Ida de Dilma ao Congresso é gesto contra a radicalização do debate político

A ida da presidente Dilma Rousseff hoje ao Congresso para levar pessoalmente a Mensagem do Executivo é um gesto contra a radicalização do debate político. Há acirramento das relações entre governo e oposição desde o fim das eleições de 2014. Essa guerra cresceu no ano passado com o debate em torno do impeachment e pode ganhar ares ainda mais fortes com as investigações contra o ex-presidente Lula.

Numa hora em que a temperatura tende a subir, a presidente toma um atitude ousada, necessária e que busca distensão política. O Brasil enfrenta problemas demais para que sua classe política priorize a guerra ao diálogo.

Nesse contexto, a presidente acerta ao ir hoje pessoalmente ao Congresso. De acordo com auxiliares, as linhas gerais do discurso devem repetir um pouco do que ela falou na reunião do Conselhão na semana passada: reforma da Previdência, recriação da CPMF, projetos que ajudem no reequilíbrio fiscal e combate à crescente ameaça do vírus zika.

Dilma foi aconselhada a fazer um convite à oposição para dialogar. Será preciso ir além de dizer que está aberta ao diálogo. O ideal é apresentar uma proposta concreta para encontrar líderes da oposição.

Também há expectativa em relação à reação da oposição à presença da presidente no Congresso. Uma hostilidade numa cerimônia que é um rito importante de poder soaria como desrespeito institucional. Mas, como a classe política brasileira anda dando provas de estar aquém dos desafios do país, não dá para descartar um erro desse tipo.

Uma distensão política é fundamental, porque a vida real das pessoas, com os fantasmas do desemprego e do zika, merece mais consideração do que jogos de disputa de poder.

Duelo federal

Ao ignorar ontem o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na reabertura do trabalhos do Judiciário, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mandou um recado ao STF (Supremo Tribunal Federal). Reagiu aos bastidores de que o Supremo poderia negar o pedido de Janot para afastar Cunha da presidência da Câmara e do cargo de deputado federal.

Janot deu demonstração ontem de que não considera que Cunha mereça estar no cargo. As acusações contra o presidente da Câmara são gravíssimas. O Supremo tem obrigação de tratar desse tema com celeridade. Foi um equívoco não ter resolvido isso antes do recesso. Manter Cunha na presidência da Câmara seria um erro diante de tudo o que se sabe a respeito dele.

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