Entenda como funciona a política de preços da Petrobrás e porque os preços não vão cair para você

Nova política de preços está em vigor desde julho de 2017 e os preços só variam para cima desde então

Desde 30 de julho de 2017, que a Petrobrás adotou uma nova política de reajuste dos preços da gasolina e do diesel comercializados em suas refinarias em todo o país. Os reajustes ocorrem desde então em menor espaço de tempo, chegando ser até diários, dependendo das oscilações do preço do produto no mercado externo.

A revisão da política de preços da estatal foi aprovada pela Diretoria Executiva nomeada por Temer.

“Com as alterações a área técnica de marketing e comercialização da companhia terá delegação para realizar ajustes nos preços, a qualquer momento, inclusive diariamente, desde que os reajustes acumulados por produto estejam, na média Brasil, dentro de uma faixa determinada (-7% a +7%), respeitando a margem estabelecida pelo Gemp (Grupo Executivo de Mercado e Preços)”, informou na época a diretoria.

Qualquer alteração fora dessa faixa terá que ser autorizada pelo grupo, composto pelo presidente da estatal Pedro Parente e pelos diretores executivos de Refino e Gás Natural e Financeiro e de Relacionamento com Investidores

Na avaliação do diretor Ivan Monteiro, a mudança “representou um novo marco na politica de preços da companhia ao dar maior liberdade e margem de ação à área comercial, que terá liberdade para praticar [para cima ou para baixo] reajustes até mesmo diariamente”.

A avaliação do diretor da Área de Refino e Gás natural, Jorge Celestino, “os ajustes que vinham sendo praticados, desde o anúncio da nova política em outubro do ano passado, não vinham sendo suficientes para acompanhar a volatilidade crescente da taxa de câmbio e das cotações de petróleo e derivados no mercado externo”.

Preços só aumentam

 

Em agosto de 2017, o Índice Nacional de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial – registrou 0,19%, influenciada pela alta no preço dos combustíveis, que foi de 6,67% no período. O litro do etanol ficou, em média, 5,71% mais caro, enquanto o da gasolina subiu 7,19%, por causa do do aumento de 11% na alíquota do Programa de Integração Social e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) e da política de reajuste da Petrobras.

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), André Braz, disse que quando os preços eram ajustados uma ou duas vezes ao ano, as quedas nos preços não eram sentidas pelo consumidor. “A falta de uma política coerente de prática do preço que está acontecendo no mercado internacional nos lesa mais, nos deixa reféns de reajustes que caem de paraquedas uma vez ou outra. Agora, não. A gente pode colher os benefícios de uma queda nos preços ou de uma valorização do real, traduzidos em uma queda no preço da gasolina, quando isso acontecer. E se o preço do petróleo (no exterior) cai, a gente já vai ver um combustível um pouco mais barato na bomba. E essa chance agora é real, dada a política atual de preços. No passado, não era”. Só que isso não é bem verdade. Até hoje, desde que a nova política foi adotada, os preços só reajustam para cima.

Para a professora de Engenharia de Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe-UFRJ), Suzana Khan o aumento do combustível pode afetar o consumo, já que as transportadoras repassam os custos para o produto final vendido ao consumidor.

“Quem acaba sendo mais prejudicado é o consumidor, que tem o seu produto final mais caro”, afirmou.

A novidade – de ajustes frequentes – acaba por confundir o consumidor que não consegue acompanhar as mudanças, segundo o coordenador da Área de Serviços da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Carlos Confort.

Ele defende que o ideal seria alterações com periodicidade certa para permitir que os consumidores pudessem se preparar para isso. “A gente vê com certa preocupação porque, às vezes, o consumidor não consegue se planejar para esses aumentos e até controlar seus gastos para abastecer [veículo próprio], que são gastos fixos e acabam ficando variáveis. A gente sabe que, quando aumenta, aumenta para todo mundo; mas quando diminui, nem sempre diminui para todo mundo”.

O coordenador recomenda que o consumidor verifique se os postos estão aumentando ou diminuindo os preços seguindo as mudanças.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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