Afastado do cargo devido à intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), o então diretor-presidente do fundo de pensão dos funcionários dos Correios (Postalis), Christian Schneider, esteve recentemente de volta ao posto por um breve período. Nos poucos dias que exerceu a função em dezembro, por força de liminar da Justiça Federal de São Paulo, Schneider cuidou de organizar as finanças: ele determinou o pagamento de seus salários pelo período que não estava em atuação.

A Previc decretou a intervenção no Postalis em 4 de outubro. No dia 20 de dezembro, o juiz Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Civil Federal de São Paulo, suspendeu os efeitos da decisão do órgão regulador e, com isso, os diretores do fundo foram reconduzidos aos seus cargos. A medida, no entanto, foi derrubada em 27 de dezembro pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

O Postalis confirmou ao Metrópoles que, no pouco tempo de recondução, o então diretor-presidente embolsou os vencimentos, incluindo pagamentos pelos dias em que esteve fora do comando do fundo de pensão – fato revelado nesta sexta-feira (5/1) pela coluna do jornalista Lauro Jardim, d’O Globo.

Segundo a assessoria de imprensa, “o ex-dirigente determinou que o valor que teria a receber de sua rescisão contratual fosse somado a outro tanto, totalizando o valor dos honorários relativos ao período que esteve desligado do Instituto pela Portaria de intervenção da Previc”. No entanto, o setor não confirmou o total repassado a Schneider no período.

Ainda de acordo com o Postalis, com a derrubada da liminar, o interventor nomeado pela Previc, Walter de Carvalho Parente, determinou que o instituto de previdência complementar cobrasse imediatamente o valor do ex-presidente.

Carreira
Christian Schneider é graduado em direito pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Na trajetória profissional, atuou como presidente da Sercomtel, empresa de telecomunicações de Londrina (PR) e exerceu os cargos de ministro Interino da Integração Nacional, secretário de Desenvolvimento do Centro-Oeste, diretor de controle e vice-presidente do Banco de Brasília (BRB). No Postalis, começou como diretor de Investimentos, em 2016.

Segundo a Previc, a razão para a intervenção no Postalis e o afastamento da diretoria é o “descumprimento de normas relacionadas à contabilização de reservas técnicas e aplicação de recursos”. Walter de Carvalho Parente foi nomeado pela superintendência como interventor no instituto. De acordo com as portarias que trazem a medida, a intervenção deve durar pelo prazo de 180 dias.

Um relatório da Previc apontou recentemente que o Postalis teria realizado praticamente sozinho todo o investimento na empresa ATS, que tem pretensões de lançar uma nova bolsa de valores no Brasil. De acordo com o levantamento, apesar de ter sido realizado um aporte de R$ 300 milhões, o instituto ficou com apenas 25% do projeto. O restante da empresa teria ficado com outros investidores, que injetaram R$ 2 milhões.

“Houve prejuízo aos princípios de rentabilidade, segurança e liquidez, por ter sido realizado o investimento sem proteção aos interesses da entidade contra o notório conflito de interesses entre os demais investidores, que eram também os proprietários da empresa investida”, registrou a Previc no relatório.

Fonte: metropoles

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