Hildon Chaves propõe reforma no trânsito de RO e quer acabar com "órgão arrecadador"
Ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao governo pela Federação União Progressistas defende mudança de paradigma no Detran-RO, com foco em prevenção e redução dos 456 óbitos registrados em 2025
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- Hildon Chaves (Progressistas), ex-prefeito de Porto Velho, propõe transformar o Detran-RO em instrumento de política pública, abandonando o perfil "arrecadador"
- Rondônia registrou 456 mortes no trânsito em 2025, queda de 5,59% em relação aos 483 óbitos de 2024, mas ainda com índice elevado
- O SINDETRAN-RO apresentou sete eixos de atuação, incluindo saúde, educação, segurança pública e valorização dos servidores
- Hildon aparece em 3º lugar nas pesquisas para governo, com 13%, atrás de Marcos Rogério (PL) e Adaílton Fúria (PSD)
- Por que isso importa: A proposta tenta converter uma pauta técnica em diferencial eleitoral num estado onde o trânsito mata mais de uma pessoa por dia
O ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao governo de Rondônia pela Federação União Progressistas, Hildon Chaves, se reuniu na última semana com diretores do Sindicato dos Servidores do Departamento de Trânsito do Estado (SINDETRAN-RO) para anunciar uma reforma profunda na política de trânsito de Rondônia. Ao lado do candidato a deputado federal Anderson Pereira, Hildon ouviu as propostas do presidente do sindicato, Anderson Rivero, e defendeu a transformação do Detran em "instrumento de política pública", longe do que chamou de perfil de "órgão arrecadador".
O número que justifica a proposta: 456 mortes em 2025
A pauta não é retórica. Rondônia registrou 456 óbitos no trânsito em 2025, segundo o Anuário Estatístico de Sinistros de Trânsito divulgado pelo Detran-RO. O número representa uma leve retração de 5,59% em relação aos 483 mortos em 2024, mas mantém o estado em patamar alarmante: mais de uma morte por dia em acidentes de trânsito.
Os dados preliminares do próprio Detran mostram que, apenas nos primeiros três meses de 2025, o estado registrou 3.885 sinistros — média de 43 ocorrências por dia. O índice de mortalidade por habitante, embora não divulgado em detalhes no relatório mais recente, historicamente coloca Rondônia entre os estados mais violentos no trânsito da região Norte.
"Nosso objetivo no Governo do Estado será reduzir o número de acidentes, de feridos e principalmente de vítimas fatais. É preciso acabar com esse perfil de órgão arrecadador, mudar a forma de trabalhar essa questão."
— Hildon Chaves, candidato ao governo de Rondônia
Os sete eixos e a promessa de "vanguarda"
O SINDETRAN-RO apresentou a Hildon um conjunto de propostas estruturadas em sete eixos: saúde, educação, desenvolvimento e cidadania, segurança pública, valorização do pessoal, desenvolvimento urbano, e gestão e modernização. A tese central é que a presença da fiscalização não deve ser usada para multar, mas para inibir infrações.
"A gente entende que, quando a prevenção funciona, o servidor ganha e a população também ganha."
— Anderson Rivero, presidente do SINDETRAN-RO
Para Rivero, a resolução de muitos problemas de saúde pública passa pela redução nos acidentes de trânsito. "É muito mais fácil e barato investir na prevenção do acidente do que ter que cuidar de uma perna ou um braço quebrado", raciocinou. O sindicalista defende ainda que o Detran tem "envergadura suficiente" para atuar de forma proativa, desde que o governador queira: "Se o governador quiser, ele coloca os servidores do Detran nos locais, nas horas e nos dias em que acontecem os acidentes, porque a gente tem toda a estatística."
Hildon declarou que, se eleito, Rondônia será o primeiro estado a colocar a segurança viária como política pública de governo. "Até hoje nenhum estado colocou a segurança viária, o trânsito, como política pública de governo. Faremos isso em Rondônia", confirmou.
A aposta eleitoral de quem está em 3º lugar
A proposta de reforma no trânsito chega em um momento em que Hildon Chaves busca se diferenciar em uma corrida eleitoral acirrada. Oficializado candidato pela Federação União Progressistas no dia 3 de agosto, o ex-prefeito de Porto Velho (2017-2024) aparece em 3º lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo do estado.
Pesquisa do Real Time Big Data divulgada em 16 de julho mostra o senador Marcos Rogério (PL) na liderança com 36%, seguido pelo prefeito de Cacoal Adaílton Fúria (PSD) com 28%. Hildon soma 13%, à frente do ex-deputado Expedito Netto (PT), com 10%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
A distância para a liderança é expressiva, mas não irreversível. No cenário de segundo turno testado pelo mesmo instituto, Hildon perde para Marcos Rogério (51% a 28%) e para Adaílton Fúria (48% a 30%), mas vence Expedito Netto (35% a 23%).
O legado de Porto Velho e a aposta na gestão técnica
Hildon Chaves foi eleito prefeito de Porto Velho em 2016 com 65,15% dos votos válidos, derrotando o então candidato Léo Moraes (Podemos) — hoje prefeito da capital. Governou a cidade por dois mandatos consecutivos (2017-2024) e deixou a prefeitura para concorrer ao governo do estado.
A estratégia da campanha parece ser a de transferir para o plano estadual a imagem de gestor técnico construída na capital. A aposta em uma pauta específica como o trânsito — que combina saúde pública, economia e segurança — permite que Hildon se posicione como candidato de propostas concretas, distante da polarização entre o bolsonarismo de Marcos Rogério e o centrão de Adaílton Fúria.
O que falta para a proposta sair do papel
A conversão da promessa em realidade, contudo, enfrenta obstáculos concretos. O Detran-RO, como outros departamentos de trânsito estaduais, depende de arrecadação de multas para parte de sua receita. Transformar o órgão em um instrumento de prevenção pura exige reposição de recursos orçamentários e, principalmente, mudança de cultura institucional — algo que não se faz por decreto.
Além disso, a segurança viária em Rondônia depende de fatores que extrapolam a esfera estadual: a condição das rodovias federais que cortam o estado (BR-364, BR-319), a fiscalização da Polícia Rodoviária Federal e o controle do fluxo de veículos de carga, que representam parcela significativa dos acidentes graves na região amazônica.
A pergunta que Hildon Chaves precisará responder ao longo da campanha é: se a proposta é tão boa assim, por que não foi implementada em Porto Velho, onde ele governou por oito anos? E se o Detran pode ser transformado em política pública de prevenção, quem pagará a conta da arrecadação que deixará de existir?
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