Hildon pode ter saído do MP por sociedade em “empresa de pasta” com médicos

Ex-promotor é sócio de médicos de Porto Velho e da esposa do ex-senador Expedito Júnior no Rio de Janeiro

Hildon Chaves era o promotor responsável pelas investigações na área de saúde pública. Mas nunca prendeu ninguém pelas péssimas condições que o setor sempre apresentou. Pelo contrário, associou-se a dois médicos de Porto Velho em uma “empresa de pasta” no Rio de Janeiro que tem também como sócia, Valdelise Martins Dos Santos Ferreira, mais conhecida como “Val Ferreira“, esposa do ex-senador Expedito Júnior.

A revelação foi feita nesta quarta-feira, em reportagem do jornal eletrônico Rondoniaovivo, que descobriu a empresa HLC Educacional LTDA, que deveria funcionar na rua Padre Siqueira, 325, em Petrópolis (RJ), mas o local que deveria abrigar uma escola, funciona um pub, o Niko’s Bistrô, que atende desde 2008 no mesmo endereço.

As relações estreitas entre o ex-senador e o ex-promotor são antigas, mas até então eram apenas de cunho pessoal. Quando envolvem negócios, começam a ficar claros os interesses e derruba o argumento de que “Hildon não quer acordo com políticos“. Ele pode não “querer acordo”, mas é sócio de um.

captura-de-tela-2016-10-05-as-14-33-37Chama a atenção o fato da empresa, cujo quadro societário é composto por dois médicos rondonienses, Fábio Mestriner e Alberto Souza Castroviejo, além do ex-promotor da área de saúde Hildon Chaves e a esposa de Expedito Júnior, ter sido aberta no Rio de Janeiro. O CNPJ da empresa só aparece na declaração de bens de Hildon, como “outros fundos“, com cota no valor de R$ 70 mil.

A HLC deveria prestar serviços de “cursos de treinamento e desenvolvimento profissional e gerencial”, mas não funciona. Os telefones que constam no cadastro não existem, nem o fixo nem o celular.

O então candidato à prefeito Roberto Sobrinho, declarou em um debate no primeiro turno que “Hildon foi saído” do Ministério Público. Na época o candidato tucano não rebateu a declaração do petista. A relação comercial promotor/médicos levanta suspeitas sobre a saída repentina de Chaves do Ministério Público. Como promotor ele não poderia ter empresas, mas manteve com sua esposa, durante anos, as faculdades de ensino à distância. Era “legal” porque não estavam em seu nome, mas o bom senso comprova que não tinha como ele não ter gerência sobre as atividades empresariais de sua esposa. A sociedade na HLC foi feita em 2008, cinco anos antes de Hildon deixar o Ministério Público.  Nessa altura do campeonato, o mínimo que o ex-promotor deveria fazer era explicar esse quadro societário.

O que diz a legislação

De acordo com o parágrafo I do Artigo 110 da Lei Orgânica do Ministério Público de Rondônia, é vedado aos membros do Ministério Público “exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como cotista ou acionista”, ou seja, o promotor/procurador pode ser sócio, desde que não gerencie.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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