Grávida espera mais de três dias em hospital para tirar bebê morto da barriga

Além da dor de perder a primeira filha com sete meses de gestação, a babá Lizandra da Cunha de Paula, de 26 anos, ainda encarou o drama de esperar por mais de três dias para que o feto fosse retirado da barriga dela na rede pública de saúde do Amapá. Ela está internada desde a quarta-feira (22) no Hospital da Mulher Maternidade Mãe Luzia, em Macapá, e a cesárea para retirada do corpo aconteceu no fim da manhã deste sábado (25).

O procedimento foi o fator responsável pela demora superior à 72h, segundo o hospital. A maternidade reforçou que o prazo está dentro das recomendações do Ministério da Saúde e que a cesariana só foi feita após Lizandra não apresentar reação ao medicamento aplicado para a indução do parto. A menina seria a primeira filha da babá.

À espera foi um tormento para o marido dela, o chapeiro Marcio Pereira de Souza, de 32 anos. Ele relata que procurou na maternidade na segunda-feira (20) após identificar que a bebê não se mexia na barriga há três dias. A comprovação do óbito só ocorreu dois dias depois.

Ele temia que a esposa tivesse alguma complicação por permanecer tanto tempo com o feto sem vida. Lizandra apresentava quadro de pressão alta, o que motivou a internação, disse.
“Mandaram ela para casa, porquê não estava sentindo nada. O segundo médico indicou e subiu com ela para o leito da UTI. Queriam induzir ela ao parto, mas não tinha o remédio em Macapá. A gente queria a cesárea diante do grande tempo que o bebê está lá”, contou o chapeiro.

O remédio a que se refere o pai é o misoprostol, que tem no hospital, mas numa dosagem duas vezes maior que a indicada para Lizandra. O coordenador clínico da maternidade, o médico Carlos Filho, contou que a medicação foi reduzida e dada para a paciente, mas mesmo assim o organismo dela não reagiu para provocar o parto.

“A cesariana tem riscos e a gente não ia expor a mãe ao risco porquê o feto estava em óbito. O Ministério da Saúde nunca enviou para a gente o misprostol de 100 microgramas que é o mais utilizado nessa atual situação que ela está”, explicou o médico.

O hospital reforçou que não houve negligência à paciente, e que foram apenas tomadas as medidas necessárias para evitar o menor risco de infecção à mãe, que deve ter alta nos próximos dias.
“A cirurgia foi indicada porque houve mais de 72 horas do uso da medicação e não respondeu. Poderíamos tentar outras manobras, outra medicação, a citocina, mas a equipe se reuniu e decidiu pela cesariana, também pela parte psicológica dela”, completou o coordenador clínico.

G1/AP

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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