Embraer entrega primeiro E195-E2 à Latam em negócio de R$ 11 bi
Primeira aeronave de encomenda de até 74 unidades marca expansão de rotas e reforça políticas de renovação de frota do Ministério com financiamento do Fnac
📋 Em resumo ▾
- A Embraer entregou o primeiro jato E195-E2 à Latam, parte de um pedido de até 74 aeronaves avaliado em cerca de R$ 11 bilhões.
- O Ministério de Portos e Aeroportos viabilizou R$ 8 bilhões via Fnac, incluindo R$ 1,8 bilhão em financiamento aprovado para a Latam.
- A expansão prevê novas bases operacionais em Ji-Paraná (RO), Cabo Frio (RJ), Macaé (RJ) e Rondonópolis (MT) até março de 2027.
- Por que isso importa: O movimento sinaliza a retomada da conectividade aérea regional no Brasil, alinhando investimento privado a políticas públicas de aviação.
A Embraer entregou, nesta quarta-feira (7), a primeira aeronave do modelo E195-E2 à Latam Airlines Brasil. O jato integra uma encomenda de até 74 aviões, avaliada em aproximadamente R$ 11 bilhões, e chega em momento de expansão de políticas públicas para renovação de frota e aumento da conectividade aérea nacional.
Investimento bilionário e apoio do Fnac
A operação envolve 24 pedidos firmes e 50 opções de compra. Somente as aeronaves confirmadas representam um investimento de cerca de US$ 2,1 bilhões (mais de R$ 11 bilhões).
Esse movimento ocorre em paralelo ao fortalecimento de políticas do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Em junho de 2026, o Comitê Gestor do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) aprovou o acesso da Latam a até R$ 1,8 bilhão em financiamento de longo prazo, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Ao todo, o MPor disponibilizou R$ 8 bilhões nessa linha de crédito, que também contempla as companhias aéreas Azul e Gol.
Expansão de rotas e novas bases operacionais
O E195-E2 é um jato de médio porte desenvolvido para mercados de demanda intermediária. Ele permite operar em cidades que não comportam aeronaves maiores, ampliando frequências e novas ligações.
Na primeira fase, a Latam prevê incorporar até 14 aeronaves até março de 2027. Os novos aviões serão utilizados em 42 rotas, alcançando 67 cidades brasileiras.
Estão previstas ainda a abertura de novas bases operacionais em Cabo Frio (RJ), Ji-Paraná (RO), Macaé (RJ) e Rondonópolis (MT).
Geração de empregos e qualificação profissional
Segundo a Embraer, os investimentos relacionados à encomenda devem gerar mais de 2 mil empregos diretos, além de oportunidades indiretas na cadeia de fornecedores.
Em abril, a Latam contratou 54 pilotos para a primeira turma dedicada ao E195-E2, sendo 31 comandantes e 23 copilotos. Profissionais já existentes na companhia também passam por treinamentos em simuladores.
"Nosso objetivo é transformar esse ambiente em mais oferta de voos e conectividade para os brasileiros. Ver nossa engenharia, nossa tecnologia pousando e decolando dos aeroportos é um orgulho para nós", afirmou Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos.
A preparação também abrange as equipes de cabine e solo. De acordo com Jerome Cadier, CEO da Latam, pelo menos 150 comissários serão treinados no Door Trainer, equipamento que simula procedimentos de rotina e emergência.
"É uma grande alegria ver nossas rotas convergirem para o que há de mais moderno na aviação", afirmou Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer. Ele destacou que o modelo traz "ganhos expressivos de eficiência, sustentabilidade e impulsionando a economia com a geração de milhares de empregos".
Impacto na aviação regional brasileira
A chegada do E195-E2 à frota da Latam reforça a estratégia de interiorização da aviação comercial no Brasil. Ao viabilizar rotas de média densidade com eficiência operacional, o modelo reduz o custo por assento em regiões que historicamente dependem de subsídios ou possuem demanda sazonal.
A ação conjunta entre o investimento privado da companhia aérea, a fabricação nacional da Embraer e o financiamento público via Fnac cria um ecossistema que pode redefinir a malha aérea nacional nos próximos anos, especialmente no Norte e Centro-Oeste.
A entrega do primeiro E195-E2 é apenas o ponto de partida de uma transformação que deve ser sentida nos aeroportos regionais brasileiros ao longo dos próximos dois anos. Resta saber se a infraestrutura aeroportuária local e a demanda de passageiros acompanharão o ritmo acelerado dessa expansão de frota. O céu, agora, tem um novo tamanho para a aviação regional.
Versão em áudio disponível no topo do post.