Coluna – Saiba porque Raupp e o PMDB tem tanto medo do Fernando Baiano

E mais: Rondônia, quatro anos de estagnação econômica, um governo que só administra crises e denúncias de corrupção

 

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Quatro anos

Daqui a 30 dias o atual governo completará quatro anos de mandato. Foram 1460 dias que Rondônia está parada, econômica e politicamente falando. Desde o primeiro ano que o atual administrador de Rondônia não consegue se encontrar. Logo nos primeiros dias de janeiro de 2011 inventou um tal “estado de calamidade” na saúde, que agora descobrimos, não passou de uma farsa para comprar medicamentos e hospitais de campanha, sem licitação, em uma maracutaia que desviou milhões e deixou uma “gordura” para a caixinha de campanha.

Avanço zero

Por mais que os governistas insistam em falar sobre algumas obras que foram concluídas, algumas sem o menor sentido, como o superfaturado Espaço Alternativo ou a imensa Escola Murilo Braga, o principal do Estado, que é a máquina econômica emperrou. Absolutamente todos os postos fiscais estão fechados, assim como os postos da IDARON. Rondônia virou um estado de porteiras abertas para a sonegação. Nem mesmo a pataquada chamada de “Nota Legal” ajudou em alguma coisa, já que até hoje contribuintes aguardam os sorteios ou a devolução de seu dinheiro em troca de liberar para o Estado, seus dados de consumo.

Sim, caro leitor

O cadastro do “Nota Legal” é um impressionante banco de dados sobre os hábitos de consumo por parte da população de Rondônia e como a coisa é bagunçada, não se sabe como funciona o controle desse sistema, se é que tem algum.

Fora isso

Tivemos o fracasso dos programas de piscultura (não se engane com os números do governo, o setor teve crescimento mas por mérito próprio de alguns empresários), o abandono de diversos programas públicos de mecanização e distribuição de sementes. Rondônia está parada há quatro anos, e a culpa é tão somente de uma pessoa, que é o atual chefe do Executivo, reeleito através de uma série de manobras ilegais que foram apontadas pelo Ministério Público Eleitoral. Não vamos nem falar hoje sobre a Operação Platéias, que coloca o atual mandatário no palco dos crimes cometidos por pessoas próximas a ele e o deixou um dia inteirinho de castigo na superintendência da Polícia Federal.

Aos amigos…

Dia desses em uma rádio de Pimenta Bueno, o deputado estadual recém-eleito Cleiton Roque declarou, “não troco meu mandato de deputado por cargo algum”. E não precisa mesmo trocar. Servidor da prefeitura de Pimenta Bueno, Roque está “cedido” para a Casa Civil do governo até 31 de dezembro deste ano. Interessante que “trabalhando” pelo governo mesmo, nada. Ele anda cumprindo agenda de candidato, participando até de campeonato de kung-fu.

Aos adversários…

Seguindo á risca a cartilha de seu vice recém-eleito Daniel Pereira, o atual chefe do Executivo resolveu fazer algumas, digamos, mudanças nos cargos comissionados, principalmente dos agentes penitenciários, que fizeram campanha aberta para Expedito Júnior nas eleições deste ano. No Diário Oficial do último dia 28, é possível notar várias exonerações de cargos de chefia. A ordem é tirar do comando qualquer um que tenha trabalhado em campanhas adversárias. Isso contraria o discurso de “contratações técnicas”, que vinha sendo pregado desde o começo desse governo.

Chegando perto

O Tribunal de Contas da União está olhando com lupa as Sociedades de Propósito Específico (SPE) formadas pelo grupo Eletrobrás em parceria com companhias de engenharia. Apesar da participação estatal nessas sociedades, elas funcionam como empresas privadas. Por isso, o TCU só consegue fiscalizar os gastos realizados pelas empresas públicas nas sociedades, sem ter acesso a informações centrais do negócio. Claro que Rondônia não poderia ficar fora dessa história, e a empresa de maior dimensão que tem Furnas como sócia é a SPE Madeira Energia, criada para gerir a hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, negócio compartilhado com a Odebrecht, investigada na Lava Jato.

Como se trata

De uma SPE, o dinheiro do BNDES foi gasto à rodo, sem nenhum controle, em contrapartidas sociais amalucadas, como a construção de uma ciclovia na Estrada do Santo Antônio, que custou na época mais de R$ 900 mil e nunca foi usada. Foram em ralos desse tipo que o dinheiro público escafedeu-se por essas bandas e agora, com o TCU olhando bem de perto, certamente a coisa vai feder. Evidente que o dinheiro dificilmente será recuperado, mas certamente vamos descobrir quem foram os responsáveis pelas traquinagens.

