Eleições 2026

Fernando Máximo declara R$ 2,9 mi em bens para o Senado; patrimônio cresceu 17,8%

Pré-candidato ao Senado pelo PL em Rondônia apresentou patrimônio de R$ 2.900.071,44 ao TSE, mas comparação com declaração de 2022 revela mudanças de critério, bens que sumiram e novos investimentos

Fernando Máximo declara R$ 2,9 mi em bens para o Senado; patrimônio cresceu 17,8%
📷 Divulgação
📋 Em resumo
  • O deputado federal Fernando Máximo (PL-RO), pré-candidato ao Senado, declarou patrimônio de R$ 2.900.071,44 ao TSE para as eleições de 2026
  • Comparação com declaração de 2022 (R$ 2.462.633,04) mostra crescimento de 17,8% (R$ 437.438,40) em quatro anos
  • Anomalia 1: Casa em condomínio caiu de R$ 710.000 para R$ 486.173 — queda de 31,5% sem explicação clara no documento
  • Anomalia 2: Trailblazer de R$ 128 mil sumiu da declaração; crédito a receber de R$ 180 mil também desapareceu
  • Anomalia 3: Novos bens incluem quatro terrenos em Alphaville e Zona Leste de Porto Velho (R$ 455 mil), aplicação no BRB de R$ 170 mil e empresa Impacto Live Shalom LTDA
  • Por que isso importa: A declaração de bens é instrumento de transparência eleitoral; inconsistências entre declarações sucessivas levantam questões sobre critérios de avaliação e omissões
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O deputado federal Fernando Máximo (PL-RO), pré-candidato ao Senado Federal por Rondônia na chapa de Marcos Rogério (PL), declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 2.900.071,44 para as eleições de 2026. O valor, apresentado no sistema DivulgaCandContas, representa um crescimento de 17,8% — ou R$ 437.438,40 — em relação à declaração de bens de 2022, quando o então candidato a deputado federal informou R$ 2.462.633,04 aos órgãos de controle eleitoral.

A comparação entre as duas declarações, no entanto, revela mais do que uma simples expansão patrimonial. Ela expõe mudanças de critério na avaliação de um mesmo imóvel, desaparecimento de bens de alto valor e o surgimento de novos investimentos — incluindo uma empresa de eventos ao vivo constituída em 2025 — que não constavam na prestação anterior.

"A consagração constitucional da publicidade e da transparência correspondem à obrigatoriedade do Estado... em fornecer as informações necessárias para o eleitor", afirmou o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, ao reforçar que os dados de declarações de bens devem permanecer públicos mesmo sob a LGPD.

Quem é Fernando Máximo e o que ele declarou em 2026

Fernando Rodrigues Máximo, 46 anos, natural de Ceres (GO), é médico cirurgião, perito médico legista, ex-secretário de Estado da Saúde de Rondônia (2019-2022) e deputado federal pelo PL. Eleito em 2022 com 85.604 votos — o mais votado de Rondônia naquele pleito e o sétimo mais votado proporcionalmente do Brasil —, deixou o União Brasil e se filiou ao PL para disputar uma vaga no Senado em 2026, coligado à campanha de Marcos Rogério ao governo.

A declaração de 2026, obtida pelo Painel Político junto ao TSE, lista 22 bens que somam R$ 2.900.071,44. Os itens de maior valor são:

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  1. Investimento em banda musical: R$ 655.000,00
  2. Lote no Condomínio Alphaville Porto Velho: R$ 250.000,00
  3. Casa no Condomínio Residencial Portal das Artes: R$ 486.173,07
  4. Aplicação no Banco BRB: R$ 170.000,00
  5. Disponibilidade financeira: R$ 140.000,00
  6. Sítio São Pedro em Ceres-GO: R$ 140.000,00
  7. Chácara em Ceres-GO: R$ 140.000,00
  8. Terreno no Setor Chacareiro (Porto Velho): R$ 90.000,00
  9. Terreno no Loteamento Alphaville (Porto Velho): R$ 115.000,00
  10. 50% de terreno na Chácara do Céu (Brasília-DF): R$ 237.151,00
  11. Veículo Honda Fit EX: R$ 65.000,00


Além dos bens imobiliários e financeiros, Máximo declarou a titularidade de 100% do capital social da empresa Impacto Live Shalom LTDA, avaliada em R$ 10.000,00. A empresa, com CNPJ 60.885.533/0001-20 e sede em Porto Velho, tem Fernando Rodrigues Máximo como sócio desde 19 de maio de 2025 e Lara Franco Paes Leme Máximo como sócia desde 6 de fevereiro de 2026.

