Coluna – Comparar tragédias é uma coisa tão sem noção que nem cabe discussão

Brasileiros passam o fim de semana brigando para ver quem sofre mais, se os moradores de Mariana ou os franceses vítimas de atentados terroristas

Devagar

Demos início nesta segunda a transmissão da Rádio Painel Político (www.rppnet.com), intercalando notícias com músicas. Estamos em fase de adaptação, então pedimos desculpas pelas falhas na transmissão, mas acreditamos que até o final dessa semana estaremos 100% operacionais. De qualquer forma, vai curtindo a nossa programação, ela tá bem legal, tanto em termos musicais quanto nas notícias. Se você usa celular com sistema Android, já pode baixar nosso aplicativo na Google Play.

Deixa eu entender

Uma feijoada de confraternização é “compra de votos”. Distribuir comida em convenção eleitoral para uma massa de desfavorecidos à pretexto de “convenção partidária” não é? O entendimento só vale então para a OAB, é juiz?

Faltou bom senso

O candidato à presidência da Ordem, Juacy Júnior resolveu apelar e impetrou um pedido de liminar na justiça federal para impedir a realização de uma feijoada de encerramento de campanha do também candidato Andrey Cavalcante. A justiça negou. Por obra do acaso, no mesmo dia aparece em frente ao local onde foi realizada a feijoada, um outdor com os dizeres, “feijoada e eleição, não venda seu voto”, insinuando que os advogados que se fizessem presentes, estariam vendendo o voto em troca de um prato de comida. O efeito disso foi desastroso e extremamente ofensivo.

[su_frame align=”right”]//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js // [/su_frame]Primeiro assédio

Mariana Carvalho disse que foi assediada aos 11 anos quando saía do Maracanã na companhia de seu pai e seu irmão. Alguém que estava ao lado passou a mão nela. O relato foi feito ao jornal O Globo, na coluna de Lauro Jardim. A deputada disse ainda que até hoje, durante eventos com muita gente, sempre tem um engraçadinho que tenta “tirar uma casquinha”.

Tragédias

Primeiro foi a cidade de Mariana, em Minas Gerais que está soterrada sob um lamaçal tóxico cujos efeitos ainda são desconhecidos a curto, médio e longo prazo. Nas redes sociais grupos de ajuda se organizam para enviar suprimentos e água. A vizinha Governador Valadares vem sofrendo com o desabastecimento. E no fim de semana, tivemos os atentados terroristas em Paris, onde morreram mais de 130 pessoas em chacinas promovidas pelo Estado Islâmico, que mistura religião com política e cria uma geração de jihadistas prontos para explodir o mundo em nome de “Alá”.

E no Facebook

As tragédias foram palco de polêmicas. Isso porque a rede social disponibilizou um filtro com as cores da bandeira francesa para que os usuários pudessem mostrar sua solidariedade. Muitos acreditam que essa ação é uma falta de respeito com os atingidos pela tragédia em Minas. Não se trata disso. Ambas são terríveis. A questão é que o brasileiro, de uma maneira geral, não tá nem aí para tragédias tupiniquins. O brasileiro não é patriota, ele quer ser, mas não consegue. Acha lindo o amor que os americanos tem por seu país, mas a questão é cultural. Enquanto os americanos tem um histórico de lutas por independência e solidariedade (assim como os europeus), nós temos o da esperteza e do egoísmo. Não fique ofendidinho. Eu explico.

Olha isso

Em grandes tragédias, americanos e europeus se unem, viajam milhares de quilômetros como voluntários, fazem doações em dinheiro, levam desabrigados para suas casas. no Brasil a turma aumenta os preços, desvia suprimentos e rapidamente esquece do acontecido. É cada um por si. Agora mesmo, em Valadares estão ocorrendo brigas porque funcionários da prefeitura afirmam que pessoas que já receberam sua cota de água, estão entrando na fila três, quatro vezes. Outros mandam filhos e parentes para “aumentar a cota”. E os comerciantes aumentaram o valor do garrafão em mais de 100%. Duas tragédias, dois comportamentos distintos.

