Eisenkot chega a 67 recomendações no Knesset e fica próximo de formar o próximo governo de Israel
Com apoio de 67 dos 120 parlamentares eleitos, líder do partido Yashar supera a maioria necessária, enquanto bloco de Netanyahu cai para 46 — ultraortodoxos do UTJ se abstiveram de recomendar qualquer nome
📋 Em resumo ▾
- O partido Yashar recomendou seu líder, Gadi Eisenkot, para formar o próximo governo de Israel durante consultas com o presidente Isaac Herzog, na quinta-feira (5/11).
- A recomendação elevou para 67, de um total de 120, o número de parlamentares eleitos que apoiam Eisenkot — maioria no Knesset.
- A Lista Conjunta (aliança de partidos árabes) e a Lista Árabe Unida recomendaram Eisenkot, somando-se ao bloco opositor e a partidos como Yisrael Beytenu e Together (Naftali Bennett e Yair Lapid).
- O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ficou com 46 recomendações, depois que o United Torah Judaism (UTJ), antigo aliado, optou por não recomendar ninguém.
- Pelo costume israelense, 61 recomendações bastam para o presidente encarregar um candidato de formar governo; sem isso, Herzog escolhe quem considerar mais capaz de ter sucesso.
- Por que isso importa: as recomendações não equivalem a uma coalizão fechada — alguns partidos, como a própria Lista Conjunta, dizem que apoiariam Eisenkot “de fora”, sem integrar o governo —, então o número de 67 garante a indicação, mas não garante, por si só, estabilidade para governar.
O partido Yashar recomendou que seu líder, Gadi Eisenkot (chefe do partido Yashar, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel), forme o próximo governo de Israel durante consultas com o presidente Isaac Herzog (presidente de Israel), na Residência Presidencial, nesta quinta-feira (5/11).
A recomendação elevou para 67 o número de parlamentares eleitos que apoiam Eisenkot, de um total de 120, dando-lhe maioria no Knesset (o Parlamento israelense) e, muito provavelmente, garantindo-lhe o mandato presidencial para formar o próximo governo.
Como funciona o rito de consultas
Segundo o costume político israelense, se um candidato for recomendado por pelo menos 61 membros eleitos do Knesset — a maioria simples da Casa —, o presidente o encarrega de formar um governo. Se nenhum candidato receber 61 recomendações, o presidente designa o candidato que considerar ter a maior probabilidade de sucesso na formação do governo. Eisenkot já havia superado esse número horas antes, quando a Lista Árabe Unida (Raam) anunciou seu apoio.
A adesão da Lista Conjunta
A Lista Conjunta (aliança de partidos de maioria árabe) recomendou nesta quinta-feira que o líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, forme o próximo governo de Israel, seguindo o apoio anterior da Lista Árabe Unida ao mesmo nome. É importante notar a ressalva feita pela própria Lista Conjunta: segundo o jornal israelense Haaretz, o partido deixou claro ter divergências profundas com parte da plataforma do bloco opositor e afirmou que não vai integrar formalmente a coalizão de Eisenkot, embora possa apoiá-la “de fora” do governo — ou seja, a recomendação não é sinônimo de participação no futuro gabinete.
Netanyahu cai para 46 apoios
Enquanto Eisenkot somava recomendações, o bloco do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu (primeiro-ministro de Israel) encolheu: segundo a agência indiana ANI, que cita o Times of Israel, o United Torah Judaism (UTJ), antigo aliado da coalizão de Netanyahu, optou por se abster e não recomendar nenhum nome ao presidente — um movimento que, segundo analistas citados pela imprensa israelense, abre caminho para que o partido ultraortodoxo negocie no futuro uma posição dentro de uma eventual coalizão liderada por Eisenkot. Com essa abstenção, o apoio a Netanyahu ficou em 46 recomendações, bem abaixo das 67 do opositor.
O resultado é fruto da eleição legislativa realizada em 27 de outubro, que terminou sem maioria clara: o bloco de Netanyahu obteve 53 cadeiras no Knesset recém-eleito, contra 48 do bloco opositor liderado por Eisenkot — números que, somados às recomendações dos partidos árabes, elevaram o total do ex-chefe militar a 67.
O que vem a seguir
Mesmo com a maioria das recomendações, o processo de formação de governo não está encerrado: uma vez formalmente encarregado por Herzog, o indicado tem, segundo o costume, 28 dias para formar um governo, com uma possível extensão de 14 dias. O novo Knesset (26ª legislatura) deve se reunir para sua sessão inaugural na terça-feira (10/11). Lideranças da oposição, como a ex-parlamentar Orit Farkash-Hacohen, citada pelo portal Ynet, já defendem publicamente que dar o mandato a Eisenkot representaria um voto de desconfiança a Netanyahu e a formação de um “governo de emergência nacional”.
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