As anomalias entre 2022 e 2026: o que sumiu, o que mudou e o que apareceu

A comparação detalhada entre as declarações de 2022 e 2026 revela sete pontos que merecem atenção:

1. A casa que encolheu 31,5%

Em 2022, Máximo declarou uma "casa no condomínio residencial" a R$ 710.000,00, com entrada de R$ 142.000,00 e financiamento de R$ 568.000,00 junto à Caixa Econômica Federal. Em 2026, o mesmo bem — agora identificado como "casa no Condomínio Residencial Portal das Artes" — aparece a R$ 486.173,07, uma queda de R$ 223.826,93 (-31,5%). O mais curioso é que neste condomínio, os preços dos imóveis iniciam a partir de R$ 1.200.000,00, conforme anúncios.

A redução não tem explicação explícita no documento. Hipóteses possíveis: (a) em 2022 o deputado declarou o valor total do imóvel, e em 2026 apenas o saldo devedor restante do financiamento; (b) houve depreciação contábil ou reavaliação; (c) trata-se de um critério diverso de preenchimento sem justificativa técnica. O TSE não exige metodologia uniforme para a valoração de imóveis financiados, o que gera inconsistências entre declarações sucessivas.

2. A Trailblazer que desapareceu

Em 2022, Máximo declarou uma Chevrolet Trailblazer 2012/2013, cor preta, avaliada em R$ 128.000,00. O veículo não consta na declaração de 2026. Em seu lugar, aparece apenas um Honda Fit EX a R$ 65.000,00 — cujo valor, curiosamente, subiu de R$ 40.000,00 (Honda Fit 2013/2014 declarado em 2022) para R$ 65.000,00. A Trailblazer pode ter sido vendida, doada ou transferida, mas a ausência de registro na declaração atual deixa a lacuna sem preenchimento.

3. O crédito a receber de R$ 180 mil que evaporou

Em 2022, constava um "crédito a receber de pessoa física" no valor de R$ 180.000,00. Em 2026, o item sumiu. A não constatação pode indicar quitação do débito, mas também levanta a questão de por que um crédito de valor expressivo não deixou rastro na declaração seguinte — nem como receita, nem como baixa patrimonial.

4. Quase R$ 160 mil em contas da Unirondonia que saíram do radar

Em 2022, Máximo mantinha R$ 139.662,24 em três contas vinculadas ao Banco Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Unirondonia Ltda: R$ 11.747,49 em conta corrente, R$ 127.914,74 em depósito e R$ 0,01 em outra conta. Em 2026, nenhuma dessas contas aparece. O montante, superior a R$ 139 mil, desapareceu sem registro de movimentação ou destino.

5. Novos terrenos em Porto Velho: R$ 455 mil em quatro lotes

A declaração de 2026 incorpora quatro novos terrenos em Porto Velho que não constavam em 2022:

  1. Loteamento Alphaville: R$ 115.000,00
  2. Zona Leste (lote 1): R$ 50.000,00
  3. Zona Leste (lote 2): R$ 40.000,00
  4. Setor Chacareiro: R$ 90.000,00
  5. Condomínio Alphaville (outro lote): R$ 250.000,00


Juntos, os novos imóveis somam R$ 545.000,00 — mais do que explicam o crescimento patrimonial. Em 2022, Máximo possuía apenas um "imóvel urbano/terreno/sítio condomínio" em Vilhena a R$ 40.000,00, que também desapareceu da declaração atual.

6. Aplicação no BRB e novos investimentos

Em 2026, Máximo declarou uma aplicação no Banco BRB de R$ 170.000,00 e uma aplicação financeira no Banco do Brasil de R$ 52.888,40 — ambos inexistentes em 2022. Também aparecem uma disponibilidade financeira de R$ 140.000,00 e participação no SICOOB (R$ 12.339,89). Em contrapartida, saíram do radar o Fundo Renda Fixa Unimed Porto Velho (R$ 17.934,40 em 2022) e o BB REF DI Plus (R$ 20.113,44).

7. A empresa Impacto Live Shalom LTDA

O item mais inesperado da declaração de 2026 é a empresa Impacto Live Shalom LTDA, com 100% do capital social declarado a R$ 10.000,00. A sociedade foi constituída em maio de 2025 — durante o mandato de deputado federal — e tem como sócia Lara Franco Paes Leme Máximo, que entrou na empresa em fevereiro de 2026. O objeto social da empresa, segundo registros da Receita Federal, não está detalhado na declaração eleitoral, mas o nome sugere atuação no setor de eventos e entretenimento ao vivo.