Reação

E nossas autoridades tem o péssimo hábito de agir pensando nos lucros políticos e não na solidariedade. Dilma Roussef, por exemplo, só esteve em Minas uma semana após o ocorrido. “Só vou quando é para resolver”, disse ela ao se defender pela demora. Não é verdade. Aqui mesmo, ano passado fomos vítimas de uma enchente que deixou centenas de desabrigados. Ela veio aqui, já quase no final da cheia. E também não resolveu nada. O mesmo podemos dizer de Mariana. Ela tinha que ter ido no máximo no dia seguinte. A população conta com isso. Mas é solenemente ignorada.

 

Enquanto isso

Na última coluna falamos sobre a inspeção que a ANAC fez ao aeroporto de Ji-Paraná e encontrou uma série de falhas, entre elas a falta de gente qualificada para ocupar postos altamente técnicos. Enquanto o coronel bombeiro do DER enche a folha do órgão com amigos sem a qualificação exigida por lei, os demais aeroportos de Cacoal e Ariquemes estão em condições ainda piores. Estão brincando com coisa séria. Seremos multados e quem paga a conta somos nós, contribuintes.

E no Paraná

Fernando Baiano deixa a prisão depois de amanhã, conforme acordado em sua delação premiada. Vai direto de Curitiba para o seu apartamento de 800 metros quadrados na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Este imóvel, avaliado em torno dos R$ 12 milhões, mesmo com o mercado imobiliário carioca caindo aos pedaços, ficará com o ex-operador. Já as casas de Trancoso e Angra dos Reis foram repassadas à Justiça para serem vendidas. Pois é, e quem disse que o crime no Brasil, não compensa? As informações são de Lauro Jardim.

Já Argôlo

O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, condenou nesta segunda-feira o ex-deputado federal Luiz Argôlo a 11 anos e 11 meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro. Segundo o magistrado, o ex-deputado recebeu pelo menos 1,47 milhão de reais em dinheiro sujo no escândalo do petrolão. Em um dos casos, Argôlo recebeu 250.000 reais de uma só vez em propina do esquema de fraude em contratos e desvio de recursos de obras das Petrobras. Ele foi o terceiro político condenado por Moro nos processos relacionados ao propinoduto na estatal – André Vargas (ex-PT-PR) foi apenado em 14 anos e quatro meses; Pedro Corrêa (ex-PP-PE) recebeu vinte anos, sete meses e dez dias de prisão.

Clínica Mais Saúde informa – Ficar sentado por longos períodos não faz tão mal assim

Ficar sentado por longos períodos não aumenta o risco de morte. Na verdade, o hábito de permancer sentado ou em pé tem um impacto muito semelhante na saúde do organismo — uma posição não traz mais benefícios que a outra. É o que diz uma nova pesquisa científica publicada recentemente no periódico International Journal of Epidemiology. O trabalho contradiz o que os estudos afirmaram até então. Os pesquisadores das Universidade de Exeter e College London, ambas na Grã-Bretanha, analisaram dados de saúde de 5.132 pessoas, acompanhadas ao longo de 16 anos. Durante o período, além de informações relacionadas a condições de saúde, os participantes relataram o tempo que passavam sentados em diversas situações: no trabalho, assistindo televisão e durante o lazer. Avaliou-se também o tempo gasto com atividades físicas. Após considerarem diversos fatores, como idade, gênero, etnia, status socioeconômico, alimentação, tabagismo, consumo de álcool e saúde em geral, os pesquisadores descobriram que o risco de morte dos pacientes não foi influenciado pelo tempo que passavam sentados. Não basta, portanto, substituir o tempo gasto sentado por simplesmente ficar em pé. Para os pesquisadores, deve-se enfatizar a atividade física. Ou seja, substituir o hábito de permanecer sentado pala prática de exercícios regulares. O excesso de ênfase sobre os riscos de passar muito tempo sentado deveria ser substituído pela valorização da prática de atividade física — e não ficar simplesmente em pé.

Anúncios
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

1 thought on “Coluna – Comparar tragédias é uma coisa tão sem noção que nem cabe discussão

  1. acho que mais da metade das pessoas no meu facebook passaram o fim de semana trocando indiretas sobre as duas tragédias e sobre qual delas merecia mais atenção, eu acho que as duas foram situações bem diferentes, a de MG foi talvez negligência + força da natureza, e o de Paris foi algo diretamente causado pelo homem, envolvendo uma religião absurdamente imbecil, mas ambas são merecedoras da atenção.

Participe do debate. Deixe seu comentário

%d blogueiros gostam disto: