Daniel Vorcaro e festa de Yasmin Brunet: PF descobre conta de R$ 2 mi
Perícia em celular do controlador do Banco Master revela mensagens e orçamentos do "Baile da Sereia" no Hotel Rosewood enquanto executivo negociava captações em Brasília
📋 Em resumo ▾
- Perícia da Polícia Federal no aparelho de Daniel Vorcaro apreende planilhas que somam R$ 2,01 milhões para o aniversário de Yasmin Brunet.
- Gastos no Hotel Rosewood incluíram R$ 690 mil de locação, cachês de R$ 450 mil para Dennis DJ e R$ 250 mil para L7nnon.
- Diálogos mostram que o banqueiro autorizou repasses sob a rubrica interna de "patrocinador" por meio de assistente.
- Evento ocorreu no período em que Vorcaro viajava a Brasília para captar aportes junto a fundos de pensão de estatais.
- Por que isso importa: A documentação apreendida pela PF integra apuração que examina se recursos institucionais ou societários foram desviados para cobrir despesas pessoais e de ostentação.
A Polícia Federal (PF) identificou, durante a extração pericial no aparelho celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, um conjunto detalhado de planilhas e trocas de mensagens que registram o custeio superior a R$ 2 milhões para a festa de aniversário de 36 anos da modelo e ex-BBB Yasmin Brunet. O evento, denominado "Baile da Sereia", foi realizado em junho de 2024 no luxuoso Hotel Rosewood, em São Paulo.
O relatório dos investigadores expõe que o banqueiro assumiu os principais custos de estrutura, alimentação e atrações artísticas da celebração, enquanto cumpria viagens recorrentes a Brasília com o objetivo de prospectar captações de investimentos junto a fundos de pensão de estatais e governos.,
A planilha de R$ 2 milhões e a trava nos excessos
As mensagens trocadas entre Vorcaro e sua assistente executiva, identificada no aplicativo de mensagens como Thatiane, revelam o orçamento consolidado encaminhado pelo empresário de Yasmin. A planilha discriminava despesas como R$ 690.036,00 pagos diretamente ao Hotel Rosewood, R$ 215.378,00 para decoração, R$ 195.665,96 em iluminação e vídeo, além de R$ 35.940,00 destinados a lembrancinhas.

Apesar de ter dado a ordem expressa de "Pode seguir" para liberar aportes que dessem vazão às cobranças da produção, Vorcaro impôs travas a cobranças adicionais de última hora. O banqueiro recusou-se a quitar faturas extras que superavam R$ 100 mil, entre as quais constava o aluguel de um vestido para a modelo avaliado em R$ 18 mil. Dias após a confraternização, contudo, o empresário teve de desembolsar outros R$ 19 mil para cobrir avarias e danos materiais deixados pelos convidados nas instalações do hotel.
"Yasmin queria chamar a Val Drumond pra fazer a lista de convidados. Sabe se ok pelo patrocinador? (...) Precisamos do aporte para que seja possível dar vazão aos pagamentos."
— Trecho de mensagens enviadas pela assessora ao celular de Daniel Vorcaro.
Ausência na festa e o foco nas agendas de Brasília
Embora tenha articulado o financiamento do evento e orientado a modelo a "aparecer linda no dia", Vorcaro não compareceu à comemoração no Rosewood. Registros de voos e mensagens indicam que o executivo permaneceu em Brasília durante a data para cumprir rodadas de conversas institucionais e negócios financeiros.
Após o término da festa, Yasmin enviou mensagens ao empresário comemorando a repercussão e afirmando que o encontro fora "a melhor festa do mundo". O material sob custódia da PF registra ainda que o tratamento das despesas era conduzido sob o termo genérico de "patrocinador", mecanismo que, segundo os investigadores, buscava blindar a exposição direta do banqueiro na contratação dos serviços.

Do ponto de vista probatório, o material periciado foi juntado aos autos das apurações que recaem sobre a gestão de Daniel Vorcaro à frente do Banco Master. A Polícia Federal trabalha para rastrear a origem das contas correntes emissoras das ordens de pagamento, avaliando se os repasses milionários configuram meras liberalidades de patrimônio pessoal ou se envolveram estrutura e ativos da instituição financeira.
O contraste entre a opulência dos camarotes paulistanos e a peregrinação por recursos públicos nos gabinetes federais ilustra as engrenagens de capital e influência no país. Enquanto faturas milionárias circulam em telas de mensagens para garantir festejos efêmeros, os órgãos de controle perseguem a linha tênue que separa o patrimônio privado dos riscos impostos ao sistema financeiro.
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