Coluna - Detran comprou sistema por R$ 6 milhões e nunca usou; agora quer pagar R$ 9 milhões em mais licenças
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Errei…
Na última coluna, havia dito que o Detran havia adquirido um software que gera máquinas virtuais através de um sistema chamado VDI por R$ 3 milhões. Na verdade foram R$ 6.182.492,42, e o valor seria para compra de 700 licenças, mas nem metade delas foram instaladas. Antes de prosseguir, é preciso entender do que se trata esse software. É uma tecnologia de Virtual Desktop Infrastructure (VDI) que foi criada para reduzir custos e aumentar a eficiência no uso de computadores. Com ela, todo o processamento acontece em servidores centralizados, enquanto os usuários acessam os sistemas por meio de máquinas simples, que apenas enviam comandos de teclado e mouse e exibem o vídeo pela rede. Assim, não é necessário ter um computador potente para rodar os programas, pois todo o trabalho pesado é feito no servidor.
Porém…
O Detran tomou uma decisão completamente contraditória ao escolher uma solução que exigia processamento local nas máquinas dos usuários. Em vez de aproveitar o VDI para economizar recursos, o órgão usou computadores de alto desempenho para executar um sistema que deveria rodar em equipamentos simples. O erro fica ainda mais evidente quando se considera que essas máquinas já vinham com Windows licenciado e poderiam ser usadas como desktops normais. Se o objetivo fosse adotar a virtualização corretamente, bastaria formatá-las e instalar um sistema operacional livre, como Linux, garantindo um uso mais eficiente.

E continua…
Mas o que foi feito? O Detran pegou computadores potentes, que poderiam ser usados para tarefas comuns, e os transformou em terminais de virtualização que não precisavam de tanta capacidade. Em outras palavras, era como usar um carro esportivo apenas para ouvir rádio na garagem. O resultado? Equipamentos caros desperdiçados e um sistema que não aproveita o real benefício da virtualização. Essa decisão levanta um questionamento óbvio: por que investir em uma solução de VDI que não elimina a necessidade de máquinas potentes? A escolha errada não só gerou desperdício de dinheiro, como também mostrou uma falta de planejamento tecnológico que poderia ter sido evitada com uma análise mais criteriosa das necessidades e possibilidades da infraestrutura de TI do órgão.
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