Defesa de jovem que matou ex durante sexo pede suspensão do júri

Julgamento está marcado para ser no dia 15 de setembro, em Vilhena (RO)

A defesa de Vania Basílio Rocha, acusada de ter matado o ex-namorado com 11 facadas durante o ato sexual, formulou um pedido de desaforamento para que o julgamento da jovem, marcado para acontecer em Vilhena (RO) no dia 15 de setembro, seja suspenso e transferido para outra comarca. O pedido foi divulgado no Diário da Justiça de Rondônia. A mudança, segundo o defensor George Barreto Filho, precisa ser feita por conta das pessoas que possam compor o júri, que para ele terão “imparcialidade questionável”.

“Tanto a mídia local quanto os familiares da vítima açodaram suas campanhas perante a população no sentido de obter a condenação da requerente a todo custo, tomando medidas tendentes a influenciar negativamente a opinião dos jurados”, afirma o advogado.

Os familiares de Marcos Catanio Porto, assassinado pela ex, declararam que não estão realizando nenhuma campanha e, caso o pedido de desaforamento for aceito, irão recorrer na Justiça.

“Quem fez sua própria campanha foi a assassina, quando gravou um vídeo na delegacia debochando da família e da morte do meu irmão. Se estão querendo mudar de cidade, aconselho que mude de país porque não vai adiantar nada. Brasil inteiro se revoltou com o caso”, disse a irmã de Marcos, Caroline Catânio.

Após a divulgação do pedido no Diário da Justiça, a juíza de Direito, Liliane Pegoraro Bilharva, se manifestou dizendo que o fato do crime ter causado repercussão na imprensa “não soa como argumento razoável, já que é uma prática normal das mídias divulgar e acompanhar várias espécies de crimes”.

Sobre a alegação de que a família estaria realizando campanhas para influenciar a opinião pública, a magistrada declarou que não identificou tais indícios na realidade.

“Pelo fato dos familiares estarem trajando camisetas com a imagem da vítima, clamando por justiça, observo que, em verdade, é uma prática comum por parte da família e não há qualquer notícia de que tal fato tenha o condão de influenciar os jurados, na verdade, se trata de um direito de livre manifestação de pensamento, assegurado constitucionalmente, não constituindo em excesso do exercício de aludido direito”, proferiu Bilharva via ofício.

Barreto Filho informou que a decisão de acatar o pedido cabe somente ao Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), que deve receber as declarações feitas pela juíza e emitir a ‘palavra final’. “Se o pedido for aceito, haverá a suspensão do julgamento pelo Júri. A data, então, será remarcada para que ocorra em outra cidade, onde não existam as condições citadas”, explicou.

G1

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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