Datafolha aponta empate em 50% entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno
Novo levantamento a três dias da votação aponta 50% a 50% nos votos válidos e 94% de convicção no eleitorado; disputa chega à reta final decidida na margem de erro
📋 Em resumo ▾
- Pesquisa Datafolha aponta empate técnico absoluto em votos válidos: 50% para Flávio Bolsonaro e 50% para Lula.
- Em votos totais, senador do PL soma 47% contra 46% do atual presidente da República, dentro da margem de 2 pontos percentuais.
- Cristalização atinge patamar recorde: 94% dos eleitores afirmam que a escolha para domingo é definitiva.
- Rejeições permanecem simétricas no teto eleitoral, com 46% contra Flávio e 45% contra Lula.
- Por que isso importa: Com a estabilidade dos índices e margem mínima de indecisos, a decisão da Presidência dependerá exclusivamente da taxa de comparecimento e do esforço de mobilização nas últimas 72 horas.
A três dias da votação definitiva para a Presidência da República, o cenário eleitoral atinge a paridade matemática absoluta. Levantamento nacional do Datafolha, divulgado nesta quinta-feira (22), aponta um empate rigoroso em votos válidos — critério oficial adotado pela Justiça Eleitoral que exclui brancos, nulos e indecisos: o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 50% das intenções de voto contra 50% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na contagem de votos totais, o quadro configura empate técnico estrito dentro da margem de erro: Flávio pontua com 47% das intenções, enquanto Lula aparece com 46%. Os votos em branco, nulos ou que não escolhem nenhum dos dois somam 5%, e a parcela de eleitores que se declaram indecisos é de apenas 2%.

Cristalização recorde e o estreitamento do espaço de virada
O dado analítico mais contundente da rodada não reside apenas na paridade numérica, mas no engessamento quase irreversível do eleitorado. Conforme os números apurados, 94% dos entrevistados declaram que a sua escolha de voto está consolidada e não sofrerá alteração até a abertura das urnas. Apenas 6% admitem a possibilidade remota de mudar de posição.
Com um contingente de indecisos reduzido a 2% e um índice tão agudo de certeza, a disputa esgotou o chamado "voto de persuasão". O desfecho da eleição deixa de passar pela atração de eleitores de centro ou indecisos e transfere-se inteiramente para a capacidade logística de cada campanha de combater a abstenção, assegurando o transporte e a presença física de suas respectivas bases nas seções eleitorais.
"Com 94% de eleitores convictos e empate em 50% nos válidos, a eleição não se decide mais pela retórica de convencimento, mas pelo controle milimétrico da abstenção."
— Análise editorial do Painel Político.
Voto útil, convicção programática e rejeições emparelhadas
A pesquisa revela disparidades relevantes na natureza da adesão a cada candidato. O eleitorado de Lula apresenta maior consistência afirmativa: 81% de seus apoiadores afirmam votar nele por considerá-lo a melhor opção para governar o país, enquanto 13% optam pela candidatura petista impulsionados pelo voto anti-Bolsonaro.
Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, a motivação negativa possui maior tração: 65% o apontam como o melhor nome, mas expressivos 23% admitem que a escolha é guiada primariamente pelo desejo de barrar a continuidade de Lula.
No quesito rejeição, o espelhamento é quase cirúrgico: 46% dos brasileiros afirmam que não votariam em Flávio de forma alguma (eram 44% na sondagem anterior), e 45% recusam expressamente o voto em Lula (eram 46%).
Avaliação do Planalto divide o país ao meio
O termômetro de popularidade da gestão federal espelha as divisões das intenções de voto. O governo Lula é aprovado por 49% dos entrevistados e desaprovado por 48%, enquanto 2% não souberam responder.
Na estratificação detalhada, a avaliação do Executivo marca 39% de "ruim ou péssimo" (frente a 41% na semana anterior), 36% de "ótimo ou bom" (eram 35%) e 24% de conceito "regular" (eram 23%).
Com o país rigorosamente cindido em duas metades homogêneas, a corrida presidencial de 2026 chega ao seu ato final sem margem para erros táticos. Em uma eleição calibrada no milímetro, cada ponto de abstenção nas capitais ou no interior ditará os rumos do Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos.
O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo. O Datafolha ouviu 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-09709/2026.
Versão em áudio disponível no topo do post.