EUA vs. China: a nova guerra pelos recursos minerais da Lua
Fernanda Brandão analisa a missão Artemis II sob a ótica das Relações Internacionais, explorando a disputa pelo "comando dos comuns" e a exploração trilionária de minerais lunares
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- Em resumo
- • A Artemis II leva a cápsula Orion à Lua 54 anos após a última missão Apollo.
- • O "comando dos comuns" (mar, ar e espaço) é o pilar da hegemonia militar americana.
- • A Lua é vista como reserva de Hélio-3, platina e paládio, com potencial trilionário.
- • Por que isso importa: A China e a Rússia planejam bases lunares próprias, desafiando os Acordos Artemis e a liderança dos EUA no espaço.
Artemis II e a corrida pelo espaço
(*) Fernanda Brandão
Nos últimos 10 dias, a comunidade internacional acompanhou com atenção e expectativa a missão da NASA, Artemis II, que enviou a cápsula Orion ao espaço, para uma missão cujo principal objetivo era circundar a Lua e fazer imagens da face oculta do satélite natural da Terra. A Artemis II acontece 54 anos depois da última missão que levou o homem à superfície lunar, a Apollo 17, em 1972. A perspectiva é de que em 2028 a NASA realize uma nova missão, a Artemis IV, com o objetivo de pousar na Lua e posteriormente dar início à construção de uma estação lunar até 2030.
Contudo, a Artemis II e a retomada do esforço de pousar na Lua acontece em um cenário de crescente competição entre as principais potências e da retomada da corrida pelo espaço entre essas potências dominantes. Barry Posen afirma que para ser o poder hegemônico em termos militares, é preciso que o país que ocupa essa posição tenha o comando do mar, do ar e do espaço, que ele chama de “comando dos comuns”. Isso significa que a potência dominante tem poder militar suficiente para garantir o acesso a esses espaços e limitar o acesso de terceiros a eles.
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