos cometidos durante o processo" e apresentou formalmente desculpas às direções nacional e estadual da legenda, à população mineira e às forças políticas envolvidas nas articulações eleitorais. Mais que isso, o senador assumiu o compromisso definitivo de levar a candidatura ao governo de Minas até o fim — cláusula que soa como blindagem do partido contra uma nova desistência de última hora. O comunicado explica ainda a mudança de cálculo político: a posição foi reavaliada diante de "fatos novos, compromissos objetivos" e, principalmente, dos reiterados apelos de candidatos do Republicanos a deputado federal e estadual em Minas Gerais, que argumentaram que uma candidatura própria e competitiva ao governo é importante para fortalecer o projeto da legenda e impulsionar as chapas proporcionais. Na prática, o argumento eleitoral — puxar votos para o restante da chapa — falou mais alto que o desgaste da novela pública.

Falcão muda de gubernatorial para vice

A confirmação trouxe também a definição da dobradinha: o ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, foi o nome escolhido para a vaga de vice-governador, enquanto as candidaturas ao Senado seguem em negociação. A escolha tem uma reviravolta própria — apenas um dia antes, Marcos Pereira defendia que o próprio Falcão encabeçasse a chapa ao governo pelo partido, e não como vice de Cleitinho. Ex-prefeito de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, Falcão tem 42 anos, é bacharel em Direito, foi eleito prefeito em 2020 e reeleito em 2024. Em publicação recente, destacou o custo pessoal da decisão: renunciou ao mandato de prefeito, onde tinha mais de 90% de aprovação e havia sido reeleito com 85% dos votos, para embarcar no projeto estadual. Falcão disse ainda que a chapa está aberta ao diálogo com outros partidos até o dia 15 de agosto, prazo final da Justiça Eleitoral para o registro de candidaturas. A recomposição de peças deixou outro nome à deriva: Marcelo Aro (PP), que chegou a receber sinalizações de apoio do Republicanos durante a janela em que Cleitinho estava fora da disputa, agora disputará o Senado isoladamente. Para essa vaga também desponta o deputado federal Domingos Sávio (PL), ex-prefeito de Divinópolis, já confirmado em convenção partidária.

Cleitinho lidera todas as pesquisas divulgadas

O interesse do Republicanos em manter Cleitinho na disputa tem lastro nos números. Levantamento da Genial/Quaest divulgado em 28 de julho mostrou que o senador lidera os três cenários estimulados de primeiro turno em que aparece com mais de 20 pontos percentuais de vantagem para os demais. Nas simulações de segundo turno, Cleitinho venceria Patrus Ananias (PT), Alexandre Kalil (PDT) e Mateus Simões (PSD). Sem ele na disputa, porém, o quadro muda: há empate técnico entre Alexandre Kalil e Rodrigo Pacheco (PSB). Pesquisa do instituto Real Time Big Data, feita em 30 de julho, chegou a conclusão semelhante: Cleitinho tem mais de 20 pontos percentuais de vantagem nos cenários em que aparece e venceria Alexandre Kalil, Patrus Ananias e Mateus Simões em eventual segundo turno. Sem o senador na corrida, há empate técnico entre Kalil e Ananias. O levantamento ouviu 2.000 eleitores mineiros entre 25 e 29 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro na Justiça Eleitoral sob o código MG-06475/2026.

Por que Minas importa além das fronteiras estaduais

Minas Gerais é o segundo colégio eleitoral do país e peça-chave em qualquer equação presidencial. O governo estadual está em disputa aberta porque o atual governador, Romeu Zema (Novo), reeleito em 2022 com 56,18% dos votos no primeiro turno, está impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo por vedação constitucional à reeleição sucessiva. O vice, Mateus Simões (PSD), tenta suceder o titular, mas concorre com nomes de peso como Kalil e Pacheco — ex-presidente do Senado — e agora com o favoritismo momentâneo de Cleitinho nas pesquisas. A trajetória do senador também ajuda a explicar seu capital eleitoral. Ele foi eleito ao Senado em 2022 com 41,52% dos votos, superando o então titular Alexandre Silveira e Marcelo Aro, depois de ter sido deputado estadual eleito com 115.492 votos e vereador em Divinópolis. Empresário e cantor gospel, ele soube transformar rejeição partidária em capital de vítima — narrativa que, somada aos números de pesquisa, tornou sua candidatura, aos olhos do Republicanos, um risco maior de não lançar do que de lançar. Resta saber se o "compromisso definitivo" exigido pelo partido resistirá ao calendário apertado até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, e às negociações ainda em aberto para completar a chapa ao Senado.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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