Esposa de Cabral passa a noite sozinha em cela em Bangu, no Rio

Presídio tem nove celas, mas como só há sete detentas além de Adriana, a mulher de Cabral está sozinha em uma cela. O marido está em um presídio ao lado do dela

A advogada Adriana Ancelmo passou a primeira noite sozinha em uma cela no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio, nesta quarta (7). O presídio tem nove celas, totalizando 18 vagas, mas como só há sete detentas além de Adriana, a mulher de Sérgio Cabral está sozinha em uma cela.

O espaço é destinado a presas com nível superior e Adriana tem direito a banho de sol e a receber visitas. Adriana, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, foi presa nesta terça (6) por suspeita de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Cabral está em um presídio ao lado de Adriana.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou em nota que Adriana Ancelmo passa bem e se alimentou normalmente em seu primeiro dia na prisão. Segundo a Seap, o cardápio de almoço e jantar é composto por arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne branca ou vermelha, legumes, salada, sobremesa e refresco. O desjejum é composto por pão com manteiga e café com leite. No lanche, o detento pode optar por um guaraná e pão com manteiga ou bolo.

Na noite desta terça (6), antes de ser levada para Bangu, Adriana passou pelo Instituto Médico Legal (IML), onde ficou cerca de 30 minutos para fazer exame de corpo de delito. Ela chegou por volta das 21h ao presídio.

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal descobriram que o ex-governador Sérgio Cabral deu, em duas ocasiões cada, o equivalente a R$ 1 milhão em joias em presentes para Adriana. A primeira vez que isso aconteceu foi no aniversário dela, em 2012.

Naquele ano, a então primeira-dama completou 42 anos, em 18 de julho. No mesmo dia, Carlos Miranda, apontado pelos investigadores como operador financeiro do ex-governador Sérgio Cabral, foi até a joalheria Antonio Bernardo, em Ipanema, na Zona Sul do Rio.

No local, Miranda comprou um anel Mozart com Turmalina Paraíba, um colar Blue Paradise e um par de brincos Espeto de Turmalina. Como pagamento deixou dez cheques como prestação, sendo cada um no valor de R$ 100 mil. Os investigadores descobriram que Miranda usava na joalheria o codinome “Ramos Filho” em um esquema de “compensação paralela”.

Ou seja, os cheques deixados como garantia para o pagamento eram trocados, um a um, por dinheiro antes da data de vencimento. Os investigadores suspeitam que esse dinheiro seja de propina obtida por Sérgio Cabral. Ramos Filho era o registro de Sérgio Cabral na joalheria Antonio Bernardo.

Adriana Ancelmo também tinha registro da joalheria. A ex-primeira-dama era chamada de “Lourdinha”. Assim, as compras eram mantidas numa contabilidade paralela e codificada que escondia os verdadeiros compradores das joias.

Segundo as investigações, todas as sextas-feiras, Adriana recebia em seu escritório, no Centro do Rio de Janeiro, uma mochila cheia de dinheiro. Os valores variavam entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. De acordo com a Força-Tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal no Estado do RJ, esse dinheiro são propinas pagas à organização criminosa que seria comandada por Sérgio Cabral. Adriana Ancelmo foi presa, nesta terça (6), por decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, do RJ.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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