Em campanha ao governo, Hildon Chaves promete hospital e asfalto
Candidato une legado de expansão de leitos na pandemia a propostas de novo hospital de urgência e pavimentação de rodovias no interior do estado
📋 Em resumo ▾
- Hildon Chaves (União) propõe a construção de um novo hospital de urgência e emergência em dois anos e meio para desafogar a rede estadual.
- O candidato destaca seu legado na pandemia, quando triplicou o número de leitos e respiradores em Porto Velho.
- Em agenda pelo interior, visitou Ji-Paraná, Pimenta Bueno e Espigão do Oeste, incluindo a fábrica Avenorte.
- Assumiu o compromisso de pavimentar 20 km da RO-486 (Rodovia do Café), citando sua experiência prévia na capital.
- Por que isso importa: A estratégia busca conectar a gestão de crise em saúde com demandas estruturais do agronegócio e dos municípios distantes da capital
O candidato ao governo de Rondônia, Hildon Chaves (União), intensificou sua agenda no interior do estado, unindo a promessa de um novo hospital de urgência em dois anos e meio ao compromisso de pavimentar trechos críticos de rodovias. A estratégia busca conectar seu legado de expansão da rede de saúde durante a pandemia com demandas estruturais do agronegócio e dos municípios distantes da capital.
Legado na pandemia como base para a saúde estadual
A principal proposta de Hildon Chaves para a saúde é a construção, do zero, de um novo hospital de urgência e emergência. O objetivo é desafogar o Hospital de Base João Paulo II e aplicar no estado a mesma decisão rápida que marcou sua gestão municipal.
Durante a pandemia, o candidato decretou situação de emergência em março de 2020 e solicitou um lockdown de duas semanas em junho, baseado na média de 10 mortes diárias. Entre março de 2020 e janeiro de 2021, a rede municipal de Porto Velho saltou de 23 para 73 leitos hospitalares e de 5 para 23 respiradores, um aumento de mais de 4,6 vezes na capacidade de suporte.
"Na covid, eu não esperei a crise piorar para agir. Em Rondônia, vamos parar de apagar incêndios: planejar, investir na estrutura e valorizar quem está na linha de frente, com um hospital de urgência pronto para quem precisa", afirma o candidato.
A lição que ele pretende levar ao Governo do Estado é clara: urgência e emergência exigem estrutura pronta antes da crise, não como reação tardia.
Agenda no interior e compromisso com a infraestrutura
Paralelamente à pauta da saúde, a campanha de Hildon Chaves percorreu municípios estratégicos do interior. Na quinta-feira (17), realizou caminhadas e entrevistas em Ji-Paraná. Na sexta-feira (18), a agenda incluiu Pimenta Bueno e Espigão do Oeste, com visitas ao setor produtivo, incluindo a unidade da Globoaves (marcas Avenorte e Valesul), que atua em toda a cadeia avícola, da produção de ovos à industrialização.
O corpo a corpo pelas ruas de Espigão do Oeste culminou em um percurso pela RO-486, conhecida como Rodovia do Café, que liga o município a Cacoal. Durante a visita, o candidato conversou com produtores rurais e assumiu o compromisso de pavimentar os aproximadamente 20 quilômetros que ainda permanecem sem asfalto, sujeitos à poeira no verão e à lama no período chuvoso.
"Quem já fez 820 quilômetros de pavimentação na capital de todos os rondonienses sabe como fazer aqui. E não será apenas nesta rodovia. Nos primeiros dias do nosso governo, vamos criar uma força-tarefa para identificar os pontos mais críticos das estradas e pontes de Rondônia e iniciar imediatamente o trabalho de recuperação", destacou.
A estratégia de unir saúde e logística
A narrativa de campanha construída por Hildon Chaves opera em duas frentes complementares. De um lado, a figura do gestor de crise que triplicou leitos e antecipou medidas sanitárias, buscando captar eleitores preocupados com a qualidade do atendimento público. Do outro, o executor de obras que entende a dor logística do produtor rural, prometendo asfalto em vias essenciais para o escoamento da produção, como a RO-486.
Essa dualidade tenta responder a uma demanda histórica de Rondônia: a necessidade de um governo que não centralize recursos e atenção apenas na capital, mas que leve infraestrutura preventiva e de longo prazo para o interior.
A aposta em unir a bandeira da saúde com a pauta da infraestrutura reflete um cálculo eleitoral preciso para um estado onde o interior detém peso decisivo. Ao prometer um hospital de urgência e a pavimentação de estradas do café, o candidato tenta demonstrar que sua gestão focará em estruturas preventivas, não apenas em respostas emergenciais.
O candidato ao Governo de Rondônia quer resolver o que trava por dentro: a burocracia que faz um pedido simples demorar meses, os processos parados na gaveta, a máquina pública que roda devagar demais para quem precisa de resposta rápida.
É esse o objetivo do Plano Tático de Hildon: organizar o Estado por dentro nos primeiros 100 dias, com metas definidas e responsáveis por cada uma delas, para que o cidadão saiba quem cobrar quando algo não sai do papel.
"Organizar a casa significa dar nome, prazo e responsável para cada meta dos primeiros 100 dias", diz Hildon. "Se uma escola, uma estrada ou um posto de saúde não saírem do papel, o morador vai saber exatamente quem cobrar."
A aposta do candidato é que, sem consertar essa base, qualquer promessa maior, escola, estrada, hospital, corre o risco de esbarrar na mesma lentidão de sempre. Arrumar a casa primeiro, na visão de Hildon, é o que vai permitir que o Estado responda mais rápido a quem está do outro lado do balcão à espera de uma solução.
Resta saber se a complexidade orçamentária e logística de um estado com dimensões continentais permitirá cumprir o prazo de dois anos e meio para uma nova unidade hospitalar de grande porte, ou se a promessa de asfalto nas rodovias se sustentará além do calor da campanha. O eleitorado rondoniense, calejado por promessas não entregues, observará atentamente se a execução no governo acompanhará a retórica apresentada nas ruas do interior.
Versão em áudio disponível no topo do post.