Crise democrática e avanço autoritário: qual será o destino político do mundo?
Por Felipe Vasconcelos*

Depois do fim da Guerra Fria, a democracia liberal passou a ser vista como o melhor e mais seguro modelo político. Autores como Francis Fukuyama chegaram a afirmar que estaríamos vivendo o “fim da história” — ou seja, que não haveria mais alternativas viáveis à democracia. No entanto, mais de 30 anos depois, esse otimismo deu lugar a um cenário preocupante: vivemos uma crise democrática global.
Regimes autoritários e governos com poucos compromissos com a liberdade e a justiça estão ganhando espaço em várias partes do mundo. Instituições como a Freedom House e o V-Dem Institute mostram que mais de 70% da população mundial vive hoje sob regimes autoritários ou sistemas políticos mistos — uma situação parecida com a dos anos 1980.
Essa crise não afeta apenas países com democracias frágeis. Nações consideradas exemplos de democracia, como os Estados Unidos, a Índia e a Hungria, também estão enfrentando sérios desafios. Em muitos casos, são os próprios líderes eleitos que, pouco a pouco, enfraquecem as instituições que garantem a separação de poderes e os direitos dos cidadãos.
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