Radar do Judiciário

Denunciante que ligou Howard Lutnick a Epstein é encontrado morto, diz imprensa britânica

Simon Andriesz, o ex-banqueiro britânico que levou ao FBI e ao Congresso americano alegações sobre os laços entre o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e Jeffrey Epstein, foi encontrado morto aos 57 anos

Denunciante que ligou Howard Lutnick a Epstein é encontrado morto, diz imprensa britânica
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • Simon Andriesz, ex-banqueiro britânico e ex-funcionário da Cantor Fitzgerald/BGC, foi encontrado morto aos 57 anos, segundo informou a publicação The Banker nesta sexta-feira (2/10)
  • Andriesz foi o denunciante que relatou ao FBI, entre 2020 e 2021, suspeitas sobre vínculos comerciais entre Howard Lutnick — hoje secretário de Comércio dos EUA — e o falecido financista Jeffrey Epstein
  • Ele também levou ao Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA uma troca de e-mails de 2018 entre Lutnick e Epstein sobre a empresa Adfin, horas antes de uma audiência de Lutnick no Congresso, em maio deste ano
  • A morte está sendo tratada como suicídio, segundo relato do fundador de uma organização de apoio a denunciantes; não há, até o momento, confirmação oficial de causa pelas autoridades nem evidência de ligação com as denúncias feitas por ele
  • Por que isso importa: o caso reacende o escrutínio sobre os laços entre um integrante do gabinete do presidente dos EUA e Jeffrey Epstein, num momento de ampla divulgação de documentos do caso
Compartilhar: WhatsApp X LinkedIn

O ex-banqueiro britânico Simon Andriesz, de 57 anos, foi encontrado morto, segundo informou a publicação The Banker na última sexta-feira (2/10). Andriesz foi o denunciante que, entre 2020 e 2021, relatou ao FBI suspeitas sobre vínculos comerciais entre o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e o financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.

Quem era o denunciante

Andriesz trabalhou na Cantor Fitzgerald e na BGC Partners — empresas financeiras das quais Lutnick foi CEO — e foi demitido depois de levantar internamente suspeitas sobre irregularidades contábeis, segundo reportagem do site americano The Daily Beast, replicada por outros veículos. Ele afirmou ter encontrado, ao vasculhar o acervo de documentos do caso Epstein liberado pelo Departamento de Justiça dos EUA em busca das iniciais "HWL" (de Howard William Lutnick), uma troca de e-mails de 2018 entre os dois sobre a empresa Adfin, companhia de publicidade digital na qual ambos teriam investido. Ele soube procurar pelas iniciais, segundo contou à BBC, por ter trabalhado anos na BGC, onde executivos costumavam se identificar dessa forma em e-mails internos.

Segundo o próprio Andriesz relatou em publicações nas redes sociais, ele compartilhou essas evidências com o Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA antes de uma audiência de Lutnick no Congresso, em maio deste ano — o que, segundo ele, levou o comitê a questionar Lutnick a portas fechadas. Ele também afirmou ter relatado ao FBI e a reguladores financeiros suspeitas envolvendo o Fundo de Ajuda da Cantor Fitzgerald e o Dia de Caridade Anual 9/11 da BGC/Cantor. Segundo a BBC, Andriesz recebeu uma recompensa de denunciante de US$ 420 mil (cerca de £ 318 mil) da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) por contribuições a ações regulatórias relacionadas ao caso.

O que diz — e nega — Howard Lutnick

Lutnick já reconheceu publicamente, em depoimento a uma comissão do Senado americano, ter almoçado por cerca de uma hora com Epstein em 2012, na ilha privada do financista no Caribe, mas afirma ter encerrado contato com Epstein anos antes disso. Ele nega publicamente qualquer continuidade na relação comercial relatada por Andriesz e disse não ter "nada a esconder". O deputado Robert Garcia, principal democrata na Comissão de Supervisão da Câmara, afirmou publicamente que Lutnick "tem mentido sobre sua relação com Epstein" — trata-se de uma acusação política feita por um parlamentar da oposição, não uma conclusão de órgão investigativo ou judicial.

