Grávida registrou queixas por agressão contra ex-marido antes de desaparecer

Bem antes de desaparecer, no dia 26 de agosto, quando supostamente iria fazer um aborto, Jandira Magdalena dos Santos já tinha uma vida conturbada. Ela chegou a fazer dois registros de agressões e ameaças à polícia contra o ex-marido, Leandro Brito Reis. Após a separação, Jandira engravidou de um homem com quem teve relacionamento casual, mas resolveu abortar pois estaria reatando com o ex-marido.

Quando estava casada, denunciou, em 2008 e 2010, que as brigas entre ela e Leandro terminaram em socos e xingamentos. Os casos foram arquivados pela Justiça. Segundo o ex-marido, Jandira pediu que ele a levasse ao encontro de uma mulher que estava em um Gol branco, no dia 26, que a conduziria até a suposta clínica para o procedimento. Depois disso, ela nunca mais foi vista.

Jandira dos Santos prestou queixa contra o ex-marido duas vezes por agressão. Ele poderá depor outra vez

Foto:  Reprodução

Em depoimento dado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) da Zona Oeste há quatro anos, Jandira contou que as brigas com o ex aconteceram quando ele teria usado drogas. No dia 14 de maio de 2010, por volta das 23h, ela afirmou que Leandro a expulsou de casa com puxões de cabelo e socos no peito e no braço. Jandira contou ainda que foi xingada e mudou para a casa da mãe com algumas roupas e móveis.

No relato, disse que Leandro a ameaçou, dizendo: “Você vai pagar um preço muito caro por isso. Vou voltar e não vou voltar sozinho.” Procurado pelo DIA para comentar os casos, Leandro não foi localizado. Antes de ser fechada pela polícia, em 2012, a casa utilizada por Rosemere Aparecida Ferreira funcionava como uma clínica comum, com nome de Clínica da Proclamação, em Bonsucesso. Duas mulheres que estiveram lá em 2009 contaram ao DIA que, ao contrário do que ocorreu com Jandira, que não sabia para onde seria levada ao ser deixada por Leandro na rodoviária de Campo Grande, Rosemere não manteve o endereço sob sigilo.

Outra cliente dá detalhes sobre clínica

X., de 33 anos, contou que realizou toda a negociação com a técnica de enfermagem Rosemere Aparecida Ferreira e que o marido foi buscá-la ao término da cirurgia. Segundo ela, Rose recebia as grávidas na própria clínica, que tinha três salas — uma onde eram feitos os pagamentos, uma para espera dos acompanhantes e outra para cirurgias. “Ela não ia buscar ninguém de carro. Era a Rose quem tratava os valores, fazia contato com clientes, recebia o dinheiro e passava o ultrassom para um suposto médico analisar o tempo de gestação”, afirmou X. Rosemere está sendo procurada pela polícia.

‘Cesárea’ por R$ 2,5 mil

De acordo com X, ela foi até a clínica de aborto sabendo os riscos que corria. “Fui sabendo que não tinha segurança de voltar viva e que qualquer coisa podia acontecer. Só fiz porque estava separada do meu marido e grávida de uma pessoa que não era legal”, contou.

Ainda de acordo com a mulher, os procedimentos não cirúrgicos custavam R$ 600. Como ela abortou com quase seis meses, precisou fazer uma cesariana, que durou três horas e saiu por R$ 2.500. X não sabe se o homem que realizava as cirurgias era médico e não lembra de seu nome. “Foi o mesmo suposto médico quem aplicou uma anestesia local em mim. Eles aplicavam a local para o efeito não demorar a passar e a grávida poder ser liberada mais rápido”, lembrou.

GUSTAVO RIBEIRO E VANIA CUNHA – O DIA

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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