Codex Gigas: O Enigma da “Bíblia do Diabo” que fascina o mundo há séculos
Manuscrito medieval colossal, envolto em lendas de pactos demoníacos, continua a intrigar historiadores e curiosos. Conheça a história do Codex Gigas, suas origens misteriosas e o que o torna um ícone

Por séculos, o Codex Gigas, conhecido como a “Bíblia do Diabo”, tem capturado a imaginação de estudiosos, místicos e amantes de mistérios. Com quase um metro de altura, 51 centímetros de largura e pesando cerca de 75 quilos, esse manuscrito medieval é uma obra monumental que reúne textos sagrados, históricos e até feitiços, mas é sua lenda de origem — envolvendo um suposto pacto com o Diabo — que o transformou em um ícone do desconhecido. Este artigo mergulha na história, nos fatos e nas curiosidades que cercam esse livro único, preservado até hoje na Biblioteca Nacional da Suécia.
Uma obra gigantesca com uma lenda sombria
O Codex Gigas, produzido entre 1204 e 1230 no território da atual República Tcheca, é o maior manuscrito medieval conhecido. Escrito em pergaminho feito do couro de mais de 160 animais, suas 310 folhas contêm uma coleção impressionante: o Antigo e Novo Testamento, textos do historiador Flávio Josefo, escritos do teólogo Isidoro de Sevilha, uma crônica da Boêmia chamada Cosmas de Praga, um manual médico do século XII e até rituais de exorcismo e feitiços. Mas o que realmente chama atenção é a ilustração de página inteira do Diabo, com chifres, garras e língua bifurcada, posicionada em contraste com a imagem da Cidade Celestial.

A lenda mais famosa sobre sua origem é tão intrigante quanto a própria obra. Conta-se que um monge tcheco, condenado a ser emparedado vivo por um crime não especificado, prometeu criar, em uma única noite, o maior livro do mundo para redimir sua pena. Incapaz de cumprir a tarefa, ele teria invocado o Diabo, oferecendo sua alma em troca da conclusão do manuscrito. Como prova do pacto, o monge incluiu a imagem demoníaca, que até hoje é o elemento mais célebre do livro. Para o historiador “Michael Gullick”, especialista em manuscritos medievais, “a uniformidade da caligrafia sugere que o Codex foi obra de um único escriba, o que é extraordinário dado o tamanho e a complexidade do texto”.
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