É importante registrar: nenhuma das alegações levantadas por Andriesz contra Lutnick foi, até o momento, objeto de condenação judicial. Lutnick nega as acusações mais graves relatadas pelo denunciante.

Como a morte está sendo tratada

Segundo Andy Agathangelou, fundador do Transparency Task Group — organização de apoio a denunciantes da qual Andriesz fazia parte —, "é com grande tristeza que compartilhamos a notícia de que Simon Andriesz, um membro valioso de nossa comunidade, faleceu na semana passada". A publicação The Banker classificou a morte como suicídio, atribuição também repetida por outros veículos americanos e britânicos. A confirmação do falecimento também foi divulgada, nesta segunda-feira (5/10), por um representante de Andriesz na própria conta dele na rede social X.

Apoie o jornalismo independente
Leia o Painel Político por inteiro
Assine e tenha acesso ao arquivo completo e a tudo que publicamos. Você sustenta um jornalismo que não se dobra ao poder.
Assinar por R$ 19/mês
ou acompanhe de graça
São canais, não grupos: só o Painel publica, ninguém comenta, seu número fica oculto. Saia quando quiser.

Até a publicação desta matéria, não há confirmação oficial de causa da morte por parte de autoridades policiais ou médico-legais, nem qualquer evidência, divulgada pelas fontes consultadas, que estabeleça relação entre a morte e as denúncias feitas por Andriesz contra Lutnick, Epstein ou as empresas citadas. A reação nas redes sociais, segundo registrado pela imprensa americana, incluiu manifestações de pesar e também questionamentos públicos sobre a coincidência — mas tratam-se de reações de terceiros, não de apuração factual confirmada.

O caso reacende o escrutínio público sobre os laços entre integrantes do atual governo americano e Jeffrey Epstein, num momento em que a divulgação de documentos do caso — incluindo registros que mostram planos de Lutnick e suas empresas para fazer negócios com o príncipe Andrew (hoje Andrew Mountbatten-Windsor) em 2013 — segue sendo acompanhada de perto pela imprensa e pelo Congresso dos Estados Unidos.

O tributo e a vaquinha para o filho

Após a morte de Andriesz, John Robertson — descrito por ele mesmo como representante, conselheiro e, por fim, amigo do denunciante — publicou uma mensagem na conta de Andriesz no X anunciando a criação de uma vaquinha para apoiar a educação, o bem-estar e o futuro do filho dele. Robertson afirmou administrar a campanha junto com Julian, irmão de Andriesz, e declarou que "nenhum de nós se beneficiará pessoalmente de qualquer quantia arrecadada".

"Simon lutou incansavelmente pela justiça, não apenas para si mesmo, mas para denunciantes de forma mais ampla. Ele queria que o que aconteceu com ele levasse a mudanças significativas", escreveu John Robertson, representante e amigo de Simon Andriesz.

Segundo Robertson, um fundo fiduciário está sendo estabelecido em nome do filho de Andriesz, e os valores arrecadados pela vaquinha — hospedada na plataforma GoFundMe — serão transferidos a essa conta assim que os trâmites bancários forem concluídos.

O caso reacende o escrutínio público sobre os laços entre integrantes do atual governo americano e Jeffrey Epstein, num momento em que a divulgação de documentos do caso — incluindo registros que mostram planos de Lutnick e suas empresas para fazer negócios com o príncipe Andrew (hoje Andrew Mountbatten-Windsor) em 2013 — segue sendo acompanhada de perto pela imprensa e pelo Congresso dos Estados Unidos.


🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

💬 Comentários

Carregando comentários…

#painelpolitico #DonaldTrump #EUA #Geopolitica #desinformacao