Do ponto de vista da transparência eleitoral, os pontos de atenção são:

  1. Conflito de interesses potencial: um deputado federal e candidato ao Senado ser sócio de uma empresa de eventos e agenciamento artístico levanta a questão de se a atividade empresarial pode se sobrepor à atividade parlamentar — especialmente em um estado onde eventos públicos são frequentemente contratados por prefeituras e governo estadual.
  2. Timing da constituição: a empresa foi aberta em maio de 2025, no auge do mandato de Máximo na Câmara. A entrada da esposa em fevereiro de 2026, quatro meses antes da convenção, pode ser interpretada como reorganização societária familiar ou como preparação para blindagem patrimonial eleitoral.
  3. Incompatibilidade com o exercício do mandato: a Lei 8.112/1990 (que regula a acumulação de cargos públicos) e o Código de Ética da Câmara dos Deputados impõem limites à atividade empresarial de parlamentares. A empresa de agenciamento artístico, por si só, não configura incompatibilidade — mas contratos futuros com o poder público poderiam gerar questionamentos.


O que permaneceu estável

Três bens mantiveram valores idênticos entre 2022 e 2026:

  1. 50% do terreno na Chácara do Céu (Brasília-DF): R$ 237.151,00 — inalterado em quatro anos
  2. Investimento em banda musical: R$ 655.000,00 — o maior item individual da declaração, com valor congelado
  3. Quotas da Unimed Rondônia: R$ 20.000,00 — inalterado


A estabilidade do investimento na banda musical chama atenção: R$ 655 mil é um valor expressivo para um deputado federal, e a manutenção do mesmo montante em duas declarações sucessivas pode indicar um contrato de participação nos resultados com valor fixo de entrada — ou uma avaliação que não acompanhou a variação de mercado.

A importância da declaração de bens na campanha ao Senado

A declaração de bens é um dos instrumentos mais visíveis de transparência eleitoral no Brasil. O TSE, por meio do sistema DivulgaCandContas, torna públicos os dados para que o eleitor avalie a evolução patrimonial de candidatos e a compatibilidade entre renda e acréscimo de bens. O Plenário do TSE decidiu, em 2022, que esses dados devem permanecer públicos mesmo diante da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), sob o argumento de que a Constituição consagra o princípio da transparência como vetor imprescindível à administração pública.

Fernando Máximo não é um candidato qualquer. É o deputado federal mais votado da história recente de Rondônia e lidera pesquisas de intenção de voto para o Senado no estado. Sua coligação com Marcos Rogério (PL) coloca-o no centro da principal frente de oposição ao governo federal no estado. Nesse contexto, a declaração de bens não é apenas uma formalidade: é um documento que será escrutinado por adversários, pela imprensa e pelo eleitorado.

O que aconteceu?

O crescimento de 17,8% no patrimônio de Fernando Máximo entre 2022 e 2026, por si só, não configura anomalia. Deputados federais têm remuneração bruta mensal superior a R$ 30 mil, e quatro anos de mandato podem justificar um acréscimo de R$ 437 mil — especialmente para um médico com histórico de atuação empresarial.

Mas a comparação entre as declarações deixa perguntas sem resposta. Por que uma casa financiada perdeu quase um terço de seu valor declarado? Para onde foi uma Trailblazer de R$ 128 mil? O que aconteceu com quase R$ 160 mil em contas da Unirondonia? E por que uma empresa de eventos ao vivo foi constituída durante o mandato parlamentar, com a entrada da esposa como sócia meses antes da convenção eleitoral?

Nenhuma dessas questões, isoladamente, aponta para irregularidade. Mas a soma delas revela uma declaração de bens com inconsistências que o TSE não obriga a explicar — e que o eleitor, em ano de eleição, pode não ter tempo de decifrar. A pergunta que fica é se a transparência formal dos números é suficiente quando os critérios de declaração mudam de uma eleição para outra sem que o candidato precise justificar por que um imóvel vale R$ 710 mil em 2022 e R$ 486 mil em 2026. Se a resposta for negativa, o sistema de prestação de contas eleitoral no Brasil continuará sendo um retrato fiel do patrimônio dos candidatos — ou apenas uma fotografia que cada um escolhe como enquadrar.


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