Em pouco mais de 100 dias, arroba do boi cai 15% em Rondônia

No período que vai de abril a agosto, a arroba recuou 15,5% em Rondônia. A cotação à vista caiu de R$ 139 para R$ 117,50, perda de R$ 21,50 em pouco mais de 100 dias, confirmando a reclamação de Hamilton Jonatas Pereira Lima, leitor de DBO e pecuarista em Rondônia desde 1974. Ele é proprietário da fazenda Mata da Chuva, onde faz cria e recria de Nelore, no município de Seringueiras.
Ele suspeita de manipulação do mercado. “Em junho, a arroba estava em R$ 137,00. No final de julho, despencou para R$ 117,00. Em pouco mais de 30 dias, a arroba perdeu R$ 20. O pecuarista perdeu, num boi de 18 arrobas, R$ 360 em pouco mais de um mês”, reclama.

Além da rapidez na queda do preço, Hamilton estranha a discrepância da cotação em Rondônia em relação a outras regiões do Brasil. Em abril, o diferencial de base sobre São Paulo era de 7,33% (R$ 139 em Rondônia e R$ 149 em São Paulo). Em fins de julho, saltou para 17% (R$ 117 contra R$ 141).

Para Maísa Modolo, analista de mercado da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP, o tombo da arroba em Rondônia decorre do ajuste na capacidade das plantas de abate do Estado para a recuperação da margem dos frigoríficos em 2015. Com menos necessidade de bois para abate, os frigoríficos podem administrar as compras. Neste ano quatro unidades fecharam as portas em Rondônia: três do JBS (Ariquemes, Rolim de Moura e Porto Velho) e um do Marfrig (Chupinguaia).

“Os frigoríficos alegam um recuo na demanda externa para justificar o encerramento das plantas”, diz o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia, Hélio Dias. “Estamos estudando meios, como incentivos fiscais, para que as unidades permaneçam em funcionamento”, afirma. Segundo ele, a expectativa é que a unidade de Ariquemes da JBS volte a funcionar até março.

Ao longo de 2015 e até desacelerar, a cotação tinha aumentado 17,5% em Rondônia. Na comparação com o mesmo dia de 2014, a cotação de sexta-feira última (14 de agosto), R$ 117,50, é 5% maior. A analista da Scot acredita que o preço volte a se recuperar. “A tendência daqui para diante é de alta, com preços mais firmes até o final da entressafra”, estima Maísa Modolo.

Com informações do site Portal DBO

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