Contagem regressiva para as Eleições 2026
Por José Hiran Gallo Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM)
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- O início da propaganda eleitoral em 16 de agosto e da propaganda gratuita em 28 de agosto marca a reta final para as Eleições de 2026, com foco especial nos 1,26 milhão de eleitores de Rondônia.
- O ato de votar é destacado como uma decisão de alta responsabilidade coletiva, exigindo do eleitor a análise de coerência, propostas factíveis e o histórico dos candidatos, além da filtragem rigorosa de desinformação.
- A perspectiva de um profissional da saúde ressalta a necessidade urgente de eleger representantes comprometidos com o uso responsável de recursos públicos e a valorização do sistema de atendimento, área que raramente gera holofotes midiáticos.
- Por que isso importa: A qualidade da democracia e o futuro do desenvolvimento socioeconômico, especialmente na agenda da saúde, dependem diretamente da capacidade do eleitorado de exercer o voto de forma livre, informada e estratégica, indo além das promessas de palanque
Estamos a um mês do início do período de propaganda nas ruas com foco nas Eleições de 2026, previsto para começar em 16 de agosto. Com a chegada desse marco, cresce a responsabilidade de cada cidadão diante das escolhas que vão estar no voto, uma das mais importantes manifestações da cidadania.
Pouco depois, a partir de 28 de agosto, a campanha eleitoral deve se intensificar ainda mais com o início da propaganda gratuita em rádios e TVs, estimulando a circulação de propostas, debates e disputas de ideias.
Viveremos um momento poderoso que antecede o pleito com o estímulo coletivo à reflexão sobre o que, nós, enquanto sociedade, desejamos para o País. Em uma democracia, poucas decisões individuais produzem efeitos tão amplos quanto às tomadas diante da urna, como acontecerá em 4 de outubro.
Nesta data, os brasileiros, por meio de uma única cédula, vão confessar suas preferências secretas que repercutirão, no mínimo, por mais quatro anos na vida de todos. No caso de Rondônia, mais de 1,26 milhão de eleitoras e eleitores exercerão seu direito de eleger um governador, dois nomes para o Senado Federal, oito deputados federais e 24 deputados estaduais.
Já ansioso por conhecer as propostas dos nossos candidatos, considero especialmente oportuna a campanha desenvolvida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), sintetizada na mensagem "6 votos e um futuro".
Essa iniciativa cumpre seu papel ao orientar sobre a dinâmica da eleição — incluindo a importante informação de que haverá duas escolhas distintas para o Senado —, além de conscientizar a população de que o ato de votar não significa apenas cumprir uma obrigação legal
Ao preencher com consciência cidadã uma cédula de votação, o eleitor define os rumos de sua comunidade e da nação, permitindo a renovação de lideranças ou conferindo novo mandato àqueles que entender merecedores de mais um ciclo com a confiança popular.
Em qualquer circunstância, é bom ressaltar, a decisão pertence exclusivamente ao eleitor, que deve exercê-la de forma livre, informada e responsável. Falo isso porque ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à medicina, boa parte delas em instituições de defesa da categoria e dos pacientes, compreendi que decisões responsáveis exigem serenidade, conhecimento e compromisso com o interesse coletivo, sempre com autonomia e independência.
Esse mesmo raciocínio se aplica à escolha de nomes para ocupar cargos políticos, sejam majoritários, como Presidente, Governador ou Senador, sejam proporcionais, como Deputado Federal e Estadual. Isso exige de cada um de nós ir além da mera avaliação de plataformas eleitorais e promessas de palanque.
Em nome do futuro individual e coletivo, é indispensável observar uma série de critérios que nos deixarão mais, ou menos, confortáveis frente aos inúmeros candidatos que atravessarão nosso caminho em busca de apoio nas urnas. Assim, recomendo a você observar os seguintes aspectos.
Verifique se o candidato demonstra coerência entre sua trajetória e aquilo que defende; se sua conduta pública inspira confiança; se apresenta propostas factíveis para o cargo que pretende ocupar; se revela capacidade de dialogar e construir soluções para problemas reais; quais os nomes de seus apoiadores e companheiros de chapa; e, por fim, se demonstra compromisso permanente com o interesse público acima de conveniências pessoais ou circunstanciais.
Também é importante que o eleitor separe o joio do trigo diante da enorme quantidade de conteúdos que circulará nas ruas, jornais e redes sociais a partir de informação proveniente de fontes confiáveis; acompanhe o posicionamento dos políticos sobre os diferentes temas; e conheça a história dos que disputam votos examinando suas realizações e envolvimento com as causas da sociedade.
Acredito que o exercício pleno da liberdade de escolha depende muito da observação de todos esses pontos, com acesso à informação de qualidade e, sobretudo, disposição para analisar os fatos e narrativas com equilíbrio, sem abrir espaço para distorções oportunistas ou a impulsividade.
Tenho esperança de que, após as Eleições 2026, o Brasil e Rondônia encontrarão caminhos que os levem ao desenvolvimento econômico e à redução das desigualdades sociais, em especial no campo da saúde
Certamente, a eleição de políticos comprometidos com essa área, que nem sempre gera placas de inauguração ou holofotes na mídia, redundará no uso responsável de recursos públicos dedicados a essa agenda, na valorização de médicos e equipes de atendimento, e, sobretudo, no acesso da população ao melhor cuidado, com dignidade, eficácia e segurança, protegendo sua vida e seu bem-estar.
Porém, alerto: o cumprimento desse desejo depende de mim, de você, de todos nós. Diante disso, convido cada eleitor a fazer a sua parte. Vamos como o voto contribuir com a construção de um futuro melhor?
José Hiran Gallo é Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM)