Governo Lula inicia processo de reciprocidade econômica contra tarifas impostas por Trump
Em meio a tensões comerciais, Brasil busca diálogo com EUA enquanto avalia contramedidas para proteger exportadores afetados – Leia e entenda os impactos na economia nacional

O governo federal brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu início nesta quinta-feira (28) ao processo que pode resultar na aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. A medida responde às tarifas adicionais de 50% impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano, que entraram em vigor em 6 de agosto. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) enviou um comunicado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), informando o início das consultas e análises necessárias. A Camex tem agora 30 dias para avaliar a viabilidade da aplicação da lei.
A notificação oficial ao governo dos Estados Unidos ocorrerá nesta sexta-feira (29), conforme apurado pela TV Globo. Diplomatas brasileiros veem a iniciativa como uma estratégia para forçar um diálogo, já que os americanos têm evitado negociações sobre o tema. “Até agora, a gente não conseguiu falar com ninguém”, afirmou o presidente Lula em declaração sobre as tentativas de negociação com os EUA.
A Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada por Lula em abril deste ano, permite ao Brasil adotar contramedidas proporcionais em resposta a ações unilaterais que prejudiquem sua competitividade internacional. Entre as opções estão a imposição de tarifas extras, restrições a importações de bens e serviços, suspensão de concessões comerciais ou de investimentos, e até a suspensão de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual, como patentes de medicamentos americanos. A norma foi aprovada pelo Congresso Nacional com apoio unânime, incluindo da bancada ruralista, e visa proteger setores econômicos nacionais diante de barreiras comerciais externas.
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