Empresária acusada de golpes em pacotes de viagens não honra acordos, dizem vítimas à polícia

Defesa nega; ela alega que ‘quebrou’ e admite dívida de R$ 300 mil

Clientes da empresária Patrícia Rodrigues de Morais, de 34 anos, acusada de aplicar golpes na venda de pacotes de viagens, estão procurando a Polícia Civil alegando que ela não está cumprindo acordos feitos para a restituição de valores. Segundo o delegado Webert Leonardo, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), três vítimas estiveram na unidade nesta quinta-feira (9) e outras três agendaram depoimento relatando a questão. A defesa dela nega as acusações.

“Elas [vítimas] estão formalizando as declarações e alegando que a Patrícia não está honrando os compromissos assumidos. A maioria das pessoas que nos procurou, teve problema relacionado com questões cambiais, na conversão de dólar para real, após fecharem contrato com ela”, disse.

Leonardo destacou as três pessoas que foram à delegacia nesta tarde são novas vítimas de Patrícia. Elas não estavam em um inquérito já aberto no qual constam oito clientes que se dizem lesados pela empresária.

O delegado destacou ainda que o grupo reclama pelo fato da profissional não quitar suas pendências, mas manter uma vida de alto padrão. “Eles procuram a delegacia revoltados com o estilo de vida que a Patrícia vem levando, de luxo, promovendo eventos e tendo notícias de que ela estaria, em tese, lesando outras vítimas”, afirma.

Outro lado

Patrícia já informou que ainda tem dívidas no valor de R$ 300 mil com “5 ou 6 pessoas”, contraídas depois que ela “quebrou” financeiramente, em março de 2015. Apesar disso, ela negou ter praticado qualquer tipo de golpe.

O advogado dela, Guilherme do Amaral Pereira, informou que as acusações de descumprimento de acordos não procedem. “Os clientes pendentes estão sendo pagos. Pode ter uma ou outra parcela em atraso, mas estão sendo pagas. A maioria não está em atraso”, disse.

A empresária, que é formada em administração e turismo, contou que, desde que teve o rombo, cerca de R$ 500 mil em dívidas. O valor, segundo ela, refere-se a um grupo de aproximadamente 30 clientes com os quais fez acordos extrajudiciais. Segundo a polícia, o prejuízo estimado é de R$ 1 milhão.

Empresária Patrícia Rodrigues de Morais diz que 'quebrou', admite dívida de R$ 300 mil, mas nega golpes em Goiás (Foto: Sílvio Túlio/G1)
Patrícia diz que ‘quebrou’, admite dívida de R$ 300 mil, mas nega golpes (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Ela responde em liberdade a seis processos judiciais, sendo dois por crime de estelionato e quatro ações de cobrança e execução. Ela afirma que está trabalhando para quitar os débitos. Além disso, também é investigada pela Polícia Federal, que apura como ela vendia moeda estrangeira sem autorização do Banco Central.

Imagem arranhada

Patrícia diz que todos os problemas são relacionados a situação envolvendo sua atividade cambial. A empresária afirma que nunca deixou de “embarcar” nenhum cliente e que sempre “prezou pelo bem estar” deles, além do seu próprio.

Depois de fechar sua agência, ela atualmente segue trabalhando em casa, mas diz que o fato do episódio vir à tona atrapalhou sua atuação. “Isso tudo da forma como ocorreu atinge sua imagem. O que mais dói é ver quanto eu lutei e trabalhei e ver tudo isso acontecer. Não tenho como resolver tudo da noite para o dia”, afirmou, quase chorando.

Com os custos dos acordos que fez, Patrícia disse que mudou seu estilo de vida. As viagens glamurosas para grandes eventos na Europa ficaram no passado. Ela contou ainda que vendeu um apartamento e um carro para tentar equilibrar as finanças.

Apesar disso, ela segue morando em um apartamento de luxo no Setor Jardim Goiás, um dos mais nobres de Goiânia. Sobre acusações de que, mesmo endividada, segue ostentando, ela se defende. “Ostentando? Como vou ostentar algo que não vivo. Moro de aluguel e divido o apartamento com minha mãe. Não tenho nem carro. O padrão mudou muito. O tempo que tenho estou com minha família ou trabalhando”, conta.

Agência de turismo de empresária Patrícia Morais, acusada de golpes, funcionava no Jardim América, em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Agência de turismo de empresária funcionava no Jardim América (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
G1/GO
Anúncios
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Participe do debate. Deixe seu comentário