Essa devassa

No setor de energia elétrica vem deixando o senador Valdir Raupp extremamente preocupado. Para quem não sabe ou não lembra, lá em 2006 foi preso na Operação Castor, da Polícia Federal, o assessor legislativo de Valdir Raupp, José Roberto Parquier. Na época, um dos relatórios da PF relatava que Parquier e representantes da empresa Alstom (que também opera em Rondônia) se reuniram pelo menos uma vez no gabinete do então líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp. Na época os dirigentes da Alstom foram acusados de pagar propina a políticos e funcionários públicos para facilitar a liberação de pagamento de dívidas de estatais, ou para reduzir valores de multas aplicadas por descumprimento de contratos com o setor público. Não sei porque, mas acho que vi um filme parecido com esse recentemente.

Em 2009

O jornal Folha de São Paulo publicou reportagem detalhando a participação de Raupp no esquema. A reportagem dizia que a PF apreendeu um documento na casa de Parquier, considerado “homem de confiança de Raupp” onde constava o nome do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e de Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte e irmão do então deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), entre outros, ao lado de uma cifra – cerca de R$ 2 milhões. No verso de uma das páginas, foram citados os nomes da Alstom e da CNO (Construtora Norberto Odebrechet, segundo a polícia). Ainda segundo a reportagem, Paquier negociava, por meio de intermediários, com um diretor da Alstom o pagamento de cerca de R$ 300 milhões que a Eletronorte devia à empresa. Num telefonema, os investigados discutem formas de receber as parcelas de R$ 46 milhões que o consórcio esperava receber.

De acordo com o jornal

A dívida era controversa. A Alstom havia entregue duas turbinas para a hidrelétrica de Tucuruí que apresentavam problemas. Por causa disso, a Eletronorte decidiu suspender o pagamento. A Alstom integrou com a Odebrechet o consórcio que construiu Tucuruí, uma das obras mais caras da última década -R$ 3,7 bilhões. Foi nesse momento que entrou em cena o assessor do senador, vendendo facilidades. Numa conversa gravada pela PF, ele diz que pode arrumar nota fiscal de uma consultoria para dar uma aparência legal à propina que a Alstom pagaria. Esse negócio, aparentemente, foi abortado pelas investigações. Mas a suposta contabilidade apreendida pela PF trouxe indícios de que outros negócios haviam sido concluídos.

Nomes

Os documentos citavam os seguintes nomes ao lado dos valores: Raupp, Nascimento, “Ademar Paloci” (com a grafia errada), Winter, Hércio e Belém. Carlos Nascimento era o presidente da Eletronorte. Hércio José Ramos Brandão ocupava a diretoria de gestão corporativa da Eletronorte e foi demitido em 2006, após seu nome aparecer na operação da PF.  Winter Coelho, funcionário de carreira da Eletronorte, era o nome que o senador Raupp indicou em 2005 para a diretoria de gestão corporativa. A indicação esbarrou em Dilma Rousseff: ela o vetou por causa dos processos que Winter respondia na Justiça e no TCU (Tribunal de Contas da União). Em 2005, ele foi condenado pelo TCU a devolver cerca de R$ 3.753 por contas recusadas quando era diretor da Centrais Elétricas de Roraima. E o jornal destacou, “Nascimento, Hércio e Winter têm um ponto em comum: eram ligados a Raupp”.

Daí

O motivo da turma estar tão preocupada com a prisão de Fernando Baiano. Para tentar minimizar os estragos, o PMDB se apressou em divulgar nota na semana passada afirmando “caso alguém tenha, indevida e desautorizadamente, se apresentado como seu representante ou ‘operador’, ante qualquer empresa pública ou privada, o fez em caráter pessoal ou no interesse de terceiros, em razão do que deverá responder por tais atos, na forma da lei.” Ou seja, “se pegaram  propina não foi para a gente”. Háaaaaaaaaaa, táaaaaaaaa. Agora está tudo explicado.

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Uma em cada cinco pessoas com HIV no Brasil não sabe que é soropositiva

O Brasil tem cerca de 734 mil pessoas com o vírus HIV, mas, de cada cinco, uma não sabe que é soropositiva. Hoje, quase 400 mil pessoas estão em tratamento, das quais 61.221 começaram a tomar os medicamentos entre janeiro e outubro deste ano. A quantidade de novas pessoas sob tratamento cresceu em relação ao ano passado. No mesmo período de 2013, 47.506 pessoas tinham começado a tomar os medicamentos. Segundo o Ministério da Saúde, o número cresceu devido a uma nova orientação da pasta, lançada em 1º de dezembro do ano passado. Na época foi lançado o Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids, que garantiu acesso aos remédios retrovirais a todas as pessoas com HIV, mesmo aquelas que não apresentam sintomas da Aids. Os números fazem parte do Boletim Epidemiológico HIV-Aids 2014 e foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde. Em 1º de dezembro, é comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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